quarta-feira, 24 de maio de 2017

Opiniões sobre o Livro Hollywood, uma história do Brasil.




Um mês apos ao lançamento do livro "Hollywood, uma história do Brasil", as criticas são altamente favoráveis, até pela surpresa com relação ao personagem central, Olympio Guilherme, que circula nos mais diferentes meios da história brasileira, além de ter sido um dos pioneiros do cinema em Hollywood, nos EUA.
O livro tem prefacio de José Luiz Del Roio, importante membro da resistência à ditadura militar brasileira e ex-senador por Milão. Del Roio também é escritor.
O posfacio foi assinado por Gilberto Sant`anna, outro ativista da esquerda brasileira e ex-prefeito da cidade de Atibaia.
A história do personagem central era, até então, desconhecida, mas necessária para o entendimento do Brasil de Hoje.

O Livro está a venda no site do Mercado Livre e na Amazon, em formato físico, ou digital.

Veja alguns comentários sobre o personagem e partes de prefacio e posfacio:

Caríssimo Antonio, finalizei a leitura de seu belo livro sobre Olympio Guilherme e fiquei bastante emocionado em vários momentos e muito curioso em outros. Num Brasil que vivemos atualmente seria muito Benvindo Olympio. Grato pela leitura que me proporcionou.
Marco Antonio Caparroz- Campinas 

As funções dos livros transitam (livremente) entre:
- O entreter: se assim não fosse, quem suportaria divagar por centenas de páginas;
O ilustrar: já que um livro instrui e esclarece fazendo o leitor melhor que antes do início da leitura. Mais, até prova em contrário, só se pode viver várias vidas através das letras vivas de um livro;
O pensar: aqui mora o mais importante, de sorte que é isto que nos diferencia neste planeta (no mais pouco diferimos dos outros seres terrestres). É o raciocinar que se constitui na maior de todas as tecnologias, de onde todas as outras derivam
Em suma: um livro há de ser interessante, útil e inteligente, sendo certo que este consegue juntar parcelas substantivas dos três quesitos (o que recomenda sua leitura).
No entanto, por amor à verdade há uma crítica à ser feita: a massiva pesquisa envolvida DEIXA UM GOSTO DE QUERO MAIS (mas mesmo isso, quem sabe, poderá ser resolvido com um segundo volume, desta feita com especial lustre na cidade do biografado.
                                                     
                                                                 Aldo La Salvia - Economista, ex-Banco Central

"Quando eu comecei a me conscientizar sobre filmes, eu me perguntava: como será que eles fazem isso? Como será que meu avô Olympio Guilherme conseguiu fazer este filme (Fome) em Hollywood?" Como conseguiu chegar até a meca do cinema vindo do Brasil? Meus experimentos iniciais com desenhos animados utilizando a câmera de minha família iniciaram o processo de responder a essas perguntas, um processo que continua até hoje.

Eu coloquei minhas descobertas na prática fazendo filmes com minha familia e meus amigos. Máquinas de fazer fumaça, efeitos de luz e pilhas de roupas velhas foram todas sugadas na linha de produção e foram os precursores de Moran Films.
Quando amadurecí um pouco mais, ví que meu avô esteve sempre guiando meus passos neste caminho para que eu tivesse a chance que ele não teve enquanto esteve em Holywood.
Minha ambição é me tornar diretor de filmes famosos e poder chegar um dia a ter uma premiada carreira no cinema e poder oferecer este Óscar a minha estrela guia, meu querido avô, Olympio Guilherme.
                                               Raphael Guilherme Moran - Neto de Olympio Guilherme- Londres


O personagem, por Luis Nassif
Olympio Guilherme -

Olympio Guilherme é um dos personagens mais interessantes e pouco conhecidos da história do Brasil.
Natural de Bragança Paulista, começou no jornalismo com Casper Líbero, em A Gazeta, em São Paulo. Muito bonito, foi a primeira grande paixão de Pagu, a musa dos modernistas.
Ouvi falar pela primeira vez dele através de Oswaldo Russomano, tio da minha primeira esposa. Tato, como era chamado, foi convidado pelo amigo Olympio Guilherme para administrar o Observatório Econômico, revista semanal de grande prestígio, de propriedade de Valentim Bouças, o brasileiro que trouxe a IBM para o Brasil, para imprimir os holleriths do setor público.
Há alguns anos, Antônio Sonsin, também bragantino, começou a levantar a vida de Olympio. Neste domingo à tarde, conversamos longamente sobre seu trabalho.
Sonsin interessou-se por Olympio a partir das conversas com Chico Ciência, historiador em Bragança Paulista. Em 1967, aos 17 anos, musiquei uma peça de Chico, que acabou vetada pela censura da época, resultando em uma passeata de protesto em Campinas e a apresentação da peça nas escadarias da PUC. Sonsin está de posse da peça e ficou de me mandar.
Em suas andanças, acabou descobrindo a única filha de Guilherme, atualmente morando em Londres, que herdou os arquivos do pai. Aliás, a família e os amigos só souberam de sua existência no seu velório quando e menina, de 14 anos, apareceu pranteando o pai.
Com vinte e poucos anos, Olympio foi para Hollywood, através de um concurso da Fox, para escolher uma mulher e um homem brasileiros, para lança-los em Holywood.
A mulher escolhida foi Lia Torá, uma beleza de mulher sobre a qual falaremos em outra oportunidade.
O concurso terminou sem um representante masculino. Incentivado por Pagu e pelos amigos, Olympio acabou se inscrevendo e foi escolhido.
Chegando em Hollywood, descobriu que caíra em uma peta. Na verdade, o concurso fora apenas para promover a Fox no Brasil. Mesmo assim, chegando em Hollywood, Olympio passou a se virar e produziu um filme em preto e branco sobre a fome – que campeava no país após a crise de 1929. O filme foi vetado porque interessava à indústria cinematográfica levantar o moral do país e consideraram o filme muito deprimente.
Quando morreu Rodolfo Valentino, o poeta Guilherme de Almeida invocou que ele seria o próximo Valentino. Não falava inglês, mas ainda estava na fase dos filmes mudos.
Enfim, Olympio Guilherme voltou para o país em fazer a América. Decidiu, então, estudar economia e acabou indo trabalhar com Valentim Bouças. Quando Valentim precisou voltar para os Estados Unidos, colocou-o para dirigir o Observador Econômico.
Na entrevista, Sonsin relata alguns feitos de Olympio Guilherme. Na revista, um de seus focas era Carlos Lacerda. Aliás, Tato me contava as broncas que Olympio costumava dar no foca.
Mas foi uma reportagem pedida a Carlos Lacerda – de descrever o Partido Comunista, ao qual ele era filiado – que resultou no seu rompimento com o PC e em seu mergulho na direita. No artigo, Lacerda desancava sem dó seu antigo partido.
Olympio também trabalhou no DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda de Getúlio), sendo o responsável pela área de rádio e música. Coube a ele combater os sambas que incensavam a malandragem.
Sonsin relata, em detalhes, o episódio em que Olympio leva um tiro na boca de Assis Chateaubriand. Ele corrige a versão de Fernando Moraes na biografia de Chatô e evita que eu cometa o mesmo erro na biografia de Walther Moreira Salles – que deve ter sido também a fonte de Fernando.
Enfim, na entrevista vocês terão um pouco do grande homem que foi Olympio Guilherme.

Luis Nassif  - Economista  - Blog GGN

Os labirintos de Olympio Guilherme

 O norueguês Henrik Ibsen, talvez o maior dramaturgo do século XIX, conseguia destrinchar de forma cruel as contradições de seus personagens. O que parecia não era, o jogo de enganos uma constante, ilusões e fracassos desenha a trilha obrigatória.  No final o que permanecia eram fantasmas.
Toda a vez que leio uma biografia de uma pessoa, para mim fica sempre um gosto amargo. Necessariamente apresentam-se suas dores, fraquezas, indecisões e erros.  Mesmo quando se trata de um nome sublime.  Afinal de contas é apenas um ser humano.
Quando li as páginas deste livro, foi inevitável refletir sobre o que pensava e sonhava a criança e o jovem Olympio. Afinal pisei seus mesmos caminhos em volta dos trilhos da Estrada de Ferro Bragantina, talvez os mesmos medos noturnos na luz mortiça de uma pequena cidade. E a interrogação, a esperança e o desconhecido do que a vida me concederia.  Claro que isso aconteceu 40 anos depois. Mas não acredito que esta distância temporal houvesse modificado substancialmente o quadro. Creio que nossos pensamentos eram parecidos.  O que é natural para quem viveu no mesmo quadro cultural.
A vida prega peças! E o Olympio levou uma destas rasteiras que realmente podemos chamar de magna, inacreditável.  Escolhido como o “homem mais bonito do mundo” jogado em Hollywood, a maior fábrica de mentiras jamais criada pela fértil mente humana.  Comeu o pão que o diabo amassou, mas a lição lhe serviu. Aprendeu muito de como funciona uma imprensa servil e enganosa.  O melhor de tudo foi o cachorro Pisilão, que acabou sendo a companhia dos desesperados jovens perdidos na Califórnia.
Mas deste período uma ausência ficou e pesada. O filme “Fome” que Olympio realizou, com ínfimos recursos sobre a grande crise que assolava os Estados Unidos jogando milhões no desemprego e na miséria. Desaparecido até hoje. Claro que não poderia ombrear com o “Tempos Modernos” de Charles Chaplin ou “As vinhas da Ira” de John Ford. Mas tinha uma vantagem sobre eles. Os vultos que ficaram marcados no celuloide eram de pessoas reais, sujas, marcadas pela necessidade e falta de esperança. E não podemos conhecê-las. É uma pena.
Voltando ao Brasil, sua carreira de jornalista continuou, com altos e baixos, mas seu nome se afirmou.  Começou a se apaixonar pela ideia de um “Projeto Nacional”. Basicamente queria dizer o seguinte: um país com a imensa extensão do Brasil, com tantas riquezas embutidas em suas terras, não podia continuar como uma semicolônia exportadora de produtos agrícolas e com uma população mergulhada na ignorância e penúria. Teria que se lançar na industrialização e na valorização do trabalho assalariado.
Era o plano de Getúlio Vargas e Olympio se aproximou dele. Mais uma vez o destino o imergia no labirinto. Foi convidado para trabalhar, como bom jornalista que era, no Departamento de Imprensa e Propaganda  do governo central. E aceitou.  O Estado Novo de Vargas era uma criatura como o deus Jano, com duas faces. Concessões significativas aos trabalhadores urbanos (mas nada aos rurais), um consistente plano de infraestrutura e industrialização. Mas por outro lado se alimentava de um feroz anticomunismo  (arma clássica da oligarquia escravocrata brasileira) e simpatia com o nazi-fascismo no plano internacional.  Prisioneiros políticos aos magotes e o que é pior, a tortura cruel e constante, liderada pelo monstruoso Filinto Müller.
Olympio não podia não saber das torturas, muitos de seus amigos haviam sofrido nas masmorras, inclusive a sua querida Pagu. Ser do Departamento de Propaganda não isentava a omissão por estes maltratos. O autor deste livro, justamente destaca que Olympio tenta amenizar e proteger pessoas de esquerda e inclusive abrir espaços para que eles publiquem suas ideias. Mas a mancha ficou em sua biografia, ou simplesmente em suas memórias.
Justiça seja feita, o seu ideal político de um projeto nacional ele sempre manteve, continuando ligado ao segundo governo Vargas e depois ao trabalhismo de forma geral.  O golpe militar de 1964 o jogou no ostracismo e teve que apelar para sobreviver como jornalista economista driblando a censura que se implantou.  Morreu isolado, no momento do auge da ditadura militar. No que pensaria nos derradeiros momentos? Nos seus sonhos infantis na pequena Bragança, nas suas glorias ilusórias na Meca o cinema ou de como é difícil modificar as estruturas de um país que teve 350 anos de escravidão.
Como já havia escrito, as biografias me deixam um gosto amargo na boca.
Mas creio que a vida de Olympio, merece ser conhecida e discutida. É uma parte da história politica, jornalística e cultural do nosso país.
Tenho que acrescentar que esta obra é muito valorizada pela interessante e às vezes até comovente galeria de imagens que consegue muito bem representar uma época e uma vida.
José Luis Del Roio - Itália 

Posfacio

Antonio Sonsin retornou ao prelo depois das provocações postas nos livros “República Socialista do Paraguay”, “As rainhas da noite”, “Minhas vidas virtuais” e em outros títulos longe da zona de conforto.   Editou a Revista Verdade que se constituiu num corajoso chamamento à luta pela libertação plena do ser humano.
Para quem navega nas águas turvas e pedregosas de um país de desigualdades escravas, impossível passar despercebida a saga de Olympio Guilherme.   A vida do Rodolfo Valentino de Bragança Paulista daria um romance.   E deu, na obra e arte de Sonsin.
A narrativa parte da totalidade social para alcançar o particular.  O autor optou por uma contextualização histórico-política bem suave, com ênfase no personagem central, devido aos cuidados biográficos dos escritos.  Nem por isso o transformou num herói açucarado  ou  num  amante perfeito,   à moda e crença  de Hollywood.   Imprimiu coerentemente uma linguagem realista e cativante.  A forma e o conteúdo formam uma unidade perfeita. Influência de Gramsci?    
 O leitor delicia-se com as vivências incríveis do protagonista, de fazer inveja ao mais crédulo dos aventureiros, mas também, com certeza, se sente estarrecido com a senzala dos atores construída no derredor das empresas cinematográficas.  Descobre a alienação projetada sorrateiramente nas telas dos cinemas, como também se condói com as cruéis dificuldades suportadas pelos imigrantes em terras estadunidenses. O American way of life existe apenas para quem encontra o pote de ouro homiziado aos pés do arco-íris.  
O autor revela nas entrelinhas da História do Brasil o processo viciado das transformações sociopolíticas ocorridas no desenrolar  das primeiras décadas dos novecentos.
A luta entre as megacorporações internacionais pela hegemonia dos lucros, com o apoio de políticos corruptos, não acaba nunca. Daí se dizer que a história se repete; que tudo é sempre igual, que apenas mudam as moscas.
O impacto das trágicas notícias reveladas por Sonsin, até então reféns dos arquivos da mídia dominante, bagunça as mentes, até as mais traquejadas, como de costume.
Marcou a vida de Olympio Guilherme (1902-1973) o dissenso ideológico entre o capitalismo e o comunismo.  
Esclareça-se.   A partir de 1970, uma contrarrevolução burguesa edifica as bases do neoliberalismo.  A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS, paradigma do proletariado, nascida na Revolução Russa de 1917, sucumbe em 1991.
Esse novo mundo pós-moderno, obviamente, não inclui o personagem central, nem as preocupações do autor.   Destaco apenas para não se cair na tentação de analisar os fatos com as lentes globalizantes do final do século 20 e início do 21.  Observe-se que o Partido dos Trabalhadores – PT não se filia à ideologia da luta de classes. Petismo e comunismo possuem estratégias e táticas absolutamente distintas. Não se confundem. O designativo “de esquerda” é, pois amplo e vago.         
Pois bem, enquanto repórter em início de carreira, na capital paulista, Olympio conviveu com os  fundadores do Partido Comunista Brasileiro – PCB,  namorou com Patrícia Rehder Galvão – a Pagu,  primeira prisioneira política do país, e ainda  participou dos desdobramentos da Semana de Arte Moderna  de 1922.   Não foi seduzido ideologicamente.  Manteve-se fiel à sólida formação conservadora, sedimentada desde a escola de primeiras letras.
Depois, como vimos, o destino o desembarcou em Hollywood, na segunda metade da década de 20 dos mil e novecentos. Nessa época a miséria já campeava entre os pobres da América. A vitória do comunismo de Marx e Lênin na Rússia de 1917, empolgou a classe trabalhadora de todo mundo. Uni-vos!
O clamor revolucionário estremeceu as artes.  Nos EUA, John Reed publica “Dez dias que abalaram o mundo”; John Steinbeck escreve “Vinhas da Ira” e Michael Gold revela a amarga existência dos “Judeus sem dinheiro”.  O cinema recepciona o humanismo crítico de Chaplin e de Brecht.  A guerra 1914-1918 só piorou o cenário da grande depressão.     
Vítima de um estelionato publicitário da FOX, Olympio viu-se na rua da amargura. Sobreviveu a duras penas. Sentiu na pele o drama do estômago vazio.   Produziu e dirigiu um filme independente. Nada mais natural que retratasse a face mais cruel da FOME, exposta sem pudor nas esquinas e calçadas de Hollywood.  Uma advertência explícita à cegueira dos governantes.   O povo bradava por reformas sociais urgentes. Era preciso conter os ânimos desvairados sedentos de justiça.
A ruptura com o modelo alienante da fábrica de sonhos, construído em estúdios e cenários, custou-lhe inédita censura decretada pelo Congresso ianque.  Proibiram a exibição do filme. Burrice da grossa. O comunismo era inteligente e verdadeiro. Só a sagacidade e preparo poderiam barrar a revolução Bolchevique.  A violência, ao contrário, alimentava e fortalecia a luta operária.
De volta ao Brasil, trouxe na bagagem os conceitos de embate ideológico que defendeu nos EUA.  Ao exercer altos cargos durante  a vigência  do Estado Novo, regime  ditatorial  instalado por  Vargas em 1937, Olympio põe em prática suas ideias.  Nos bastidores do governo opunha-se ao barbarismo de   Filinto Strubing  Müller,  então chefe da  polícia política, acusado de torturar e assassinar presos políticos.  Prendeu Luís Carlos Prestes e deportou a judia alemã Olga Benário, grávida, entregando-a aos  apetites nazistas.
Getúlio apoiou a ambos.  Duas correntes distintas se formaram no governo.  Olympio elimina o ranço do Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP - e contrata os mais qualificados jornalistas e literatos  do país,  independentemente das convicções ideológicas. Um vezo democrático nas entranhas do autoritarismo.  Tarefa das mais difíceis, que exigia traquejo e muita habilidade no trato dos desiguais, qualidades esbanjadas por Getúlio, o grande mestre da luta pelo poder.  Com o advento da redemocratização do país, após do término da Segunda Grande Guerra em 1945, a repressão aos pecebistas deixou de ser explícita.
Então, um golpe civil-midiático-militar acontece no Brasil em 1964, com os canhões apontados mais uma vez contra os comunistas e assemelhados, ditos subversivos. Olympio Guilherme critica novamente o uso da violência policial. Aponta os erros da política econômica conduzida por Delfim Neto, pai da dívida pública regada a juros astronômicos.
Em Hollywood: Uma História do Brasil, Sonsin narra as peripécias existenciais de um bragantino avesso à revolução do proletariado, inteligente e culto, que tentou mostrar aos coronéis da classe hegemônica a desnecessidade do uso da violência para garantir a perenidade do poder.
Nessa linha, o golpe parlamentar-midiático-judicial de 2016, sem a participação direta dos militares, com pretenso apoio em dispositivo da Constituição Cidadã de 1988, pretendeu, através do Impeachment da presidente Dilma Rousseff, dar foro de legalidade ao açambarcamento abrupto e ilegítimo do poder. 
As teses de Olympio Guilherme afinal foram reconhecidas? Acredito que não. 
A prática neoliberal (globalização, financeirização ou mundialização) é incompatível com os princípios da democracia liberal. Bem por isso as aparências e simulações golpistas, em curso  no Brasil,  vestem  pele de cordeiro. Os principais cargos dos poderes da República são preenchidos a dedo.  Os protestos nas ruas, avenidas e sacadas, são manipulados pela telinha da televisão engajada com a nova ordem mundial.  O capital financeiro banca os custos da pressão popular.  Mantêm-se exércitos imbatíveis para a alegria dos lucros da indústria bélica.  A barbárie tomou conta do planeta. Para cada foco de resistência uma ameaça diferente.
 Mas, apesar da escuridão no túnel de travessia, continuo acreditando na força da transformação qualitativa da vida em sociedade.

Gilberto Santànna - Atibaia - Brasil 


Sobre Olympio Guilherme por Jason Borge - USA 
A verdade é que, alguns anos após o nascimento do cinema e conversão Hollywood emblema do cinema e da cultura popular em geral, a América Latina também produz muitos escritores preocupados com o filme, especialmente pelo cinema popular americana, alguns dos eles escondendo sob pseudónimos para evitar aparecimento ou rua (à crítica do antigo regime) ou vendido (antes da crítica de vanguarda mais radical). Alguns dos mais ambiciosos e desenvolveu este testes de compilação, como os escritos de Mariátegui, Francisco Ichaso e Olympio Guilherme esquemas teóricos oferta de cinema, na minha opinião, merece ser colocado ao lado dos escritos consagrados no primeiro semestre de do século XX, como Rudolph Arnheim, Vachel Lindsay, Sergei Eisenstein, Bela Belazs e Andre Bazin.