terça-feira, 24 de novembro de 2015

Paris e as lágrimas de crocodilo.

Paris e as lágrimas de crocodilo.

As vítimas da ignomínia terrorista devem ser igualmente pranteadas

Caça francês decola para novo ataque aéreo na Síria
Caça francês decola para novo ataque aéreo na Síria
Comecemos pelo incontroverso: o terrorismo não tem justificativa nem ética, nem moral, nem religiosa, nem política, nem tática, nem estratégica. É um ato de lesa-humanidade, primitivo e brutal que nega a civilização e a própria evolução humana. A medida de sua ignomínia independe de suas vítimas, se europeus ou norte-americanos ou judeus, se asiáticos ou árabes ou africanos ou persas ou turcos, ou palestinos, ou cristãos ou muçulmanos ou hindus. Se brasileiros. Onde quer que ocorra um só ato terrorista, a vítima é a humanidade como coletivo.
Por isso suas vítimas precisam ser igualmente pranteadas. Se o justo clamor provocado pela barbárie que se abateu sobre os parisienses – decretada uma vez mais pelo chamado Estado Islâmico –, se levantasse ante todos os atos de terrorismo, a começar pela violência inominável e covarde do terrorismo de Estado das grandes potências ocidentais, talvez o mundo conhecesse menos horror e nós hoje não nos sentíssemos tão desamparados.
A indignação mediática que nos querem impor, porém, é seletiva, e contra esse viés precisamos reagir, pois só assim emprestaremos força moral à nossa reação.
Querem justamente que choremos quando as explosões são em Paris (ou Nova Iorque, ou Madri) e atingem pessoas com as quais nos identificamos cultural e fisicamente, mas dessa mesma violência pouco nos falam quando explode em Cabul, ou quando suas vítimas são negros, ou árabes, ou asiáticos ou palestinos ou persas. Nesses casos a violência é banalizada porque não nos ameaça (ora, somos ocidentais e brancos!), assim como não nos atinge a violência urbana quando restrita às periferias de nossas metrópoles, fazendo vítimas predominante entre negros e pardos e pobres, sejam marginais, sejam civis indefesos, sejam policiais.
Na quinta-feira 12, na véspera dos atentados parisienses, cerca de 60 pessoas perderam a vida e os feridos contam-se em mais de duas centenas, vítimas de atentados levados a cabo pelos mesmos facínoras do EI. Mas desta feita a explosão do irracionalismo se deu no Líbano, e suas vítimas eram árabes, na maioria membros do Hezbollah, adversário de Israel, aliado xiita do Irã mas inimigo de morte do EI.
Na Turquia, dias antes, o EI matara 100 pessoas na Estação Central de Ancara.
Suas vítimas não contaram com o pranto mediático, muito menos sequer uma vela foi acesa com a morte dos mais de 200 passageiros do avião russo derrubado nos céus do Egito, pelo EI, sempre ele.
Já entrou para o esquecimento a sorte dos 700 mil palestinos, expulsos de suas terras e de suas casas pelos continuados assentamentos do Estado de Israel. Não nos choca mais saber que se contam em cerca de 100 os palestinos mortos pelas incursões do poderoso exército de Israel, só no ultimo mês.
Sequer nos perguntamos quantas vidas foram ceifadas na Guerra contra o Afeganistão, quantas foram ceifadas na invasão do Iraque, quantas presentemente estão sendo ceifadas na Líbia e na Síria onde EUA, França e Inglaterra, que pretendem a derrubada de Assad, exercitam sua guerrinha-fria contra a Rússia, que dá sustentação diplomática e política ao ditador.
Para nós, em nosso distanciamento, foi impossível conhecer a dramaticidade da ‘guerra’ do Iraque promovida pelos EUA. Pela televisão, ‘ao vivo a cores’, em cadeia mundial, sem a visibilidade de cadáveres, sem sangue, a invasão foi, emocionalmente, apresentada como um reality show ou um vídeo game futurista. Registramos apenas a estética dos mísseis com suas luzes iluminado a escuridão do céu numa noite sem lua.
Síria, Turquia, Líbia, Iraque, todos fronteiras artificiais impostas pela Inglaterra e pela França a parir do Acordo Sykes-Piot (1916) que – violentando culturas e histórias milenares – serviu tão-só para redesenhar o Oriente Médio, para assim melhor explorá-lo.
Como surgiu esse ódio sectário que corre do Oriente Médio, e que se estende pela Ásia e pela Europa e vem ensanguentar as cidades mais queridas do Ocidente?
Quem financia tanto terror?
Quem entrega armas e equipamentos de guerra nas mãos desses facínoras?
A resposta inescapável é única: são os que hoje derramam lágrimas de crocodilo.
O chamado Estado Islâmico, uma decorrência da Al Qaeda – por sua vez uma criação dos EUA – é financiado pelos petrodólares dos países do Golfo Pérsico, à frente de todos a Arábia Saudita, a maior potência do Oriente Médio, e principal aliada do Ocidente (seja lá o que isso hoje signifique).
São também esses dólares que financiam a indústria bélica do EUA, da Inglaterra e da França, os maiores fabricantes de armas e equipamentos de guerra do mundo, os maiores fornecedores e os maiores traficantes de armas. E, não obstante, ou por isso mesmo, são eles, os fornecedores de armas aos terroristas que nos ameaçam e matam seus povos, membros com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Segurança?
Osama Bin Laden – é sabido – foi recrutado, treinado e financiado pelos EUA para dar combate às tropas soviéticas que defendiam o governo do Afeganistão. Em crise, a Al Qaeda (aquela do atentado contra as torres gêmeas) foi salva pela invasão do Iraque pelo segundo Bush. Dela surge o EI.
Assim e em nome de nada – ora em nome do combate a tropas soviéticas no Afeganistão, ora em nome de mentiras deslavadas (as ‘armas de destruição em massa’ de Sadam Hussein), ora sob o pretexto da defesa de minorias (Síria), ora sob pretexto nenhum (Líbia), os EUA – com a cooperação militar da França e da Inglaterra –, destruíram as estruturas sociais-religiosas do Iraque e dos demais países, acenderam conflitos religiosos e tribais, destruíram nações e as organizações políticas. Em síntese, com a anarquia e o caos, ensejaram a proliferação de verdadeiros ‘Estados’ armados com exércitos agressivos, exércitos de terroristas aptos a agir em qualquer parte do mundo.
O Estado Islâmico e seu califado no Iraque e na Síria são fruto da invasão e destruição do Afeganistão, do Iraque, da Síria e da Líbia. A França interveio na Síria e os EUA financiam e dão assistência militar (inclusive com o fornecimento de armas e munições aos terroristas (que eles batizam de ‘rebeldes’) que lutam contra a ditadura de Bashar al-Assad, que, por seu turno, apoiado pela Rússia, combate o EI.
Os facínoras do EI colhem o fruto da destruição dos Estados árabes, de suas organizações sociais e politicas, e, nomeadamente, da destruição das forças armadas do Iraque, da Síria e da Líbia, cujos quadros foram atraídos pelos fanáticos, que também se beneficiam, ainda graças à intervenção do ‘Ocidente’, com o rompimento do tênue equilíbrio de forças entre xiitas e sunitas consequente das derrubadas de Saddam Hussein e Muamar Kadafi.
Os EUA, após a ignomínia do 11 de Setembro, conduziram operações secretas, com drones e execução de civis suspeitos em 70 países. Da injustificada invasão do Iraque – país que nada tinha com o ataque covarde – resultou uma guerra desastrosa (condenada até mesmo nas memórias do Bush pai) que fortaleceu a Al Qaeda (lembremos mil vezes, criada pelos EUA para combater os soviéticos no Afeganistão) e propiciou as condições para o surgimento do EI. Deu no que deu. O medíocre François Hollande, elevado pelos terroristas à condição de ‘presidente marcial’ fala em guerra.
Que virá depois?
O simplório Jeb Bush, irmão do Bush 2 (o principal responsável pela depredação do Iraque e suas consequências vividas hoje), já declarou, em campanha pela candidatura republicana à presidência dos EUA, que o atentado de Paris é “uma tentativa de destruição da civilização ocidental”.
Antes dele, e melhor e mais perigosamente do que ele, Samuel Huntington já havia anunciado o ‘choque de civilizações’ (na essência a ‘guerra’ contemporânea teria como eixo os conflitos culturais e religiosos, opondo nossas civilizações), dando sua lamentável contribuição para a intolerância e o ultra anti-islamismo que ameaça infeccionar a sociedade norte-americana.
O cenário é muito mais complexo do que supõe a mediocridade, dividindo o mundo entre os ‘bons’ (nós) e os ‘maus’ (os outros) com o que a nova direita europeia (ex-socialistas incluídos) e os republicanos estadunidenses simplesmente repetem o maniqueísmo dos fanáticos que pretendem combater, os ‘cruzados’ com sinal trocado, pois, hereges, agora, somos nós, os que não seguimos Alá.
Algozes e vítimas, cada um a seu modo, se identificam na estratégia de propagar o ódio contra os que não compartilham sua ideologia. O ódio de um é a força que alimenta o ódio do outro e, assim, se tornam irmãos siameses e interdependentes.
Voltamos às Cruzadas?
A violência terrorista avança no mundo e agora grassa em uma Europa onde a xenofobia não é nova mas é crescente. As manifestações de preconceitos étnicos, especialmente contra os árabes, soma-se à intolerância religiosa, particularmente o anti-islamismo, reforçado pelos atos de terrorismo.
Essas manifestações prosperam em todo o mundo, mas avançam principalmente nos EUA (onde se tornam corriqueiras entre os pré-candidatos republicanos) e na Europa, símbolo de civilização que não conhece a inocência, mas sim a guerra como a arte da política: guerras fratricidas, guerras de conquista, séculos de exploração e depredação coloniais, uma história de colonialismo, pirataria, opressão dos povos subjugados. Em um só século duas guerras mundiais e o holocausto.
Roberto Amaral
Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia

sábado, 14 de novembro de 2015

França - A insanidade do poder

Para que servem os deuses e as religiões? 



Fanáticos por deus...E assim sempre foi, cruzadas, inquisição, mortes, escravidão... que viva o deus, assim os loucos entraram gritando na boate Bataclan em Paris. 
As religiões são o atraso criado pelos homens para manipular os homens. Surgiu provavelmente quando o primeiro homem dominou o fogo, o qual era inexplicado e por ter o domínio sobre o fogo ganhou o poder sobre os outros homens. 
Posteriormente governantes viram nas religiões uma forma de dominar grandes massas e isso se tornou um dado cultural para a manutenção do poder. 
A França embora capitalista, sempre foi um estado democrático. Também sempre pagou o preço por ser democrática, mas por outro lado sempre apoiou os ianques em sua ações pouco democráticas de levar sua democracia, aos país não considerados democráticos. 
Compactuou com os americanos bonzinhos e ajudou criar ao Xá do Irã, os Komeines da vida, os Sadans, os Estados Islâmicos e muito mais. Sempre tem o troco. Infelizmente os loucos religiosos pagam com a vida do povo, pois no jogo acertado por eles, não se acerta os chefes de estados, nem os empresários do sistema petróleo X religião X morte. A religião é claro, continua sendo o grande apêndice, ou talvez intestino da política. 
O problema é que toda lavagem cerebral um dia cria monstros. Geniais e sanguinários. O estado continua apoiando religiões e deuses, na esperança de manter o povo sempre obediente, se não ao comando do estado, mas a um deus que vê tudo. Assim segue a carruagem, ou o enterro, como preferirem. 

A religião é o melhor produto para o ódio e para a obediência, depende da necessidade da época. É como o flúor na água, a dose aumenta de acordo com o tempo. E vamos em frente, deus mandou.
A França é o país criador do lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade, pilares da sociedade moderna, mas pilares falsos, que soam como um slogan do marketing da manutenção do capitalismo hipocritamente democrático, falsamente livre e mentirosamente igualitário. Seria bom se não fosse isso. 
A democracia maravilhosa, que fingem ter e querem implantar no mundo, não é necessariamente a democracia por tribos da Arabia, Irã, Iraque, ou Síria. Povos há séculos vivem sob o comando de deuses criados no início dos tempos, justamente para mante-los no sistema tribal e sob domínio de religiosos políticos escolhidos por esses mesmos deuses que seus ancestrais criaram para o domínio. 
A questão é que essas tribos não querem a democracia americana, nem a liberdade francesa e muito menos a fraternidade inglesa, ou alemã. 
Querem ser o que são, tribos de um deus, comandadas por seus representantes, homens com poder. 
Ocorre que, para os americanos e sócios levarem o petróleo, o gás, o dinheiro fácil é necessário transformar as tribos em terra "civilizada" e é ai que se inicia o problema. 
Povos treinados para obedecer um deus Ala e seus representantes na terra, treinados para viver com pouco e não reclamar, para terem várias mulheres, que sejam suas escravas, para vender gente e tudo mais, daquilo, que durante séculos aprenderam nas cartilhas de lavagem cerebral. 
Para os americanos eles são os atrasados, mas para eles os americanos são ladroes querendo roubar suas riquezas. 
Eles não invadiram os EUA, nem a Alemanha, nem a Inglaterra, mas sempre foram invadidos e tiveram suas civilizações estupradas.
E agora? 
Segundo Putin, quem criou o EI foram os Americanos. Não precisa provar, nos acreditamos quando vimos o DNA de Sadan, o sangue de Mohammad Reza Pahlavi e tantos outros criados e fortalecidos pelo 
sistema capitalista para roubar nações menores, consideradas atrasadas, 
ou sem poder.   Tudo se resume ao lucro.  
Síria, o Irã, ou qualquer país do mundo tem um tempo para atingir seu modelo ideal de sociedade. Ainda não sabemos qual será o modelo de cada um, mas isso é a autodeterminação dos povos. 
Talvez um dia as palavras igualdade, fraternidade e liberdade deixem de ser uma frase de efeito. Não é hoje e muito menos será no capitalismo, pois nele não há igualdade, a liberdade é falsa e a fraternidade passou longe. 
Deixem que os povos cuidem de sua autodeterminação. Para acabar com as ideologias exóticas assassinas, acabem antes com as religiões e as armas. Um povo só tem autodeterminação enquanto povo, quando tem cultura própria e autodeterminação pessoal e não se tem autodeterminação pessoal, quando se é comandado por um deus, inventado para o domínio. 
Até então vamos chorar as mortes na França, enquanto na Síria, na Líbia, no Irã, cada um chora pelos seus. A primavera árabe bancada pelo bom e nobre Tio Sam está dando suas flores.  
Os terroristas? Ah esses são apenas como os soldados americanos, acreditam no que fazem, a pequena diferença é que os soldados americanos recebem em dinheiro para morrer, enquanto esses recebem virgens pós morte e vivem eternamente ao lado de um deus criado pelos homens para o poder. 
Apenas a insanidade do poder, enquanto seus chefes, assim como Obamas, Bushs e Hitlers assistem sob ar condicionado o desenrolar de mais um capitulo da história dos negócios.  

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Perseguição religiosa

Escola persegue criança ateia

Contrariando a constituição que garante a liberdade religiosa, uma escola de Nova Andradina, Mato Grosso do Sul passou a perseguir uma criança, que não desejava ensino religioso.
Vários atos de  discriminação e ameaças foram promovidos por professoras, causando danos psicológicos à criança.
A mãe Fabiana Diniz, conta que teve dificuldades até mesmo em registrar o Boletim de Ocorrência, fato que deve ser explicado pelo secretário de Segurança de seu estado.
Esse fanatismo religioso não pode ocorrer e a escola deve também responder por danos junto ao Conselho Tutelar do município.

Vejam a história:
https://www.facebook.com/AnderssenLuc/videos/1639499569636529/