sábado, 19 de dezembro de 2015

Finalmente, as ruas tomam a palavra

Finalmente, as ruas tomam a palavra
A crise, entre outros méritos, expõe à luz do sol o sempre escamoteado caráter de luta de classe do conflito politico

A carta do vice-presidente da República – pobre, patética, beirando a infantilidade – dá a justa medida do estado moral lastimável em que se encontra a política brasileira, apequenada, amesquinhada, aviltada e envilecida.
O pronunciamento das ruas grita um rotundo "não" a toda e qualquer ameaça às conquistas sociais
A ambição do impedimento da presidente Dilma é mais do que reverter o resultado das eleições de 2014 – um ano que insiste em não terminar –, jogando ao lixo, com a ordem constitucional irremediavelmente corrompida, a soberania do voto, na qual se assenta a legitimidade da democracia representativa.
 
O argumento forjado em torno das tais ‘pedaladas’ – e outras chicanas – é simples pretexto para justificar uma petição inepta, firmada por um ancião digno, mas manipulado, um advogado cuja importância está no sobrenome herdado, e uma ‘jurista’ sem nome e sem obra, açulados os três pelos holofotes do momento, e lamentavelmente servindo, conscientemente, de biombo a uma alcateia faminta de poder.
 
E aí está o cerne da questão. O mérito do pedido, mesmo para seus subscritores, torna-se, no contexto, irrelevante, pois o que importa é seu papel como detonador necessário da abertura do processo de impeachment, acuando a presidente, paralisando o governo e a vida econômica, e pondo em xeque a desarticulada e infiel e cara base governista.
 
Para esse efeito, portanto, o expediente já cumpriu com seu papel de espoleta, ao ensejar ao correntista suíço a abertura do procedimento jurídico que visa à cassação do mandato da presidente Dilma. O fato objetivo, portanto, é que a oposição, com a contribuição indispensável e valorosa do PMDB, e seus principais líderes, logrou acuar o governo e pôr suas lideranças na defensiva. Mas logrou também acionar o STF – uma vez mais a judicialização da política por iniciativa de partidos! – e, principalmente, trazer a discussão para a sociedade, dividida, mas mobilizada.
 
Mas o mesmo movimento que acuou o governo e a presidente liberou as grandes massas que retornaram às ruas em todo o País em defesa de seu mandato. O pronunciamento das ruas chamado pela Frente Brasil Popular, porém, deve ser lido em todos os significados. Ele também grita um rotundo "Não" a toda e qualquer ameaça às conquistas sociais, e ainda serve de aviso sobre a disposição de resistir à eventualidade do golpe, bem como suas consequências.
 
A crise, entre outros méritos, tem o de expor à luz do sol o sempre escamoteado caráter de luta de classe do conflito politico. Não é por acaso que o impeachment seja reclamado por instituições como a Fiesp, e que a defesa do mandato de Dilma Rousseff seja a palavra de ordem dos trabalhadores, liderados pelas centrais sindicais e pelo MST. 
 
A direita de hoje (é do seu DNA a incapacidade de renovar-se, pelo menos no Brasil) é a mesma que nos anos 50 não aceitava a hegemonia do trabalhismo, e que nos anos 60 rejeitava tanto a emergência das massas quanto a promessa de reformas. Reformas que, diga-se de passagem, simplesmente prometiam a construção de uma sociedade capitalista mais moderna e um pouco menos injusta. As ‘reformas de base’, ainda à espera de realização (meio século passado), detonaram João Goulart.
 
Esses fantasmas, com o lulismo, voltaram a assustar a Avenida Paulista. Daí a crise, daí a conspiração golpista, à plena luz do dia, da qual hoje participa, ostensivamente, o vice-presidente da República, seu primeiro beneficiário.
 
O que está em questão, hoje, para além das aparências, não é a maior ou menor popularidade do governo, nem seu desempenho, nem a corrupção endêmica (registre-se, entre outras, a condenação a 20 anos de cadeia de Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB), nem a distonia entre o discurso da candidata e a política econômica adotada pela presidente. Tudo que se alega não passa de meros pretextos.
 
Nem mesmo está em jogo o futuro do reajuste, cujo combate desavisados da esquerda privilegiam em detrimento da defesa da legalidade, como princípio, porque não sabem ou fingem não saber que o prêmio em disputa é a tomada do aparelho de Estado (o controle da política, da economia e da vida social), depois da conquista ideológica, fruto da associação fática do monopólio da informação (e nele o monopólio do discurso único ditado pela direita) com a pregação de um fundamentalismo religioso assustadoramente primitivo e retrógrado.
 
O que seria a sociedade pós-Dilma está anunciado com todas as letras nas palavras de ordem das passeatas de Copacabana e da Avenida Paulista.
 
A preservação do mandato da presidente é o dique que vem contendo, no plano institucional, a onda reacionária. Rompida essa barreira, será impossível segurar o tsunami conservador que tudo varrerá: direitos dos trabalhadores, conquistas sociais, soberania nacional, desenvolvimento, distribuição de renda, combate às desigualdades sociais e regionais. Exatamente por isso, impedir o golpe é a prioridade tática.
 
Não é pequeno o desafio.
 
A ofensiva reacionária opera em todas as frentes, seja a frente ideológica, seja a frente institucional, onde, ainda hoje – e até quando? – atua, comandando a Câmara dos Deputados como senhor de baraço e cutelo, um político com o prontuário do ainda deputado Eduardo Cunha. Mas não é, ele, o personagem único dessa trama sem mocinho.
 
Até há pouco agindo apenas à socapa, conduzindo os cordéis dos mamelucos a partir dos camarins, hoje se destaca no proscênio desse circo de horrores a figura lamentável de político menor que é o vice-presidente da República. Figura menor – cuja ascensão é denotativa da pobreza de nossa política –,  mas ainda assim perigosa, pois tem sob seu comando, travestida de partido, uma empresa de achaques, na lapidar definição de Marcos Nobre (Valor,14/12/2015): “O PMDB é uma empresa de fornecimento de apoio parlamentar, com cláusulas de permanente revisão do valor do contrato.”
 
Fazem-lhe coro envergonhado, companhia covarde, a liderança do PSDB que, ao tempo de Mario Covas e Franco Montoro, se apresentou como alternativa socialdemocrata.
 
Quando, superada a crise que hoje parece sem fim, o que sobrar de política e de partidos e de políticos tomará consciência da crise agônica da democracia representativa, da falência sem cura do ‘presidencialismo de coalizão’, e se entregará a uma reforma política estrutural? Ora, pedir essa reforma em ambiente hegemonizado por partidos como o PMDB e o PSDB, ou líderes partidários como Michel Temer e Aécio Neves (para ficarmos nos presidentes), é clamar no vazio, discursar para as pedras do deserto.
Roberto Amaral
O livro A serpente sem casca ( da ‘crise’ à Frente Popular) pode ser adquirido através do site da editora Contraponto clicando aqui.
Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A herança dos dois Fernandos, uma obra a 4 mãos.


O resultado nefasto do neoliberalismo, que assolou o Brasil no final do século XX, não deve ser visto e estudado apenas pela óptica da economia.
O câncer social causado por Fernando Collor, que deu início a onda liberalista e concluído por Fernando Henrique, entra na área social, educacional, cultural e na saúde.
Seus governos são baseados na manutenção das diferenças sociais e aumento dos conglomerados privados, sob a desculpa de um estado grande ineficiente. Ineficiência propositalmente ampliada por eles, como desculpa para a desconstrução do estado.
Além do empobrecimento imediato do país em mais de 15% do PIB, a população é dividida e cada vez mais o pobre foi sendo jogado para a periferia, sem qualquer condição de desenvolvimento cultural, ficando a merce de facções criminosas, que foram para onde o estado não tinha interesse. Não sabemos se ao acaso, ou propositalmente, pois é também o início do crescimento do crime organizado.
Nessa onda neoliberal, onde tudo vai sendo privado, os guetos se isolam até pela falta de transportes, também privatizados e caros. Criam-se novos costumes, que se transformam em dados culturais e dividem-se municípios em castas. Mas esse é um assunto para uma analise mais ampla, dos crescimento da periferia, empobrecimento da população e isolamento em diferentes guetos.
A ideia principal desse artigo é mostrar as principais perdas dos anos 90, anos em que o Brasil foi governado pelos dois Fernandos.


Propagandas privatas da era Collor, tudo para convencer  o povo, que o estado estava inchado e que era preciso privatizar para cuidar de saúde, educação, segurança e transportes. 


Alguns resultados da privataria: 

1- 500.000 postos de trabalho fechados. 
2- Empobrecimento da nação. 
3- 15% do PIB entregue a famílias e grupos estrangeiros 
4- Perda da soberania dentro do território nacional. 
5- Tragedias ambientais  como a causada pela Vale, em Mariana. Fim da geração de renda numa área de 600km e litoral. Mortes, destruição do meio ambiente e proteção total ao criminosos. ¨
6 - Aumento da corrupção para aprovação de leis e benefícios às empresas. 
7- As empresas deixaram de cumprir um conjunto de normas sociais para visar apenas o lucro pessoal. 8- Redução da malha ferroviária em todo país, que hoje só atende às exportações. 
9- Aumento dos custos de fretes. 
10 Aumento nos custos de energia em torno de 58% real (a energia está cara porque?). 
11- Aumento nos custos de telefonia. 
12-nenhum investimento privado no setor energético. 
13- Grande áreas de terras, de pequenos produtores, penalizadas por centrais elétricas. 
14- 40% das ações da Petrobras vendidas nos EUA e o conseguente aumento real nos combustíveis, que antes não necessitavam de lucros, hoje precisam enriquecer investidores norte americanos (gasolina cara porque?) 
15- Produtos agrícolas muito mais caros, pois privatizam a parte de fertilizantes mais caros. 
16 -Aumento dos custos de telecomunicações, com a venda de 4 satélites brasileiros, já pagos, para grupos americanos. 
17 - Lucros da telefonia no Brasil transferidos para as matrizes europeias, com aumento no deficit da balança.  do
18- Criação de agencias reguladoras, que só beneficiam os senhores capital. 
19- Os serviços públicos, que sobraram, passaram a ter função de lucro, como na saúde e educação em vias de terceirização. 
20- 11 mil leitos públicos fechados em 98 para a criação de 8 mil leitos privados 
21- Abandono da reforma sanitária. Ai entra, entre outros males, a dengue. 
22- Colocação de ONGs dentro da saúde, programa neoliberal, onde organizações sociais recebem o dinheiro público. 
23- Educação entregue a institutos privados, o pensamento da educação nas mãos de Fundações como Roberto Marinho e Aírton Sena e outras. 
24- O que se ensina, o pensamento nacional,passou às mãos da iniciativa privada. 
25- Introdução do fortalecimento dos agronegócios em detrimento da produção de alimento para consumo interno. 
26- Aumento dos custos na habitação. 
27- Exclusão total dos pobres de dentro das cidades, que são tomadas de assalto pro obras privadas. 28- O direito a moradia deixa de ser absoluto. 
29- privatização dos trasportes públicos. Nem o Metro de Londres é privatizado. Ao se privatizar, no mesmo momento há um aumento em torno de 50% real, que é o lucro da nova empresa, antes social, não tinha necessidade de lucrar.
30- Promoção e exílio na periferia 
31-Destruição do meio ambiente. 
32- Apropriação pelo capital internacional dos bens da terra. Venda até de créditos de carbono nacionais. Perdemos a soberania sobre a biodiversidade. 
33- Ruptura cultural.

Se analisarmos, cada um dos 33 itens propostas aqui, a constatação chegar as raias do absurdo e do ódio. Entregaram o Brasil e ainda andam livremente pelas ruas. 


Mesmo a direita conservadora não acreditava nas boas intenções dos privatas.



A privataria vendeu o Brasil a preço de bananas, até hoje ninguém foi investigado




Bens construídos por toda sociedade brasileira foram doados aos amigos do poder sob a desculpa que o estado iria investir em educação,saúde, transportes, segurança e cultura. E o povo ficou sem nada, em um país mais pobre

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Síndrome do povinho bunda



O Brasil de hoje mostra um espetáculo dos ignorantes.
É o Brasil que se diz honesto, capitaneados por religiosos manipuladores, revoltados on line, que não passam de retardados estelionatários  e enganados pela televisão.
Falando nisso: _ O Clide fala pra mãe, que essa gente não é apenas ignorante, são ignorantes manipulados, que se julgam honestos.
O Brasil se transforma a cada dia num misto de rancorosos ignorantes, com ignorantes adestrados.
Somos o  país da “Grobu”, que assiste o SBT e curte Funk , Chimbinha, Fábio Jr e mais um monte de merdas.
Que nunca foi ao teatro nem leu um livro. De pessoas honestas, que furam filas, param só um minutinho na vaga dos deficientes e adoram levar vantagem.
Um país de covardes, que nunca lutou contra ditadores assassinos e covardes. Que vota em Serra, mas se preocupa com o filho de Lula, nunca com a filha de Serra, a maior gênio de informática do mundo.
O Brasil é o país que grita contra custos de estádios, mas se cala no trensalão. Que pede justiça no mensalão petista, mas se cala no mensalão tucano, o primeiro. É o país que rouba comida de criança pobre, o escândalo da merenda em SP, tem entre seus suspeitos um deputado, que é promotor. Dizer o que?
É o Brasil que já votou em Maluf, ACM, Agripino, Barbalho e o resto da quadrilha.
Somos um Brasil de pessoas honestas, onde o honesto vota no vereador amigo, mesmo sabendo que não vale nada e em grupos corruptos e cassados, como se nada importasse. Voto neles, mas eu sou contra a corrupção! 
O Brasil que quer a cassação de Dilma é o “brasiu”  contra o Bolsa Família, pois temos que ensinar a pescar, não dar o peixe, mas os peixes foram mortos com a privatização da Vale, por um grupo de Tucanos, por 3% de seu valor real e agora não dá para ensinar a pescar. 3% de 90 bilhões de dólares. 
Mas é um povo cujos políticos são católicos, sempre levam um terço.  
É o Brasil do Plano de Saúde, apoiado e incentivado por governantes privatas, que reclama contra a  saúde, mas é contra o  Mais Médicos, mesmo porque o sujeito, que mora no fim do mundo, onde médicos coxinhas não vão, tem mais é que se foder. E a direita se diz preocupada com o salário dos médicos, mas não se preocupa com os salários dos professores. 
Um povo bunda, manipulado por achacadores e empresários espertos, que querem, nada mais, que a diminuição de custos, com mão de obra qualificada, barata e burra, mais incentivos fiscais e muito mais lucro, para poderem gastar na Europa. Mas não querem impostos da Europa. 
Somos o Brasil subserviente, onde o pobre da classe média, se julga rico e luta pelos milionários. Hilário. Onde a burguesia se porta como os vira-latas de Americanos. 
É o Brasil da bandeira da França nas redes sociais, enquanto 900 kms de natureza e cidades são devastados. O povo que fala do apartamento grandioso de Lula, mas não se importa com a cobertura de FHC em Paris.
É o “brasiu” que ao ver pobre comendo, se sente mal.  Mas é um país religioso, cristão acima de tudo...
Somos o Brasil da isenção do IPI para montadoras multinacionais e todos aplaudem.  Mas deixar pobre comprar comida, nem pensar.
É esse o Brasil da justiça, onde o Moro prende porque alguém falou, mesmo sem provas, mas não prendeu ninguém, no golpe do Banestado nem o ex-presidente que foi acusado de receber 100 milhões.
É o país onde ministra do STF diz que pode condenar sem provas quando interessa e que não pode condenar sem provas, quando lhe convém.
É o país onde a Polícia Federal age em nome da lei, mas não age em nome da lei, nos contrabandos, nem mesmo nos aeroportos.  E isso se vê todos os dias. Com apoio da Receita Federel, é claro. 
É o “brasiu” de gente honesta, que apoia Cunha, vota em Maluf, Agripino, Alckmin, Serra e elege uma bancada religiosa.
É um país, que vê a PM batendo em estudantes, porque querem estudar e um governador fechando escolas dizendo que é para melhorar.
Esse é o “brasiu”, só gente boa, com DEM, PSDB, PTB, bancada da bala, da terra, da Bíblia, etc., onde político tem rádio e TV e evangélico compra horário. Onde bandido de gravata manda e o povo obedece. Onde pobre defende rico, enquanto morre de fome.
É o brasiu da grobu. País de fé e fé de mais, não cheira bem.
A ignorância cresce e a cultura sucumbe... mas isso sim, isso é culpa do governo.