terça-feira, 14 de julho de 2020

Para que serve o exército?

Exército foge 3 vezes da mesma pergunta: polícia sabia de militar ...

Embora o Brasil tenha se livrado da monarquia por um golpe militar, o povo nunca se livrou da monarquia do exército, esse mais ignorante que a família real e mais ávido por dinheiro, sem qualquer serviço prestado em nome do povo, se estabeleceu no golpe e desde então sua luta se dá contra o povo, sendo que seu patrono comandou no Maranhão a matança de populares por ordem de grandes fazendeiros e posteriormente se firmou num guerra para a destruição do Paraguai sob as ordens dos Rothschild, gerando a segunda grande dívida nacional. A primeira foi na falsa independência, que não mais era que o pagamento das dívidas reais, da casa portuguesa, com os mesmos banqueiros
Na ditadura militar passou anos matando, perseguindo e entregando riquezas do país, aos donos do golpe. Golpe onde o povo ignorante seguiu um berrante e se encaminhou ao matadouro. Kruel foi denunciado pelos próprios militares, levou três malas de dólares. As Forças Armadas até hoje se calam sobre o episódio.
Não prosperou sua política para um sistema republicano e federativo. Em 1945 concluíram a entrega do Brasil aos EUA, entrega iniciada em 1929 e pausada enquanto Getúlio fazia o jogo dos quarteis.
Temos um exército sem estudos filosóficos, antropológicos, sociológicos, da própria história do país e do povo ao qual serve e, só serve para lutar contra o próprio povo, como sempre foi, estando na época da Cabanada no Pará, da Balaiada no Maranhão, da Sabinada na Bahia, da Farroupilha no Rio Grande do Sul. No contestado ou na Guerra do Paraguai, sempre estiveram ao lado dos banqueiros internacionais, produtores rurais, latifundiários, invasores ianques, ou ideologias fascistas. Tiveram seu início traindo o império e seguiram traindo o povo.
Há mais o que lembrar: Esquadrão da Morte, de associação do exército a polícia civil e milícias, onde usavam criminosos para roubar bancos e depois queimavam o arquivo? O surgimento das facções criminosas em 1970, com a "falange", sob olhos dos militares. A venda de fuzis ,a partir de 1070, para traficantes lutarem contra bicheiros, que não lhes davam lucros. A criação da primeira rota de trafico, sob orientação do delegado Fleury, chamada de Rota Caipira do Pó. A tentativa de explodir o Rio-Centro, com uma lambança tremenda.
Quando as Forças Armadas cuidaram da SOBERANIA? Será que foi quando permitiram que Moro prendesse o Almirante Oto, único militar comprometido com a soberania?
Ou foi quando entregaram a base de Alcântara?
Quando permitem o genocídio de índios?
Quando permitem madeireiro desmatar e roubar a madeira?
Para que serve esse exército caro e inútil?

domingo, 14 de junho de 2020

Derrubar estátuas ou falar a verdade sobre elas?


Em 2006 foi derrubada a estatua em homenagem aos índios Goitacases em Campos, no Rio de Janeiro. Ninguém falou nada. Esses índios eram os donos do território,  uma nação anfíbia, de guerreiros, que andavam totalmente nus, eram mais altos que os das etnias tupis e guaranis e tinham a carne humana como principal fonte proteica em seu cardápio. Como a maioria, não eram monogâmicos. Foram aniquilados por bons cristãos de uma só vez, quando os homens de boas família e tementes a deus, resolveram tomar suas terras e deixaram para eles vários presentes, em pontos estratégicos, contaminados com varíola.

Na minha cidade, Bragança Paulista, um monumento em homenagem aos italianos, foi derrubado sem nenhuma interferência e por máquinas da prefeitura municipal. Outro, na praça central, que fazia alusão ao início da cidade e marcava o ponto zero, foi mutilada pela igreja católica,  que resolveu transforma-la em um pedestal de imagem de péssimo gosto, um de seus santos. Nenhum movimento. Nem mesmo a "lei" se pronunciou, talvez o MP local, sequer saiba de suas existências. 

Hoje vemos uma gritaria a respeito de um movimento, que deseja retirar do espaço público, os monumentos dedicados a bandidos. Mas não começaram pelo Padre Manoel de Nóbrega, assassino de centenas de Tupinambas no sul da Bahia, nem pelo Duque de Caxias, assassino do povo Maranhense, a pedido dos coronéis latifundiários da época. 

A estatua ridícula tem uma viatura vigiando-a por 24 horas, coisa que pobres não tem.

A bronca maior é o assassino Borba Gato. Não seria melhor, no pedestal, uma placa falando sobre seus assassinatos em massa? Contar a história verdadeira, não é a melhor forma de se formar um cidadão?
A outra é a famosa "deixa que eu empurro", no Ibirapuera, obra de arte de Victor Brecheret, que a fez sob encomenda, sem saber a história real.  

Parque do Ibirapuera em SP: Dicas incríveis do que fazer
Homenagem aos Bandeirantes, um nome que sequer existia e só foi criado no século XX, esses assassinos eram chamados de Paulistas, também escravizavam e vendiam índios,
 alem de saquearem aldeias. 

sábado, 13 de junho de 2020

Política em Bragança. A volta da mentira.

Política feijão com arroz, da terra da linguiça
Política em Bragança.

2020, se nada mudar teremos eleições.

Mais uma vez o que se apresenta é o mesmo do mesmo. De um lado Jesus, do outro José.
Jesus, atual comandante do exército Chedid sai na frente. Não pela qualidade de sua administração, mas pela capacidade de aglutinação dos servos. São obedientes e não discutem com o chefe. Aliados a isso temos uma máquina administrativa oficial e um poder de comunicação, que tem a FM como principal cabo eleitoral.
Os chedids venceram em 1968, 1992, 2000, 2004 (cassado) e 2016.
Do outro lado temos José de Lima, cansou de ser prefeito e passou a nomear seus representantes. José de Lima se elegeu em 1972, 1982, 1996, elegeu seu sucessor em 1976, em 1988 e em 2012.

Vejam que não há vácuos nessa história. É a história de Bragança e seus eleitores que acreditaram numa polarização onde o povo era levado a acreditar, que os grupos eram inimigos. Nunca foram e eu explico mais abaixo.

Se hoje José de Lima, no alto de seus anos, hoje contados em décadas, não tem coragem para ir a disputa, afinal grande parte de seus eleitores estão mortos -ele até poderia entrar no livro dos recordes de participação de velórios – é necessário que tenha alguém barato, maleável, ou amigo, na prefeitura. Sua indústria e negócios imobiliários, principalmente, necessitam de apoio amigável.

Em 2004 iniciou-se o processo de cassação. Eu como presidente do PSB era o coordenador da coligação e único responsável pelo processo. Só eu poderia retirar essa ação. Passada a eleição, com uma derrota inesperada, diferente da derrota de 2000, quando a eleição parecia ter sido “entregada”, Lima foi o principal guerreiro para que a ação fosse retirada e se deixasse Jesus no poder. Lima ligava, marcava reuniões e chegou a reunir 8 partidos em um sábado de outubro de 2004, para tentar me convencer, ou agradar, ou achar uma solução jurídica para que eu retirasse a ação. José queria Jesus. De qualquer forma. E eu fui o único a segurar a bomba, que culminou no afastamento de Jesus em 7 de outubro de 2005. Nessa fase o prefeito elemento que iria assumir, prometeu transparência e dignidade. Prometeu cumprir os acordos com membros da coligação e nem ao próprio presidente de seu partido, na época Aguirre, ele respeitou. 

Numa das entrevistas que dei para a Tv Altiora, a jornalista Lucy, me perguntou se eu achava que fora nomeado Secretário de Cultura por competência e, se surpreendeu com minha resposta. Eu disse-lhe que se fosse por competência teria sido secretário em todos os governos, pois eu era o único que entendia a função da secretaria, mas nesse caso teria sido por medo do prefeito, em que eu retirasse a ação e que assim que a mesma fosse julgada, eu e todos os que queriam mudanças, teríamos que sair, pois o prefeito João Solis, no dia seguinte entregaria a administração para os mesmos de sempre. Acertei. Na mesma semana que saí, saíram todos os que representavam uma política de mudança. E a escolha foi nossa, minha e dos outros que saíram, todos pediram a exoneração como pode ser provado no RH da prefeitura. Todos que poderiam ganhar o salário de secretários e se quisessem ficavam em casa.

Isso reflete um pouco da ligação e interdependência entre Jesus, José e Maria. Querem mais? -Quando escrevi o livro sobre o José de Lima, na revisão ele mandou tirar qualquer referência ofensiva, ainda que verdadeira aos Chedids. Eu só vi isso quando o livro estava pronto. Nessa época fiz muitas gravações, algumas curiosas, que não chegaram a serem usadas, por eu considerar particulares demais. Uma deles feita com a ex-primeira dama.

Mas continuemos...
O que tivemos desde 1968 de oposição aos dois grupos. Nardy, Villaça, Paulo Miguel e Sartori. Com exceção de Paulo Miguel, que faleceu precocemente, os três restantes foram caluniados, rechaçados, ridicularizados pelos dois grupos, que sempre dividiram informações. Poderia ter entrado nesse grupo, o vereador Marcus Valle, que preferiu uma opção cômoda se se tornou vereador ad-eternun. Ele era o nosso candidato em 1982, foi em outros momentos e seria ainda hoje, só dependeria de seu desapego.

O membros do grupo Chedid, eram os mesmo do grupo Lima, Galileu, Amaury, como destaque atual. Ou os membros do grupo João Solis, que passou a ser comandado por Lima, como Sergio Pereira (radares, sinalização), e outros dos dois grupos que estiveram com Nicola, ou Fernão Dias e hoje são Lima, ou Chedid.
Até aqui não há dúvidas, são dados visíveis, os quais, qualquer mentalidade mediana pode conferir.  

E a oposição.
Excetuando-se o grupo hoje ligado ao PSOL, cuja retórica séria, porem intelectual, afasta-os do povo, a grande parte é negociação.
Vamos tirar desse bloco, por enquanto, o PV e o PSB. Voltarei aos dois.
Partidos dito esquerda, que ainda lutam, o fazem por motivos pessoais. Nunca por motivos da coletividade. Ou será que o Miguel Lopes, levado por pangarés da política, a conversar com o presidente do partido do Brizola, virou esquerda? -Alguém acredita? Ou o PDT local, se unindo com o PTB do Zé de Lima e Campos Machado, para apoiar João Solis, o mentiroso, que era rechaçado pelo próprio Lima, que não queria que ele assumisse, que pretendia deixar o Jesus na cadeira, seriam uma solução séria? E isso ainda com apoio do Almeida, o ex-prefeito de Guarulhos, que foi candidato a deputado federal, com uma votação vergonhosa em sua terra, pela péssima administração que fez. 
Eu trabalhei na prefeitura, os últimos recursos que consegui, foram de 2,8 milhões para a revitalização do entorno do Tanque do Moinho, que daria mais dignidade aos moradores da região, valorizando suas residencias e trazendo segurança. Não vi o uso dessa verba, muito divulgada pelo Bragança Jornal e Gazeta Bragantina, na época.  
O PCdoB é outro que não devemos sequer citar. Na última eleição se uniu ao DEM. Isso é como a união de Lima com Chedid, ou do PDT do Brizola, com o PTB do Campos Machado. PDT, que veio para as mãos da atual executiva, porque Lupi não queria que seu partido continuasse como legenda de aluguel e acreditou na ideia de um partido independente a ser criado aqui. Ideia, que diga-se de passagem, eu assinei e me comprometi a cumprir, embora não conhecesse a índole dos “companheiros”.

E o que resta? Partidos compostos por ex-partidários de Jesus, ou de Lima. Confiram a sobra.

Vamos ao PV e PSB, o PV tem como principal objetivo a reeleição de seus dois vereadores. Ainda que na oposição e sem fazer diferença no quórum final, devem trilhar o caminho mais simples. O PSB, tem um candidato a prefeito, Sartori, que por sinal foi o único bragantino escolhido nos últimos anos, para ser secretário de estado e, uma chapa de vereadores regular, que sente o peso da luta contra os velhos costumes e não consegue acordos. Poderiam se unir e tentar conquistar apoios extras, o que não é fácil, tem custos e requer muitas negociações.
Como vemos, caros eleitores, a política local não é para amadores, está nas mãos de profissionais e o povo mais uma vez tende a votar nos mesmos. Muitos irão concordar com esse relato, mas a concordância ou não, de cada um, não muda nada, como nossa cidade não vai mudar. Seria necessário que cada um saísse agora e fosse a luta, por uma política melhor, mais séria, humana e desenvolvimentista. Ou então ficaremos como estamos.
Ao fazer essa análise simples, me afasto de todos os grupos, mas isso também faz parte da normalidade, nunca votei nos vencedores e nem em quem eles mandaram. E na cidade de Bragança, só votei em dois vereadores que foram eleitos alguma vez, o Valle em 1988 e 92 e o Sartori em 2004. Ou seja, em 42 anos, nunca elegi um prefeito, e foram apenas dois vereadores, que acertei. Mas nunca errei os resultados das eleições locais e me sinto com a missão cumprida por ter votado sempre no melhor, nunca no vencedor. Os resultados estão ai. Analisem o que a cidade perdeu nesses anos. Os empreendimentos imobiliários de poucos e para poucos. O comercio cada vez mais pobre e as industrias de poucos funcionários e poucos impostos.
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Sugiro a todos que analisem as fotos


Nem sempre as disputas são entre candidatos sérios.
 Sempre tem um que destoa.. O Brasil é cheio de Tiriricas.
De mentirosos e covardes, por isso não devemos errar. 1 erro pode gerar muitos
problemas para a população. Eleição não é brincadeira. 


A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas a sorrir, pessoas em pé e interiores 
É terrível ver o PDT, partido de Brizola, hoje dirigido por Lupi, grande pessoa, com  diretórios ligados
ao Campos Machado. Com nomes que deveriam trabalhar para a sigla,
na lista oficial de pagamentos do PT. O que pode ser provado com uma simples verificação e o que
é pior, membros da maquina pública, inclusos nas listas. 


Eleições de 2004

Chedids, Limas e partidos do abraço, sempre se unem 


O prefeito que iria chutar os radares, de repente contrata alguém
para encher a cidade de radares. Hoje no PTB, Solis terá o apoio de
partidos "ditos" esquerda. Uma desmoralização para as siglas.


Todos prontos para suja a cidade


Eles se unem, ou se dividem de acordo com as necessidades.
A meta é falar em mudança, para deixar tudo como está.

Infelizmente uma ação judicial, não retirada, como queriam 7, dos 8 partidos da
coligação, colocou na prefeitura esse indivíduo, que hoje quer voltar.

Foram vários contratos e distratos estranhos.
Em breve uma lista...

Um imagem vale mil palavras.



Lima elegeu com seu grupo, quatro prefeitos,
assumiu por 3 vezes e deixou a prefeitura com os Chedids
em outras 4 oportunidades. 

Uma gravação telefônica feita na sede do PCdoB, ainda em 2007
mostra quem é quem na política local. Quem mente, quem se acovarda...

Uma expressão é importante.Esse individuo fala que andou ajudando muita gente,
mas esquece de falar que foi colocado lá, por força de uma ação, que se retirada
ele não teria nunca chegado lá. Ele ajudou, ou foi ajudado? Ganhou uma prefeitura de
presente, de quem? Quem segurou a ação? 

Quem foi o mentor intelectual dessa administração trágica?


Durante a fase de processos, ainda em 2004, Solis prometia uma administração honesta e
transparente. Prometia cumprir seu mandato com dignidade e sem traição. 
Seria mais útil para o cidadão, que a ação fosse retirada, como exigia José de Lima. 




Vai você e eu? Essa seria uma boa legenda, afinal tratam-se
de dois políticos conhecidos e amigos.

Afinal, o Kassab é de quem? O de todos? 


Senador por Milão, Itália e Gustavo Sartori.
Lima com Rodrigues, Nossa Senhora de Fátima, que aportou em Bragança após negociação
com o empresário Belarmino
Lima criticando Hafiz Chedid, pelas tubulações de papelão, como ele dizia
e abaixo abraçando Hafiz, pelo apoio em 1982 

sábado, 30 de maio de 2020

Sobre o covid: fique em casa

“À medida que o planeta se aquece (...) os animais deslocam-se para os polos fugindo do calor. Animais estão entrando em contato com animais com os quais eles normalmente não interagiriam, e isso cria uma oportunidade para patógenos encontrar outros hospedeiros. Muitas das causas primárias das mudanças climáticas também aumentam o risco de pandemias. O desmatamento, causado em geral pela agropecuária é a causa maior da perda de habitat no mundo todo. E essa perda força os animais a migrarem e potencialmente a entrar em contato com outros animais ou pessoas e compartilhar seus germes. Grandes fazendas de gado também servem como uma fonte para a passagem de infecções de animais para pessoas”.

 covid-19 - Prefeitura Municipal de Caxambu
Matemática.

100 mil mortos no EUA
25 mil mortos no Brasil
Mortes confirmadas no mundo – 350 mil pessoas

Esses dados são matemáticos. Soma simples.  Não há discussão a respeito dele. Existe sim um aumento considerável de mortes, não atribuída ao Covid 19, por falta de testes e nesse caso, o número de mortos pode ser 700 mil, ou mais.
Como entender esse número de mortos e transportá-los para a nossa realidade regional?
Bragança Paulista é sede de uma região com 16 municípios, sendo que Bragança, Atibaia e Amparo devem ter 350 mil habitantes. As outras 13 cidades juntos somariam mais 350 mil habitantes.
Numa bela manhã de outono, você a corda e percebe que todos em sua casa estão mortos. Você não se conforma e vai para a rua, onde todos estão mortos. O carro da polícia militar tem quatro mortos. O dono do boteco da esquina está morto no balcão após servir o último trago para o bebum amigo, morto na mesa. Na escola as crianças mortas no jardim, no hospital todos estão mortos e cachorros vagam entre os corredores. Você enlouquece e sai para o campo, onde apenas urubus passeiam entre os girassóis.
É um cenário terrível?
Você considera essa uma história de péssimo gosto?
Mas são 700 mil mortos, eu apenas mudei sua localização.
Pense bem, enquanto os mortos são da outra casa, da outra cidade, do outro país eles não te interessavam, mas quando os colocamos dentro da sua realidade, tudo faz sentido, ou melhor, nada faz sentido e é horrível.
Vamos pensar linearmente:
Uma pessoa de mãos dadas com a outra, de braços abertos, formanda uma grande ciranda. O rico, de mãos dadas com o menino pobre, que segura as mãos de uma negra de mãos dadas com um oriental, segurando um mendigo, que tem a seu lado um padre apertando as mãos do ateu, com um gay, que segura o pastor, que segura o pai de santo, de mãos dadas a uma criança loira, de olhos azuis, com cara de pavor segurando um político, ao lado do operário, com nojo do empresário que, se segura no banqueiro apertando a mão de uma enfermeira. E assim vai. São 700 mil nessa ciranda. Serão 666 pessoas a cada quilometro. 6666 pessoas a cada 10 quilômetros. 66666 a cada 100 quilômetros. 666.666 pessoas mortas. Ainda faltam 34 mil pessoas nessa corrente, que começa em Bragança, passa por Pouso Alegre, Contagem, Belo Horizonte, João Monlevale, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Nanuque, Teixeira de Freitas, até Porto Seguro.
Uma corrente de mortos e se você passar ao lado deles, vai reconhecer amigos, filhos, mães, pais, maridos, avós, inimigos, de alguém.
O que eu disse até aqui é matemática desenhada. Simples e puta matemática em 3D.

Ciência, quarentena e flexibilização

A doença do coronavírus (COVID-19) é uma doença infecciosa causada por um coronavírus recém-descoberto.
A maioria das pessoas que adoece em decorrência da COVID-19 apresentará sintomas leves a moderados e se recuperará sem tratamento especial.

COMO ELA SE ESPALHA

O vírus que causa a COVID-19 é transmitido principalmente por meio de gotículas geradas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou exala. Essas gotículas são muito pesadas para permanecerem no ar e são rapidamente depositadas em pisos ou superfícies.
Você pode ser infectado ao inalar o vírus se estiver próximo de alguém que tenha COVID-19 ou ao tocar em uma superfície contaminada e, em seguida, passar as mãos nos olhos, no nariz ou na boca.
Porém tudo está em estudos. Poder ser muito mais do que isso.
Qual é a receita?
-Ficar em casa.
Se eu ficar em casa não vou pegar?
-Vai ser infectado sim, mas pode ser assintomático, pode ser passageiro, você também pode precisar de UTI e é ai que a coisa pega.
Estamos num país dos planos de saúde, que cobram caro e não resolvem nada em crise, e é simples, todo investimento deve gerar lucros. A saúde é como igreja, sua função principal está escondida atrás de sua função real, o lucro.
Assim, o que tenta-se impedir é que todos precisem dos hospitais no mesmo tempo. Numa cidade como Bragança, a cada trinta que precisarem ser internados, 4 vão morrer.
Será que você entende? Precisa desenhar?
Ah, mas você precisa comer...
Claro e ai entra a função do estado. Seu país, seu estado, sua prefeitura devem prover o seu sustento. Se você votou errado, só resta deixar pago o seu caixão.
Antes da eleição a gente via muitos profissionais criticando o Bolsa Família, hoje os mesmos devem entender a necessidade de um estado, seja de econômica capitalista, ou socialista, cumprindo seu dever.
O papel das prefeituras é cuidar para que seu povo viva. Fiscalizar em fechar empresas onde o patrão coloca seu funcionário na linha de frente, sem necessidade.
Onde está escrito que acadêmica, salão de beleza e igreja são necessários a sobrevivência humana?
Existem sim profissionais que nessa fase são obrigados a trabalhar para garantir a possibilidade de vida a outros, como lixeiros, médicos, carteiros, enfermeiras, caixas de supermercado, estoquistas, frentistas, mas não vão muito além e mais, deveriam ser os prefeitos, os primeiros a reivindicarem aumentos a essa gente, principalmente se ganham menos de 6 mil reais, que deveria ser o mínimo, por questão de sobrevivência e dignidade.
Não se pode flexibilizar. PONTO
Nós não temos estrutura para suportar 200 infectados com gravidade, em nosso município. A cada 100 mil habitantes, se tivermos 200 infectados graves, teremos 150 mortes por dia.
Parem de hipocrisia e deixem a ignorância de lado.

Mercado e função do estado

Qual é a função do estado em crises em pandemias?
Por enquanto só estou falando do estado capitalista, não falei em Cuba, onde ninguém está passando fome.
Na crise de 29, o que fez o estado capitalista dos EUA?
Na crise de saúde o que vem fazendo em termos de ajuda a todos. Digo todos.
Quem está sendo ajudado no Brasil, todos, ou a minoria a beira do suicídio social?

Quando a ignorância se une a hipocrisia ela ultrapassa todos os limites. Quando um político burguês vomita suas tendências ao obscurantismo, sem qualquer pudor, como temos visto em nosso país, a vida do povo fica à deriva.
 Quando a ciência se vê subjugada aos apelos populescos de uma política medíocre e eleiçoeira e ai não importa a vida, pois vislumbra-se apenas o voto.
Quando vereadores, ou congêneres, totalmente ignorantes começam a vociferar em defesa de abertura, sem nenhum conceito técnico, sem estudos específicos e do alto de sua ignorância, o povo corre riscos.
Uma pandemia não é um assunto político e muito menos para políticos ignorantes,
que se utilizam de redes sociais para aparecer e determinar destinos, de acordo com as ordens de seus financiadores.
Quando um vereador, ou qualquer outro político, do baixo clero, não sabe a função do estado, não sabe que o estado, em todo o mundo tem linhas de ajuda, indiscriminadamente para sua população e, mil por cento acima da esmola bolsonareana, ele deve se calar, mesmo sendo de partidos de aluguel, que apoiam a loucura de um ministério da saúde com 19 militares em postos chaves.


Natureza & Ciência

Transcrevo aqui, partes de um artigo de Luiz Marques publicado pela Unicamp, cujos trechos escolhidos, acredito ser de grande importância
Desde que tenha oportunidade, o coronavírus está pronto para mudar de hospedeiro e nós criamos essa oportunidade através de nosso uso não natural de animais – a pecuária (livestock). Essa expõe os animais de criação à vida silvestre, mantém esses animais em grandes grupos que podem amplificar o vírus, e os humanos têm intenso contato com eles – por exemplo, através do consumo de carne –, de modo que tais animais certamente representam uma possível trajetória de emergência para o coronavírus. Camelos são animais de criação no Oriente Médio e são os hospedeiros do vírus MERS, assim como do coronavírus 229E – que é uma causa da gripe comum em humanos –, já o gado bovino foi o hospedeiro original do coronavírus OC43, outra causa de gripe”.
Sabemos que a maioria das pandemias emergentes são zoonoses, isto é, doenças infecciosas causadas por bactérias, vírus, parasitas ou príons, que saltaram de hospedeiros não humanos, usualmente vertebrados, para os humanos. Como afirma Ana Lúcia Tourinho, pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o desmatamento é uma causa central e uma bomba-relógio em termos de zoonoses: "quando um vírus que não fez parte da nossa história evolutiva sai do seu hospedeiro natural e entra no nosso corpo, é o caos” (Pontes 2020). Esse risco, repita-se, é crescente. Basta ter em mente que “mamíferos domesticados hospedam 50% dos vírus zoonóticos, mas representam apenas 12 espécies” (Johnson et al. 2020). Esse grupo inclui porcos, vacas e carneiros. Em resumo, o aquecimento global, o desmatamento, a destruição dos habitats selvagens, a domesticação e a criação de aves e mamíferos em escala industrial destroem o equilíbrio evolutivo entre as espécies, facilitando as condições para saltos desses vírus de uma espécie a outra, inclusive a nossa.
A cobertura vegetal dos trópicos tem sido destruída para sustentar essa dieta crescentemente carnívora, não apenas na China, mas em vários países do mundo e particularmente entre nós. No Brasil, a remoção de mais de 1,8 milhão de km2 da cobertura vegetal da Amazônia e do Cerrado nos últimos cinquenta anos, para converter suas magníficas paisagens naturais em zonas fornecedoras de carne e ração animal, em escala nacional e global, representa o mais fulminante ecocídio jamais perpetrado pela espécie humana. Nunca, de fato, em nenhuma latitude e em nenhum momento da história humana, destruiu-se tanta vida animal e vegetal em tão pouco tempo, para a degradação de tantos e para o benefício econômico de tão poucos. E nunca, mesmo para os pouquíssimos que enriqueceram com a devastação, esse enriquecimento terá sido tão efêmero, pois a destruição da cobertura vegetal já começa a gerar erosão dos solos e secas recorrentes, solapando as bases de qualquer agricultura nessa região (na realidade, no Brasil, como um todo).
O caos ecológico produzido pelo desmatamento por corte raso de cerca de 20% da área original da floresta, pela degradação do tecido florestal de pelo menos outros 20% e pela grande concentração de bovinos na região cria as condições para tornar o Brasil um “hotspot” das próximas zoonoses. Em primeiro lugar porque os morcegos são um grande reservatório de vírus e, entre os morcegos brasileiros, cujo habitat são sobretudo as florestas (ou o que resta delas), circulam pelo menos 3.204 tipos de coronavírus (Maxman 2017). Em segundo lugar porque, como mostraram Nardus Mollentze e Daniel Streicker (2020), o grupo taxonômico dos Artiodactyla (de casco fendido), ao qual pertencem os bois, hospedam, juntamente com os primatas, mais vírus, potencialmente zoonóticos, do que seria de se esperar entre os grupos de mamíferos, incluindo os morcegos. Na realidade, a Amazônia já é um “hotspot” de epidemias não virais, como a leishmaniose e a malária, doenças tropicais negligenciadas, mas com alto índice de letalidade. Como afirma a OMS, “a leishmaniose está associada a mudanças ambientais, tais como o desmatamento, o represamento de rios, a esquemas de irrigação e à urbanização”,vi todos eles fatores que concorrem para a destruição da Amazônia e para o aumento do risco de pandemias. A relação entre desmatamento amazônico e a malária foi bem estabelecida em 2015 por uma equipe do IPEA: para cada 1% de floresta derrubada por ano, os casos de malária aumentam 23% (Pontes 2020).

História

A gripe espanhola, também conhecida como gripe de 1918, foi uma vasta e mortal pandemia do vírus influenza. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920, infectou 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época. Estima-se que o número de mortos esteja entre 17 milhões e 50 milhões, e possivelmente até 100 milhões, tornando-a uma das epidemias mais mortais da história da humanidade. A gripe espanhola foi a primeira de duas pandemias causadas pelo influenzavirus H1N1, sendo a segunda ocorrida em 2009
Porque morreram entre 17 e 50 milhões de pessoas?
É logico que em 1918 a falta de conhecimento foi a principal causa. Depois temos ai o nascimento do capitalismo neoliberal, que não poderia parar para não quebrar.
Jamais seria permitido fechar escolas, ou fabricas no início daquela pandemia. O mercado era mais importante e se o patrão não ganha, o escravo não come. Esse erro estratégico levou a quebradeira geral e logo depois veio a quebra da Bolsa de Nova Iorque e o estado se torna Keynesiano, usando toda sua capacidade monetária para ressuscitar empresas. Não teria sido mais fácil pagar ao trabalhador para ficar em casa, como a Inglaterra está fazendo hoje e todos estariam salvos? Pelo menos 10 a 30 milhões não morreriam e nenhuma empresa quebraria.
Não teria sido melhor, se o Trump, desde o início da pandemia, já tivesse envido a ajuda de 6 mil reais para cada família? Talvez 50, ou 60 mil mortos a menos, até aqui?
Nem vamos falar do Brasil, onde o estado perdeu suas funções.




terça-feira, 26 de maio de 2020

Depois da crise- Brasil


O depois da crise

OIT saúda compromisso do G20 como primeiro passo global na ...

Não imaginem que algo vai mudar depois da crise Covid-19.
Tudo continuará a mesma coisa. O capitalismo se espreme, muda, transforma para continuar o mesmo e seus pobres seguidores, continuarão sob os grilhões e amarras da ignorância.
O ser apoiador e mantenedor do sistema é abjeto e capaz de morrer por algo, que não lhe pertence e nunca terá, mas acredita, assim como na loteria, que se um, em 1 milhão chegou lá, ele será o próximo e, assim chegará a misera aposentadoria, acreditando que foi útil.
Algo pode mudar, temporariamente, na Europa, que já viveu crises e guerras, mas passando-se poucos anos, retoma o rito natural.
O mundo hoje, usa suas reservas para manter vivo seus cidadãos. No capitalismo dos ianques, dos eternos imperialistas, ou na falsa liberdade, igualdade e fraternidade francesa, o estado cumpre sua função e paga o cidadão funcionário da rede privada. Tem sido assim, entre os chamados comunistas, pois os estado já é o patrão e quando ele ordena, um fique em casa, trata-se de ordem do patrão e o salário, não muda.
Mas quando tudo acabar, o pé vai afundar no acelerador e tudo será recuperado. Assim tudo volta ao normal. A poluição já está de volta na China, Veneza terá de volta suas águas turvas, e os ianques retomarão teste nucleares e perseguições democráticas atrás do petróleo, ou contra a propaganda de um sistema melhor.
Só  muda o Brasil. Mudaremos a devastação da floresta da qual se aproveita um presidente insano, para cumprir sua promessa de eliminar a Amazônia, não serão ressuscitados os índios vítimas de genocídio, e mudará o número de sobrevivente, não recuperaremos as áreas griladas, as vidas devastadas e nem a sociedade estrangulada. Mas mudaremos a miséria. Para cima. 
Em nosso governo Guedes aproveita para pensar novos crimes contra o patrimônio nacional, entregar o Banco do Brasil, retirar mais direitos sociais, a educação continuará destruindo projetos, o meio ambiente aproveitará para impor bacias de ilegalidades.
E depois do Covid só o Brasil vai mudar. Mudará por muito tempo. Sem dinheiro e sem emprego, o povo aceitará voltar para as minas de carvão, por 18 horas por dia, sem direitos e pelo feijão com arroz. O comercio vai quebrar, não porque ficou fechado, mas porque concordou com um presidente, que eliminou direitos e transformou o brasileiro em escravo faminto. A indústria vai mudar e quebrar, pois o comercio, que concordou e fez arminha, não tem  para quem vender.
A polícia vai mudar, pois em alguns lugares já perdeu a voz para a milícia, que manda abrir, ou fechar e talvez, para sobreviver, só associando-se com o PCC ou Comando Vermelho.
O Brasil vai sair com recorde de mortos e quebrados, mas o brasileiro servil continuará admirando seu mito, pois ele é sua imagem e semelhança, grosseiro, ignorante, invejoso, desonesto, o inútil e abjeto, o cidadão servil. Um exército de robôs marchando para a estupidez e cavando suas covas, de um país sem SUS, sem educação, sem cultura, sem direitos sociais, mas membros do exército de papagaios adestrados, berrando Micto.
Chamados de bostas, por seu presidente, eles irão concordar e dizer que salvar seu povo, não é função do estado. Estado, que teoricamente é apenas o povo e só em função dele, pode existir. Ou já estamos num império das corporações, cujas milícias enriquecem cuidando do curral, enquanto  os donos se divertem

sábado, 16 de maio de 2020

Livro: Cuba- O último reduto da liberdade




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Passados sessenta anos de sua revolução, Cuba permanece um tema polêmico, mesmo com sua pouca relevância no cenário geopolítico atual, por ainda ser um estandarte ideológico ostentado por uns e combatido por outros.
A experiência cubana causa reações variadas. Por um lado, se a ideia de um sistema com educação e saúde inclusivas, gratuitas e de qualidade é sedutora, por outro, a carência material e a repressão às opiniões divergentes causam aversão. Mas tal confronto não oferece a maior dificuldade racional, embora não seja pequeno o dilema que propõe. Resta uma questão ainda mais sutil: o sistema cubano é defensável dentro das condições dadas? Em qual medida o embargo é responsável pelas penúrias materiais de seu povo e quanto serve de muleta para as ineficiências do regime em lidar com todo o leque de necessidades de seus cidadãos? Além disso, como lidar com novas gerações, para quem a luta contra a ditadura de Batista não é nada mais que matéria escolar, que ambicionam progresso econômico e realização de sonhos, fúteis ou não?
O que temos aqui é o relato de uma viagem, de alguém que sempre buscou uma saída digna para a humanidade.
Em seus livros de ficção cientifica (Akanis, Aztlán e Akahin) o autor deixa claro sua busca por um mundo justo, onde chega a propor o fim dos EUA.
Antonio Sonsin tem 25 livros publicados, em parte deles, a temática socialista é salientada. República Socialista do Paraguay, um romance baseado na Guerra da Tríplice Aliança, o Paraguai de Frância é colocado como o primeiro país socialista do mundo. Em Terra do Amanhã, a revolução ocorre no sertão da Bahia. Em 1918, relatos da primeira Guerra Mundial, ele passeia na filosofia de Rodolfo Mandolfo, através das cartas reais de Antonio e Cassilda, da cidade de Senigália.
Ele escreveu ainda, Hollywood, que destrói o sonho americano, usando a biografia de Olympio Guilherme, convocado para substituir Valentino.







quinta-feira, 30 de abril de 2020

Livro- A Culpa É do Sexo - Lançamento

Oito autores consagrados, seis já falecidos. Eles se encontram em lugares que nunca estiveram, em conversas que nunca tiveram, contando histórias que nunca ouviram.


Antonio Sonsin é um escritor que conheço há bastante tempo. Acredito que li todos os livros que escreveu sobre os mais variados assuntos: das memórias de Bragança Paulista à biografia de um ex-prefeito. Das conversas com profissionais do sexo (esse eufemismo horrível para prostitutas) à história da República Socialista do Paraguai. Da biografia da figura importantíssima do jornalista bragantino Olympio Guilherme, o qual entre outras coisas foi a primeira paixão  de Pagu e, possivelmente, o precursor do cinema underground com a realização do filme Fome, lançado nos EUA em 1929 – em plena Grande Recessão– aos mais recentes Aztlan – A refundação da América e Akanis – A solução final, já no campo da ficção científica e aventura.
Neste O culpado é o sexo, cujo título, a meu ver, deveria ser “A culpa é do machismo”, o autor pretende contar na voz e com o estilo de alguns escritores nacionais e estrangeiros casos ocorridos nas comunidades em que ele transita ou transitava.
Com esse espírito, observamos o insólito encontro entre Nelson Rodrigues e Plínio Marcos. Ou vamos parar  numa padaria do Bixiga e ouvir a  conversa entre Luiz Fernando Veríssimo e Mário Prata.
Talvez o leitor se surpreenda com a prosa entre Jorge Amado e Vinicius de Moraes, ocorrida nos anos oitenta do século passado, durante um voo, na Panair, extinta pela ditadura militar nos anos sessenta. Mas em literatura tudo é possível, principalmente quando o autor se chama Antonio Sonsin!
Fechando o livro, no saguão do aeroporto de Recife, Ariano Suassuna se encontra com Gabriel Garcia Marquez,  o qual após receber o Prêmio Nobel de Literatura, é obrigado  a descer na capital de Pernambuco, em  uma escala forçada do avião que o levaria de volta à Colômbia.
Com exceção de Luiz Fernando Veríssimo e Mário Prata, os quais para a alegria dos leitores estão vivos, os demais não poderão contestar essas conversas.  E como nem eu, muito menos o Sonsin, somos religiosos, também não podemos arriscar a dizer que o livro é psicografado,  para nos isentar de quaisquer responsabilidades.
Claro que os leitores irão detectar nos diálogos frases lapidares dos protagonistas e esse é  mais um exercício delicioso dessa leitura. É bem possível que os, digamos, retratados neste livro também reconheçam suas próprias histórias, mas sou capaz de apostar que nenhum deles fará questão de se identificar, por motivos óbvios.
Justifica-se o machismo acentuado em todos os contos desse livro ao considerarmos que os autores homenageados por Antonio Sonsin viveram em outra época e sob a visão de uma sociedade patriarcal, a qual, a bem da verdade, ainda resiste, apesar dos inúmeros avanços do movimento feminista em combatê-la. 
Espero que os leitores, tal como eu, fiquem indignados com a postura retrógrada dos personagens masculinos aqui apresentados e percebam que uma sociedade só evolui quando se é dada a todos, independente de sexo, classe social ou etnia a possibilidade de decidir a própria vida à revelia de preconceitos e estigmas sociais.
Reflitam e desfrutem!

Henriette Effenberger