terça-feira, 15 de agosto de 2017

Na terra do golpe, o povo só perde - Parlamentarismo e “Distritão”: o projeto Temer-Cunha ataca a soberania

Parlamentarismo e “Distritão”: o projeto Temer-Cunha ataca a soberania

Nesta fase do golpe, o objetivo é impedir que um novo Congresso eleito ouça a voz das ruas e remova as ‘reformas’ do governo ilegítimo
O projeto Temer-Cunha abrirá as portas do Legislativo para as corporações políticas e econômicas
Uma vez mais, e jamais suficientemente, é preciso pôr à luz do sol o caráter do golpe em curso, como forma de antever seus próximos passos, e a eles nos anteciparmos. Jamais será excessivo destacar seu caráter oligárquico, antinacional e antipopular, autoritário e desconstrutor da ordem republicana. Mas agora é preciso, também, denunciar as maquinações contra a política e a democracia representativa que, após o hiato dos 21 anos imposto pela última ditadura, nosso povo vem, aos trancos e barrancos, tentando reconstruir.
Quando é mais grave a fragilidade dos partidos políticos, mais aguda a crise de representação das casas legislativas (segundo pesquisa Ipsos, 65% dos brasileiros não confiam no Congresso), quando fica exposta a dissonância entre a vontade popular e o papel de seus governantes, a atual e mercenária maioria parlamentar, sob a regência de Michel Temer, anuncia novos ataques à soberania popular, mediante as propostas de Parlamentarismo (ou “Presidencialismo mitigado”, como parece preferir o antigo operador do Porto de Santos) e o tal do ‘Distritão’.
As duas propostas são complementares, imbricadas, e visam tão simplesmente a afastar ainda mais o povo do processo político, promovendo a exclusão das forças populares. Legislando ostensivamente em causa própria, a maioria parlamentar – empresários, ruralistas, seitas neopentecostais, o ‘Centrão’, os grileiros, os sonegadores de impostos e seus despachantes, a ‘bancada da bala’, a burguesia rentista, os assaltantes do erário – objetiva impedir a renovação que a consciência nacional exige.
‘Distritão’ e Parlamentarismo enfeixam as novas regras eleitorais cozinhadas na Câmara dos Deputados com o objetivo de reduzir ao mínimo a autonomia da soberania popular.
O ‘Distritão’, mostrengo político e constitucional  sob qualquer análise, é projeto velho das velhas raposas e foi proposto, de início, pelo então deputado Michel Temer. O cúmulo de estapafurdice se deu numa reunião do Conselho Político da Presidência da República, ainda no governo Lula.
Sua única ‘contribuição’ (de Temer) em  todas as reuniões do Conselho foi essa, rechaçada pelos demais presidentes de partidos. A unanimidade contra traduzia uma razão gritantemente lógica: o ‘Distritão’ significa a desmontagem do regime de partidos. A quem pode interessar tal projeto em uma democracia representativa, por definição dependente de um sólido arrimo partidário?
Poucos anos à frente, o mesmo deputado Temer (o menos votado na bancada paulista) é eleito vice-presidente da República com os votos de Dilma, e, imediatamente esquece o tema, que voltaria à tona em 2015, porém, desta feita, mediante projeto de lei de seu comparsa e então presidente da Câmara dos Deputados, o hoje presidiário Eduardo Cunha. O projeto, apesar de Cunha, foi rejeitado. Ainda apesar de Cunha, foi derrotada, naquele mesmo 2015, a proposta de ‘sistema distrital misto’, retomada agora pelo tucanato, sempre tardio.
Por que voltam agora, um e outro?  Porque não basta depor Dilma Rousseff  e não basta impedir a candidatura de Lula (embora isso seja fundamental para os desígnios futuros da Casa Grande), e mesmo não basta a desnacionalização de nossa economia, a recessão, a desindustrialização e a reprimarização do setor produtivo, o arrocho salarial e desemprego (preço que os assalariados pagamos para financiar a farra dos juros da dívida).
Não basta mesmo a destruição dos direitos dos trabalhadores, nem mesmo a reintrodução do trabalho escravo no campo, projeto apresentado por deputado do PSDB que, em pleno terceiro milênio, permite que o empregado rural possa receber, pelo seu trabalho,  “remuneração de qualquer espécie”, ou seja, ao invés de salário, um naco de rapadura com farinha, uma choça para morar, um par de sandálias de rabicho ou aquela calça velha que o fazendeiro não quer mais vestir.
O essencial, nesta fase do golpe, é impedir que um novo Congresso (novo segundo o caráter de sua composição), ouvindo a voz das ruas, remova, como entulho, as ‘reformas’ do governo ilegítimo levadas a cabo por um  Congresso à míngua de representatividade.
Por isso, e por óbvio, as eleições de 2018, para ocorrerem, precisam ser ‘seguras’. Daí o ‘Distritão’, que destrói a fidelidade partidária e os partidos, e, ele sim, inviabiliza a governabilidade, pois ao invés de 20 ou 30 partidos, o governo terá de negociar, na Câmara, com 513 ‘partidos’.
Transformando a eleição proporcional numa cara eleição majoritária, sem a mediação dos partidos, o projeto Temer-Cunha escancarará as portas dos Legislativos – e é isso o que pretende a maioria de hoje – para os representantes das corporações políticas e econômicas (as FIESPs, CNIs e quejandas), os milionários, os rentistas dos dinheiros públicos, os titulares de cargos eletivos, os doleiros, os ‘bispos’ de seitas religiosas conhecidas pelo seu reacionarismo, as celebridades midiáticas e os meliantes de carteirinha, à procura, a qualquer preço, de imunidade parlamentar (Informa André Barrocal, Carta Capital de 16 de agosto que 300 a 400 dos atuais congressistas são investigados pelo STF e 55 são réus em 100 ações penais). Todos estarão bem representados, menos o povo.
O golpe midiático-parlamentar-judicial-rentista, operado pela aliança do agronegócio com o capital financeiro, nacional e internacional, se instala com a deposição de Dilma e, a partir daí, passa a desenvolver-se em etapas, e a primeira e a mais grave delas é a destruição do projeto de Estado em construção desde a revolução de 1930.
A operação está em curso, e assim permanecerá, enquanto não for possível remover o governo de fato que aí está. A destruição da Previdência Social é apenas uma das metas imediatas do golpe, passado o desmonte da legislação trabalhista. Outras virão.
Como ignora quanto tempo permanecerá dormindo no Jaburu e recebendo visitas noturnas nada republicanas, o presidente denunciado como corrupto, e sua grei, correm com as ‘reformas’. Entrementes, há a ameaça de eleições gerais em 2018, pleito que a correlação de forças reinante não conseguiu, até aqui,  reunir condições de evitar, embora o ‘mercado’, revelando a alma do golpe, diga (Valor, 21.6.2017) que “as eleições de 2018 representam risco real à agenda de reformas necessárias para o país voltar a crescer”.
Daí o apelo ao ‘Distritão’ (que assegurará o controle dos legislativos pelo poder econômico) e o Parlamentarismo, que anulará a eventual eleição de um presidente ‘fora do controle’. Essa ameaça, hoje, tem nome e sobrenome: Luiz Inácio Lula da Silva, alternativa popular que a Casa Grande não admite.
Jamais admitiu.
Em 1955, sem forças para derrotar a candidatura de Juscelino Kubitscheck, a direita civil-militar intentou impedir sua posse. Em 1961, sem forças para evitar a posse de Jango (pela qual gritavam as ruas em esplêndida unanimidade), negociou o Parlamentarismo, que, no Brasil, não é um sistema de governo, mas um instrumento de golpe de Estado.
Como é sabido, convocado a falar em Plebiscito (1963), o povo impingiu ao Parlamentarismo uma derrota esmagadora. Na Constituinte, derrotado no Plenário, o PSDB conseguiu a convocação de novo Plebiscito (1993) para decidir qual sistema de governo o povo preferia, optando entre Presidencialismo, Parlamentarismo e Monarquia. Outra rejeição ao parlamentarismo, outra consagração do Presidencialismo.
História monótona: em 1989, a Rede Globo interfere no processo eleitoral manipulando a cobertura do último debate entre os candidatos; o presidente da FIESP (sempre ela!) anuncia que milhares de empresários brasileiros estavam se preparando para abandonar o país “se o metalúrgico for eleito”. A liderança de Lula nas pesquisas de intenção de votos, em 1994, justificou uma emenda constitucional reduzindo de cinco para quatro anos o mandato presidencial. Inesperadamente eleito FHC, o Congresso aprova nova emenda, desta feita permitir a reeleição.
Hoje,  a ameaça é, uma vez mais, a eventual eleição do sapo barbudo. Daí os processos que se acumulam contra o ex-presidente, com o único e claro objetivo de tirá-lo da disputa. Sem o metalúrgico no páreo, a Casa Grande conta ganhar as eleições.
Mas o seguro morreu de velho. Como precaução, tenta implantar o rejeitado Parlamentarismo, no qual o Presidente da República manda tanto quanto a Rainha Elizabeth. Nesse caso, tanto faz Lula ou Bolsonaro, pois o controle ficará sempre com o Congresso, que, na próxima legislatura, mercê das regras eleitorais em discussão, será, certamente, mais corrupto e mais ilegítimo.
No Parlamentarismo, a classe dominante, a mesma gente que vem mandando e desmandando desde a Colônia, não corre risco, pois, se em eleição direta jamais emplacará em 2018 um filho seu na Presidência, em eleição indireta jamais será eleito um Lula.
Esse é o preço que nos cobra a versão trágica da História recorrente.
STF
O grave não é nem a ‘disenteria verbal’, nem a ‘decrepitude moral’ (palavras de Janot) do ainda ministro Gilmar Mendes, mas a omissão cúmplice do STF e do CNJ ante seu comportamento, seu falar e seu agir.
Roberto Amaral
Leia mais em Carta Capital
 
Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia
Leia mais em: www.ramaral.org
 
   
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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Roberto Amaral: O golpe em curso só para quando desmontar o Estado nacional

O golpe em curso só para quando desmontar o Estado nacional

Só uma reação popular pode evitar um retorno à era pré-Vargas, do Brasil agroexportador e importador de todo o resto.
Temer: hoje ele é a face da destruição do legado varguista
As atenções dos analistas se voltam para a rejeição, pela Câmara dos Deputados (a mesma que depôs Dilma Rousseff), do pedido de licença do STF para processar o ainda presidente da República. Exegetas de todos os naipes se esmeram na procura de significado nos números de votos pró e contra abertura de processo, e há os que perscrutam os astros à procura de luz para a gritante indiferença popular. Teria o povo, cansado e decepcionado, desistido do país, ou simplesmente se deu conta da inutilidade de seu empenho diante de uma partida já decidida na ausência de escolha, pois tratava-se, aquela votação, tão-só de trocar, ou não, seis por meia dúzia?
Ora, o relevante para os grupos que se apossaram do poder, cevados desde o Brasil colônia na sonegação de impostos, na corrupção e na grilagem, não é a escolha do timoneiro sem autonomia; o que os mobiliza, na verdade escancarada, é a sustentação e aprofundamento do desmonte da “Era Vargas”, o sonho da casa-grande desde a intentona de 1932, até hoje cultuada pela oligarquia paulista.
Vargas é ainda o espectro que rouba o sono da Avenida Paulista. As menções a reformas e mais isso e mais aquilo são a senha para impor o ajuste de contas e, com a revivência do passado, impedir o parto do futuro, a saber, a emergência de sociedade menos injusta e mais inclusiva, pois era esse o limite do varguismo e dos projetos do trabalhismo, apodado de “populismo de esquerda” pela sociologia paulista, que jamais dialogou com Florestan Fernandes.
O combate à “Era Vargas”, e, por extensão, ao trabalhismo de um modo geral, o que explica o ódio incontido a Jango e a Brizola, foi sempre o grande leitmotiv dos grupos exportadores, das casas de comércio importadoras e do capital financeiro imperialista. Por isso mesmo, o anti-varguismo encontraria campo fértil para sua disseminação em São Paulo, cuja industrialização ocorreu a despeito do reacionarismo das oligarquias agrárias, que, todavia, impuseram o viés conservador.
Ali, a reorganização e politização do sindicalismo, já ao final da ditadura de 1964 e sob a égide da nascente “era Lula”, teria como elemento aglutinador o combate ao “peleguismo” – termo grafado pela direita para indicar, pejorativamente, o sindicalismo herdado de Vargas e partilhado com os dirigentes comunistas, do antigo “Partidão”. Para o petismo daquele então a CLT era uma arcaica tradução da Carta del lavoro, de Mussolini, e Vargas apenas um ditador. Por seu turno, o tucanato, nascido de uma costela do PMDB (de onde herdou o DNA), anunciava, pela voz de FHC, seu grande sonho: “varrer a Era Vargas”.
O primeiro grande golpe contra a “Era Vargas”, pós-redemocratização de 1946, foi disparado em 1954 com a sublevação militar (Eduardo Gomes, Juarez Távora, Pena Boto) que, açulada pela direita civil (Carlos Lacerda à frente) impôs a deposição de Vargas. O antigo ditador, agora presidente eleito e democrata, se viu acossado por haver ousado atribuir ao Estado o papel de indutor do desenvolvimento, consubstanciado na criação do BNDE, da Eletrobrás e da Petrobras. Quando lhe puxaram o tapete do apoio militar, o presidente não tinha mais condições de apelar às massas, pois seu sindicalismo de cooptação deixara de ser a vanguarda dos trabalhadores.
Naquele 24 de agosto as massas, até então silentes, saíram às ruas, desorientadas, numa explosão de desespero. Mas àquela altura já era tarde, só lhe restando chorar a morte de seu líder.
Quando esse varguismo ressurge com a eleição de Juscelino Kubitschek, em 1955, a mesma direita de 1954, agora no poder,  intenta o impedimento da posse dos eleitos, enfim desarmado pela dissidência do Marechal Lott no episódio do “11 de novembro”, que já faz parte da História.
Poucos anos passados, em 1961, frustrado o golpe populista de Jânio Quadros, as forças civis e militares de sempre intentaram impedir a posse do vice-presidente João Goulart. O veto a Jango repetia o discurso de 1954 e 1955. Sob a liderança do então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, as forças populares se levantaram em defesa da legalidade. A irrupção derrubou o veto a Jango mas não teve forças para evitar o golpe do parlamentarismo, traficado nas caladas da noite entre forças políticas e militares. Como sempre, a conciliação da classe dominante prevaleceu. Para assegurar a posse de Jango, impôs-se emenda parlamentarista votada às pressas, mediante a qual, despido de poderes, o herdeiro de Vargas assumiria a Presidência, mas sem condições de governar.
Em 1964, o quadro se reproduz (a História brasileira é recorrente), com desfecho consabido, e a direita obtém, com a deposição de Jango, afinal lograda, e a implantação de uma ditadura longeva, aquela que parecia ser sua definitiva vitória sobre a “Era Vargas”. Entretanto, já era outro, então, o Brasil. Castello não conseguiu fazer o sucessor, e os governos militares que se sucederam restabeleceram o compromisso com o desenvolvimento, embora autocrático, e sob a égide de forte repressão que compreendeu prisão, tortura e assassinatos.
A ditadura é finalmente derrotada, mas não a persistente tentativa de aplastar a “Era Vargas”, que continuava a incomodar. Depois do assalto collorido, tivemos o neoliberalismo antivarguista e antinacional dos anos FHC, afinal superados pelas eleições de Lula.
Mas, o que era (é) o varguismo, ou pelo menos o que ele simbolizava para o País e a nação? Pinço alguns aspectos e o primeiro deles é a proteção (paternalista, se quiserem) dos trabalhadores, cuja grande marca – daí o ódio que desperta – é a Consolidação das Leis do Trabalho, editada ainda sob o Estado Novo. O varguismo pode ser identificado ainda pela opção por um desenvolvimentismo de viés industrial e tentativamente autônomo, donde a opção por políticas nacionalistas e a busca de soberania. Seus símbolos são o salário mínimo, a Previdência Social, o BNDE, o monopólio estatal do petróleo e a Petrobras, a Eletrobrás, a consolidação do CNPq e da universidade pública e, símbolo maior, nessa análise, a Cia. Siderúrgica Nacional, assegurando o aço sem o qual não se poria de pé o sonho industrialista.
E aqui se encontram o varguismo e o lulismo, malgré lui même, pois, conscientemente ou não, os governos lulistas, principalmente os dois primeiros, foram administrações programaticamente similares ao varguismo, e, por isso mesmo tão violentamente rechaçados pela oligarquia agroexportadora, mais e mais acompanhada por seitas evangélicas neopentecostais. Quais são suas características marcantes senão o desenvolvimento autônomo, a defesa da empresa nacional, a  emergência das massas, e a utilização do Estado como indutor do desenvolvimento? Essa raiz varguista decretou o fim do mandato dilmista, pela necessidade de brecar a continuidade do projeto lulista, que pode ser medido com os seguintes números: de 2001 a 2009 a renda per capita dos 10% mais ricos cresceu 1,5% ao ano, enquanto a dos 10% mais pobres aumentou à taxa anual de 6,8%.
A reação ao lulismo ou o combate anacrônico ao varguismo, objetivado a partir da deposição da presidente Dilma, não se encerra com a ruptura de 2016, pois, sua tarefa atual é cerrar as vias de seu retorno (do lulismo), amanhã, em 2018 ou quando houver eleições. Enquanto isso, remover as conquistas sociais que remontam seja ao varguismo, seja ao lulismo.
Para tal desiderato a direita não medirá esforços nem julgará meio que levem à destruição do ex-presidente e do que ele, independentemente de sua vontade, representa para o povo brasileiro, por que não há, da parte da direita (a História o demonstra sobejamente), qualquer compromisso com a democracia representativa. Isso quer dizer que as eleições até podem ser realizadas— advirtamos sempre – mas se de todo for afastada a hipótese de recidiva lulista, com Lula ou sem ele. Mas, como a principal ameaça eleitoral é o ex-presidente, torna-se fundamental removê-lo do pleito, como for dado. Se de todo revelar-se impossível deter sua candidatura (as pesquisas de opinião indicam que hoje ele teria algo como 50% das opções de voto), o golpe de mão, relembrando 1961, será ou um ‘presidencialismo mitigado’, ou o parlamentarismo pleno, já em 2018, como sem rebuços pleiteia o inquilino do Jaburu, quando, tornada irrelevante a presidência, qualquer um poderá ser eleito, até um quadro de esquerda, pois o poder ficará com o Congresso, independentemente de sua ilegitimidade. Aliás, quanto mais ilegítimo, mas dócil aos projetos da casa-grande, de quem é mero despachante.
O golpe em curso precisa de ser detido enquanto não conclui o projeto de desmontagem do Estado nacional, de nossa economia, de nossa soberania, de nossa ordem jurídica, e, afinal, como consequência, a desmontagem da democracia representativa, recuperada com tantos sacrifícios.
Como detê-lo, em face de um sistema de comunicação que professa a religião do antinacional e do anti-povo, solidário, portanto, com a blitzkrieg desencadeada contra as forças populares? Apelar para a resistência de um Congresso controlado pelo que a crônica chama de baixo-clero, para significar a composição do fisiologismo com o reacionarismo? Do Judiciário, que desrespeita a Constituição e manipula o poder mediante o jogo de liminares concedidas segundo o interesse político da hora? Afinal, que esperar de um Judiciário cujo principal líder é Gilmar Mendes?
Resta-nos confiar na reação popular, na reação dos trabalhadores, na reação da universidade, na reação dos trabalhadores, na constituição de uma frente de resistência ao desmonte do Estado, dos direitos sociais e da soberania, antes que seja tarde, e voltemos à condição pré-Vargas, a de exportadores de produtos agropecuários, de minérios, de petróleo, e a de importadores de tudo.
Se não redescobrirmos o caminho das ruas, a direita, que mede a reação popular, continuará avançando e certamente não se contentará com a condenação de Lula.
Roberto Amaral

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

"Neo-socialismo X Neoliberalismo" - Renda básica

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Os dicionários eletrônicos nos dizem que  Renda Básica Universal, é uma quantia paga em dinheiro a cada cidadão pertencente a uma nação ou região, com o objetivo de propiciar a todos a garantia de satisfação de suas necessidades básicas.
Alguns chamam isso de socialismo, mas se o estado é um negócio, hoje tratado por neoliberais como empresa, onde o político deve ser substituído pelo gestor, nada mais justo do que dividir os lucros desse negócio entre seus acionistas.
"Pode ser incondicional ou condicional. Se for incondicional, o valor é distribuído pelo poder público de forma igualitária, não importando o nível social ou disposição para o trabalho de quem recebe. Se for condicional, torna-se uma alternativa à Assistência Social, podendo ser estabelecida uma faixa etária mínima, nacionalidade, tempo de permanência na região ou em caso de incapacidade do exercício social (como no caso de internos em clínicas e criminosos)".
Alguns países já possuem Rendimento de Cidadania dividido sua população. O mais recente caso aconteceu na Suiça em 2016, quando ocorreu um plebiscito para implementar uma renda de 2,5 mil francos suíços por adulto e 625 francos por cada menor de 18 anos. A medida foi rejeitada por ampla margem, 76,9% dos eleitores se opuseram à ideia. 
Mas trata-se de um país evoluído, onde os cidadãos confiam no estado e prefere que seus administradores continuem investindo no conjunto de benefícios e obras, que já é proporcionado. Como o povo já tem o suficiente, não necessita mais do que tem. 
Os recursos podem ser captados de diversas formas: através da arrecadação de impostos, taxa sobre concessões de extração de recursos naturais, gestão de estatais e outros recursos, como lucro pela exportação e  pela supressão de outros mecanismos de distribuição de renda
Embora a divisão de rendas seja capitalista, pois é o que se faz aos acionistas de uma empresa, no Brasil isso é considerado "atitude comunista". Oras, somos acionistas desse país, ou apenas maquinas a serviço de uma estrutura?
É difícil explicar isso para um povo sem cultura e treinado para ser escravo. No Brasil a meritocracia tem seguidores e é religiosamente seguida, ao lado do merecimento por hereditariedade. 
O indivíduo que estudou e passou décadas em um escritório, ainda que muitas vezes inútil, ou de competência discutível, se vê como trabalhador e único (ele e seus pares) merecedor das benesses do poder. Não importa se o boia-fria trabalha mais, a questão é meritocrática,  ou se o rico tradicional tem mais direitos, pois a hereditariedade é "divina". 
Assim pode ser o mundo em 50 anos, mas todo o lucro pode ficar apenas com as corporações, enquanto o povo segue na escravidão. Essa é a escolha entre o neosocialismo e o neoliberalismo. 
Façam suas escolhas. 


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

DEPUTADOS DE SP, QUE VOTARAM PELA IMPUNIDADE DA CORRUPÇÃO DE TEMER

ESSES SÃO OS DEPUTADOS QUE VOTARAM PELA IMPUNIDADE DE TEMER E SP.
ELEIÇÕES DE 2018 - GUARDEM ESSES NOMES. TUDO O QUE ACONTECER DE ERRADO, CORRUPÇÃO, MORTES, CRIMINALIDADE, ENTREGUISMO, PERDA DE SOBERANIA, SAÚDE, EDUCAÇÃO SUCATEADA...
ESSES E SEUS ELEITORES SÃO OS RESPONSÁVEIS.
SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM DESSES, OU SAIU NAS RUAS GRITANDO PELO GOLPE, VOCÊ É PIOR QUE ELES E NÃO TEM DIREITO A RECLAMAR.
SE VOCÊ VOTOU NO PARTIDO DELES, TAMBÉM É UM MANIPULADO SEM DIREITO A RECLAMAR.

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Vinicius Carvalho PRB SP
Roberto de Lucena PV SP
Roberto Alves PRB SP
Ricardo Izar PP SP
Paulo Pereira Da Silva SD SP
Paulo Maluf PP SP
Paulo Freire PR SP
Missionário José Olimpio DEM SP
Milton Monti PR SP
Miguel Lombardi PR SP
Marcio Alvino PR SP
Marcelo Squassoni PRB SP
Marcelo Aguiar DEM SP
Jorge Tadeu Mudalen DEM SP
Herculano Passos PSD SP
Guilherme Mussi PP SP
Goulart PSD SP
Fausto Pinato PP SP
Evandro Gussi PV SP
Eli Corrêa Filho DEM SP
Dr. Sinval Malheiros Podemos SP
Celso Russomanno PRB SP
Bruna Furlan PSDB SP
Beto Mansur PRB SP
Baleia Rossi PMDB SP
Antonio Bulhões PRB SP
Alexandre Leite DEM SP - ABSTEVE-SE
Gilberto Nascimento PSC SP - FALTOU

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Venezuela e Bolívia - Últimos pontos de resistência.

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Maduro resiste: dia 31-07- 2017. Não é fácil, mas ele resiste. Seu povo resiste. Não é por 20 centavos é pelo controle dos poços de petróleo. O que está em jogo não é o povo da Venezuela. É dinheiro. 

A oposição venezuelana é como o PSDB no Brasil. Não gostam do povo, não suportam o povo, governam para corporações onde o povo só é útil como massa de manobra e mão de obra barata. Por isso fizeram o golpe no Brasil, o povo estava crescendo, deixando suas dependências e o país se tornando soberano. Não interessam mais países soberanos. 

Venezuela e Bolívia são os últimos redutos de soberania. Não sei até quando. As crises costumam mudar opiniões de populações ignorantes e nesse ponto os dois países provaram ser mais evoluídos que o Brasil. O que não é difícil. Aqui a classe média (17% do país) é burra e facilmente manipulada. É ouvida quando necessário e se manifesta quando recebe ordens. Mas só é ouvida como desculpa política para golpes. Golpes até mesmo contra ela, a classe média burra. 

Na Venezuela, apesar da crise, o povo não entrou na onda golpista. Crise fabricada por empresários, que não desejam produzir com baixos lucros e pagando altos impostos, que reverteriam a todos. Escondem mercadorias, produzem menos, fabricam circunstancias. Como fizeram no Brasil em 2015 e 2016. Criam o circulo vicioso da crise, causando desempregos e diminuindo os próprios lucros, na esperança de uma nova onde liberal, onde direitos são suprimidos e lucros aumentados. Ou seja, esperam ganhar no futuro. 

Mas e ai, onde aparece a soberania? Claro, no oportunismo norte americano, terrorista sionista, sempre pronto para levar a paz e a democracia onde for necessário. Claro, que desde que exista lá, o petróleo, o nióbio, o ferro, ouro, etc. 

Só para relembrar: 

Sadan tinha o controle do seu país, de todas as tribos, que só viviam unidas graças ao regime. Mas os terroristas americanos queriam levar a democracia. E ai vemos o antes da democracia e o depois: 

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A Líbia não era uma democracia. Sua população não tinha foma, todas as crianças tinham estudos, mas Kadafi preferia fazer negócios lucrativos e não se submetia aos ianques terroristas. Tinha muito Petróleo. Os americanos diziam que era um país atrasado e sem democracia, através de uma oposição muito parecida com a tucanagem brasileira, venderam ao povo a ideia de uma país melhor, e esse, como coxinhas brasileiros foram as ruas bater panelas...

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Na Síria Assad dificultou os negócios dos terroristas ianques. Logo começou a propaganda contra a ditadura em um país, que até então era saudável, para os moldes escolhidos por seu próprio povo. 
Foi assim na Coréia, no Vietnã, no Afeganistão...
Foi assim na América Latina, mas com maior facilidade, Brasil, Argentina, Chile. 
Não precisaram dar um tiro sequer. Bastou comprar parlamentares, juízes, ou exército. O povo acredita em qualquer onda publicitária bem moldada. Era o exemplo democrático ianque sendo implantado no terceiro mundo. Ah, o Brasil tem petróleo, nióbio, ouro, ferro, água, floresta e posição estratégica. 

Assim continuará na Venezuela até que Maduro caia. Mas nossos bons coxinhas, burgueses, paneleiras, fascista, religiosos, logo dirão, "mas e a crise, a democracia"? 
A crise fabricada, pois nem Chaves e nem Maduro socializaram todas as empresas e mandaram seus empresários para o paredão. Apenas diminuíram seus lucros e deram ao povo direitos. Direitos hoje boicotados por uma produção intermitente. Deveriam ter socializado tudo. 
Nosso burgueses irão lembrar da democracia. Qual, a de lá onde 80% apoia o governo, ou a daqui, onde um governo eleito pela maioria foi trocado por outro com 95% contra? 
Lá Maduro foi eleito pelo povo e se mantem apesar dos boicotes. Aqui deputados corruptos deram um golpe com apoio do judiciário. Lá dizem que morreram 16 pessoas nessa crise, enquanto aqui, morrem assassinadas, 200 pessoas por dia. 

Precisa desenhar? 

PS- Na Coreia do Norte os ianques não podem entrar porque levam bomba. No Brasil não tem problema, o agente Moro mandou prender o Almirante que fazia nossa bomba. 

Nigéria, Congo, Sudão, Etiópia precisam de democracia, remédios, escolas, segurança, mas parece que lá não tem petróleo, nióbio, ouro, etc...
Os coxinhas não saem fazendo movimentos contra a falta de democracia nesses países...





sábado, 29 de julho de 2017

Não era contra a corrupção, era contra a soberania nacional.

Não era contra a corrupção, era contra a soberania nacional.

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Qual era a intenção de Moro, o juiz que está acima da lei?
Era acabar com a corrupção?

Mas se era contra a corrupção porque ele nunca prendeu ninguém do Banestado?
Se era contra a corrupção, porque não revelou logo as maracutaias do Aécio, o home gravado pedindo dinheiro, que manda matar se o delatarem e que rouba desde sempre?
Se era contra a corrupção porque liberou Claudia Cunha, cujos cartões de crédito compraram vários triplex?
Se era contra os corruptos, como a mulher do Cabral foi liberada pelo Dr. Moro?
Porque Moro não agiu com Jucá e com Aécio do mesmo jeito que agiu com Delcidio?

Qual é o motivo da LAVA JATO SR. MORO?

Enquanto tentava-se provar que Lula tinha um triplex de 3 milhões, assistimos denuncias de 100 milhões para FHC, 100  milhões para o Serra, 60 milhões para o Aécio, 50 milhões para o Temer...
EXPLICA PARA NÓS DR. MORO, era contra a corrupção?

OU ERA CONTRA A SOBERANIA?

Sabemos que Dilma não entregaria nosso país aos terroristas ianques, logo era necessário tira-la e colocar em seu lugar alguém que fizesse qualquer coisa pelo dinheiro. Ou estou errado?

E o que acontece a partir de 2014, quando congressistas comandados por Aécio, começam a votar sistematicamente contra o Brasil?


1- desemprego cresce 120%. Só comparar com os números do final de 2013
2- brasileiros perdem direitos trabalhistas
3- começam os cortes no bolsa família, 1 milhão de pessoas voltam imediatamente ao mapa da fome.
4- diminuem os investimentos em cultura, o governos golpista não consegue ninguém do meio para administrar o que não existe mais.
5- diminuem investimentos em saúde, a ordem é sucatear o SUS
6- o ensino se torna fábrica de escravos, que sequer imaginam que serão escravos ignorantes.
7- o programa "minha casa minha vida" em julho de 2017 chega a zero de investimentos.
8- Temer compra congressistas para inocentá-lo de qualquer acusação.
9- empresas começam a fechar.
10- a intenção de quebrar a Petrobras para vende-la aos sonistas começa a ser colocada.
11- o Almirante, que cuidava da nossa soberania é sentenciado a prisão perpetua. As forças armadas se calam. Resultado de imagem para MORO ENTREGUISTA

12- Amazônia é liberada para ocupação do exército terrorista do norte.
13- Nióbio, sem o qual os sionistas ianques não sobrevivem, é liberado a preço de banana para os ianques.
14- começa a operação para quebrar a JBS, empresa privada líder mundial em vendas de carne.
15- Começam estudos encomendados pelo cidadão norte-americano Meirelles, para vender nossas reservas de água.
16- Começam os desmontes das empresas de aviação nacionais.
17- Vai começar agora a operação para denigrir a imagem da Embraer perante o mundo.
18- Começam a escolher as empresas que vão quebrar, como fizeram na década de 90 com a Gurgel.
19- Aumenta a pobreza e os índices de criminalidade.
20- Os verdadeiros bandidos continuam no Poder...

ERA ISSO SR. MORO?
AFASTAR DILMA E LULA QUE NÃO DEIXAVAM VENDER O BRASIL?

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terça-feira, 18 de julho de 2017

Por que Lula?

Por que Lula?

A identificação de Lula como alvo da reação não é gratuita. Se dá pelo que ele simboliza
Sem surpresa, o País recebeu a anunciada condenação de Lula, sentença que já estava pronta antes mesmo da mal articulada denúncia do Ministério Público Federal, antes mesmo do julgamento na ‘República de Curitiba’, pois, antes de tudo, estava lavrada pelas classes dominantes – os rentistas da Avenida Paulista, as “elites” alienadas, a burguesia preconceituosa, um empresariado sem vínculos com os destinos do povo e de seu país. Uma “elite” movida pelo ódio e pela inveja que alimenta a vendeta. Denúncia, julgamento, condenação constituem uma só operação política, cujo objetivo é avançar mais um passo na consolidação do golpe em progresso iniciado com a deposição da presidenta Dilma Rousseff.
Tomado de assalto o poder, cumpriria agora destruir eleitoralmente a esquerda, numa ofensiva que lembra a ditadura instalada em 1964. Para destruir a esquerda é preciso destruir seu principal símbolo, assim como para destruir o trabalhismo caberia destruir o melhor legado de Getúlio Vargas. Não por mera coincidência, o dr. Sérgio Morodecidiu dar à luz a sentença a ele encomendada no dia seguinte em que o Senado Federal violentava a Consolidação das Leis do Trabalho.
Desinformando e formando opinião, exaltando seus apaniguados e difamando aqueles que considera seus inimigos, inimigos de classe, a grande imprensa brasileira promove o cerco político, e tece as base da ofensiva ideológica unilateral, porque produto de um monólogo.
Essa imprensa – um oligopólio empresarial, um monopólio político-partidário-ideológico e na verdade o principal partido da direita – que exigiu e obteve a condenação de Lula (e presentemente tenta justificá-la, embora carente de argumentos) recebeu com rojões juninos a sentença encomendada, mas logo se enfureceu porque Lula recusou o cadafalso político e anunciou sua candidatura à presidência.
Ora, dizem os editoriais, os articulistas, os colaboradores, dizem os “cientistas” políticos do sistema, Lula não pode ser candidato, o que revela a motivação da sentença. Já há “cientistas” exigindo que o TRF-4, em Porto Alegre, confirme sem tardança a condenação, e “filósofos” anunciando que a candidatura Lula é um desserviço à democracia (ela que lidera todas as pesquisas de intenção de voto) porque “polarizaria” o debate e as eleições. Doria, não. Bolsonaro, não. Caiado, não. Alckmin tampouco polariza. Mas Lula, sim; por isso precisa ser defenestrado.
A “vênus de prata” já começou a campanha visando à condenação de Lula na segunda instância, e o Estadão (edição de 14 último) anuncia que o “Supremo deve manter condenação de Lula”.
Somos testemunhas da tentativa de revanche da direita brasileira. Impedir a candidatura Lula é a defesa prévia ante a ameaça de a população demolir o golpe com as eleições de 2018.
O fato de o libelo (e jamais sentença) de Moro ser obra conhecida, segredo de polichinelo, não releva seu caráter mesquinho e iníquo, ademais de sua inépcia jurídica, desnudada. Do ponto de vista do direito, a “sentença” é um mostrengo e se fundamenta em ilações, presunções, talvez “convicções”, artifícios de raciocínio em conflito com a lógica.
Contrariando o direito, que só conhece propriedade e posse, o juiz inventa a figura do “proprietário de fato”. A propriedade, segundo nosso Código Civil, se prova mediante o registro em Cartório, mas para acusar Lula se aceita que uma simples delação do proprietário real seja recebida como transferência, e como esse proprietário supostamente doador, empreiteiro respondendo a processos, é usufrutuário de falcatruas, conclui o juiz açodado que o apartamento deve ter sido dado em retribuição a alguma facilidade propiciada pelo ex-presidente, trata-se, portanto, de uma propina. E se é propina, Lula é agente passivo de corrupção.
E por tais caminhos sinuosos, mediante tal exercício de lógica pedestre, condena à cadeia o ex-presidente, para puni-lo, evidentemente, mas para punir antes de tudo com a decretação de sua inelegibilidade. É disto que se trata. Não cabe, pois, discutir a gramática processualística, simples apoio formal de uma decisão eminentemente política, e, do ponto de vista político, um golpe preventivo em face das eleições de 2018, das quais previamente e precatadamente se elimina o candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto. É preciso abater esse candidato, pelo que ele simboliza. E assim, e só assim, as eleições poderão realizar-se, disputada a presidência entre Francisco e Chico.
Como temos insistido, às forças do atraso não bastava o impeachment de Dilma Rousseff, pois, o projeto em andamento é a implantação de um regime de exceção jurídica voltado para a desmontagem de um projeto de Estado social, mal enunciado. E um regime com tais características e com tais propósitos jamais alçaria voo dependendo do apoio popular. Daí o golpe. À sua execução se entregou o Congresso, sem ouvidos para as vozes das ruas, surdo em face dos interesses do País e de seu povo, desapartado da representação popular, a serviço do mercado, como tonitrua, sem pejo,  o atual presidente da Câmara.
A eliminação de Lula é, pois, a conditio sine qua non do novo sistema para manter o calendário eleitoral, pois as eleições, para serem realizadas, não poderão importar em risco. De uma forma ou de outra, trata-se de um golpe, afastando-se uma vez mais do povo o direito de escolher seus dirigentes.
A identificação de Lula como alvo da reação não é gratuita, nem fato isolado. Lula de há muito transcendeu os limites de eventual projeto pessoal, é mais do que um ex-presidente da República, e é muito mais que fundador e presidente do PT. Independentemente de sua vontade e da vontade de seus inimigos, é, para além  de sua popularidade, o mais destacado ícone da esquerda e das forças populares brasileiras. Lula é, hoje, e em que pesem suas contradições, um símbolo, um símbolo da capacidade de nosso povo fazer-se agente de sua História. É um símbolo das possibilidades de o ser humano vencer suas circunstâncias, romper com as contingências e fazer-se ator. Simboliza a potência do povão, do povo-massa, dos “de baixo”, dos filhos da Senzala como sujeitos históricos. Simboliza a possibilidade de o homem comum, um operário, romper com as amarras da sociedade de classes, racista e preconceituosa, e liderá-la num projeto de construção de uma sociedade em busca de menos desigualdade social. Por isso é amado e odiado.
Símbolos assim constituem instrumentos de importância capital nos confrontos políticos por sua capacidade de emocionar e mobilizar multidões. Símbolos deste tipo não surgem como frutos do acaso nem se multiplicam facilmente, nem se constroem da noite para o dia. Emergem em circunstâncias especiais, atendendo a demandas concretas da sociedade. São construídos ao longo de certo tempo de provação, de testes dolorosos, como ocorre com os heróis clássicos, percebidos pela comunidade como portadores de virtudes.
O símbolo Lula não é produto do acaso, nem consequência de um projeto individual. Trata-se do fruto histórico resultante do encontro do movimento sindical com as lutas populares, construindo a primeira liderança política brasileira que emergiu do proletariado, do chão de fábrica, para a Presidência da República. Um feito de dificílima repetição, neste país aferrado ao autoritarismo conservador.
É contra esse instrumento da luta política de massa que se arma a prepotência das classes dominantes brasileiras, filhas do escravismo, incuravelmente reacionárias, incuravelmente atrasadas, presas à ideologia da Casa Grande, desapartadas dos interesses do povo e da nação, descomprometidas com o futuro do país.
Ao abater Lula, pretende a direita brasileira dizer que o povo – no caso um ex-imigrante do Nordeste profundo, sobrevivente da fome, um ex-metalúrgico, um brasileiro homem-comum, um dos nossos –, não pode ter acesso ao Olimpo reservado aos donos do poder. É um “chega prá-lá”, um “conheça o seu lugar”, um “não se atreva”, um “veja com quem está falando”.
 A condenação de Lula tem o objetivo de barrar a emergência das massas, barrar os interesses da nação, barrar o avanço social, barrar o ideal de um Brasil desenvolvido e justo. Visa a barrar não o lulismo, mas todo o movimento popular brasileiro. Quer deter não apenas o PT, mas todas as organizações políticas do espectro popular (que não se enganem a esse respeito aqueles que sonham em crescer nos eventuais escombros do lulopetismo).
A defesa de Lula, a partir de agora, não é uma tarefa, apenas, de seu partido e dos seus seguidores. Ela representa, hoje, a defesa da democracia. É só a primeira batalha, pois muitas nos aguardam até 2018.
Roberto Amaral
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