quarta-feira, 18 de março de 2015

A água é de todos. Um direito dos humanos.

Sobre água, um direito humano



Parte de uma conversa que tive com Teresa Isenburg - Diretora da Universidade de Milão e  vice-presidente da Organização Mundial da Água, em 2010 

Sobre COP-15 insucesso? 
Não tivemos acordos, certo?
-Todo mundo diz que foi um insucesso, eu não penso assim É difícil acreditar em resultados numéricos, é claro. Não
sobre Copenhagen. existe uma solução mecânica, pré- estabelecida.
Copenhagen é um sucesso simplesmente pelo fato de ter os dois grandes países, China e EUA, assumindo compromissos. 
Sobre o Contrato Mundial da Água?
Queremos transformar a água em direitos humanos.
Somos contra a privatização da água, temos que levar
água a todas localidades, ela não pode ser considerada um bem, uma mercadoria. A água é uma direito humano. 
Poderíamos ter uma " Bolsa água"?
-Sim o governo pode criar a bolsa água. como o o bolsa família, mais importante água é um direito humano. Uma torneira em cada casa, poço, uma cisterna, não sei, depende das condições de cada lugar. Bolsa água é fundamental. A existência humana se liga a necessidade de água. Vou apresentar essa proposta ao governo do Brasil.
O governo federal pode pensar nisso Bolsa água é item de sobrevivência e saúde pública. Na próxima semana estarei com Dilma, quero lembrar disso. 
Pode existir o corte de água por questões financeiras?
Não pode existir a figura do corte de água. Água é questão
de saúde pública. Os administradores têm um dever a
cumprir, com relação ao fornecimento da água.
Não é ação burocrática, é prioridade absoluta. 
Historicamente como é a relação de governos com fornecimento de água? 
Aquelas fontes famosas da Itália, hoje atrações turísticas, foram criadas para levar água a população.
Na Europa a água que sai da torneira é de boa qualidade. Já
a água mineral não é controlada. Nos confiamos na água
que sai da torneira.
A água mineral dá lucro para as grandes multinacionais, mas
sua analise química, muitas vezes foram feitas há décadas,
além de poluir o ambiente, pois as garrafas e copos ficam
por ai.



Aquífero Guarani


Uma grande fonte de água é o aquífero Guarani. Uma reserva subterrânea, que abrange 4 países da América Latina. 
Aquífero Guarani foi o nome que, em 1996, o geólogo uruguaio Danilo Anton propôs para denominar um imenso aquífero que abrange partes dos territórios do Uruguai, Argentina, Paraguai e, principalmente, Brasil, ocupando 1 200 000 km². Na ocasião, ele chegou a ser considerado o maior do mundo: hoje, é considerado o segundo maior, capaz de abastecer a população brasileira durante 2 500 anos. A maior reserva atualmente conhecida é o Aquífero Alter do Chão, com o dobro do volume do Aquífero Guarani.1

Estudos mais detalhados concluíram que o Aquífero Guarani é menor do que os pesquisadores calculavam e, sobretudo, com volume e qualidade da água inferiores aos estimados inicialmente. Além disso, é descontínuo (como na região de Ponta Grossa, no Paraná), de constituição complexa e heterogêneo. Um dos mais importantes estudos feitos sobre ele, "A redescoberta do Aquífero Guarani", foi desenvolvido em 2006 pelo geólogo José Luiz Flores Machado, do Serviço Geológico do Brasil. Flores Machado afirmou, em seu estudo, que, a rigor, não se trata de um único aquífero mas de um "sistema aquífero". Sendo assim, o correto seria chamá-lo de "Sistema Aquífero Guarani".2

A maior parte (70 por cento ou 840 000 km²) da área ocupada pelo aquífero — cerca de 1 200 000 km² — está nosubsolo do centro-sudoeste do Brasil. O restante se distribui entre o nordeste da Argentina (255 000 km²), noroeste do Uruguai (58 500 km²) e sudeste do Paraguai (58 500 km²), nas bacias do rio Paraná e do Chaco-Paraná. A população atual do domínio de ocorrência do aquífero é estimada em quinze milhões de habitantes.

Ribeirão Preto

Cidade ao norte de São Paulo, o serviço de água não foi privatizada, ou seja, ainda é gerido pelo município.
Toda a água consumida pela população é retirada do Aquífero Guarani, porém não há fiscalização e cobranças de cerca de 500 empresas e pessoas físicas, que utilizam indiscriminadamente a fonte natural. 


Sabesp

A Sabesp é uma empresa mista com acionistas espalhados pelo mundo, principalmente nos EUA. A água vem sendo tratada em São Paulo, desde os anos de 1970, como um grande negócio, que gera lucros e dividendos. 
A luta dos futuros governos deveria ser no sentido de retomar os serviços de água e devolve-los ao povo, sendo municipalizado e fiscalizado pela própria população. 
Não existem controles específicos, diários sobre a água distribuída pela Sabesp. 
Em certas épocas nota-se o exagero na dosagem de Flúor, altamente prejudicial a saúde pública. Somente a própria empresa tem os dados e não há interesse do Ministério Público, até por falta de conhecimento, a não ser em eventuais crises, ou possibilidades de epidemias causada por algas, ou bactérias. 
A existência de empresas privadas num setor excencial é a negação de um direito humano fundamental.