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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Socialismo X Fascismo



Socialismo X Fascismo

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Finlândia hoje, uma economia socialista 

Socialismo refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização econômica que advogam a administração e propriedade pública ou coletiva dos meios de produção e distribuição de bens, propondo-se a construir uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades e meios para todos os indivíduos, com um método isonômico de compensação.
 A teoria do socialismo moderno surgiu no final do século XVIII, tendo origem na classe intelectual e nos movimentos políticos da classe trabalhadora. 
No socialismo as artes, principalmente literatura são estimuladas.
Ao contrario do que se propaga, não é necessariamente ditatorial e pode ser democrático, como se vê hoje, na Finlândia.
A figura do burguês de do aristocrata é eliminada.
O domínio e do proletário que se torna a única classe.
Todos são iguais e o estado é o povo.
As religiões, enquanto opio do povo, são eliminadas.

  
Fascismo
Movimento político e filosófico ou regime, como o estabelecido por Benito Mussolini na Itália, em 1922, que faz prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais e que é representado por um governo autocrático, centralizado na figura de um ditador.
É uma ideologia política ultranacionalista e autoritária caracterizada por poder ditatorial, repressão da oposição por via da força e forte arregimentação da sociedade e da economia.
Tem origem no início do século XX como oposição aos regimes democráticos europeus, que sucumbiram na primeira guerra mundial.
A aristocracia e a burguesia são mantidas.
O proletário perde direitos e cria-se a meritocracia como concurso para se alçar novos patamares sociais.
A religião se torna aliada na manutenção da sociedade.
As artes são pouco valorizadas e livros são queimados em praça pública.
Existe estratificação social
O estado e soberano e o ditador têm plenos poderes
No Brasil o Fascismo foi representado pelos Integralistas, liderados por Plínio Salgado

O Socialismo teve em Carlos Prestes seu principal líder no Brasil

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A farsa democrática



Acreditar em conhecimento político macro, sem conhecer a divisão de poder nas províncias é mera ilusão. Macro é o coletivo de muitos micros. Ou micros são as formadoras do grande poder.


Como explicar isso?


É difícil teorizar, o que na pratica, foi sendo construído há séculos, mas só nos últimos 15, ou 20 anos começou a se transformar numa nova geografia do poder.


É a divisão do país em feudos. Senhores feudais promovidos a donos de regiões, onde elegem seus marionetes e comandam os serviços, compras, concessões, empreendimentos, e desenvolvimento necessário para iludir o povo.


A tradução desse esquema não é muito fácil, seria necessário investigar para poder provar, mas acredito que antes de uma investigação, os investigadores serão aniquilados.


Tudo está relacionado à manutenção do poder. Para se ter um grande poder federal, forma-se a teia do pequeno poder.


Essa teia é formada por prefeitos, vereadores e alguns juristas, que dão sustentação a um grande volume de negócios. Todos ganham e se divertem nessa esfera do “micro”, mas o grande numerário vai para o senhor feudal, que repassa parte de seus lucros, ao macro, ou seja, a manutenção do grande poder.


Nenhum prefeito é eleito por sua qualidade política, ou sua capacidade administrativa, mas por fazer parte e compactuar com os esquemas regionais, sem a possibilidade de traição, ou revolta. Isso não impede que o eleito possa ser o melhor daquele pleito, naquela localidade, o que é raro. Em outras palavras, acabaram as eleições românticas, o bom moço, bem intencionado, ou honesto, perdeu lugar para o funcionário dedicado ao esquema. A Máfia só promove aqueles que mostram serviços. E o estereotipo bom sujeito não se encaixa no perfil das grandes organizações.


Todo esse desmanche na eleição do “sujeito politico”, substituído pelo gestor de negócios, tem seu inicio na ditadura militar e vem se aprimorando até hoje, tendo a terceirização de serviços, como a grande responsável.


A terceirização tira poder e dinheiro dos municípios e estados, transferindo para um determinada empresa e retornando, não para o povo, mas para um grupo, pois os contratos visam esse retorno.


Para que isso acontecesse era necessário deteriorar a maquina estatal, o que foi feito com maestria e apoio popular. Primeiro promove-se a deterioração da empresa, depois a substituição pelo que seria a solução.


Essa substituição que se inicia na ditadura, com transportes, por exemplo, vem se ampliando, passa por comunicações e tende a chegar na saúde.


Só para exemplificar citamos a CMTC, da capital paulista. Durante anos a empresa serviu a população com um certa qualidade. A partir de uma certa data, ela propositalmente começa a dar prejuízo e mostrar a queda de qualidade dos serviços. Em substituição novas empresas são colocadas, com o discurso de melhor prestação de serviços para a população.


Na verdade a melhoria é pequena e passageira, mas a empresa rende aos seus proprietários e aos promotores do contrato. Rende de maneira que se torna impossível apontar a corrupção implícita.


Esse procedimento passa rapidamente para outras áreas. Extinção de estradas de ferro, apoio a indústria automobilística, estimulo aos transportes por estradas, deterioração das estradas, para novas reformas e terceirização de pedágios, indústria de sinalização, privatização das multas, enfim, uma rede infinita de lucros privados, em substituição ao estado, com devoluções milagrosas.


Assim também acontece na merenda escolar, onde os municípios perdem receitas, os estudantes perdem qualidade, os pequenos produtores perdem vendas e uma empresa fatura, mas colabora com mesadas e patrocínios eleitorais.


Mas não fica só ai, a área de entretenimento também se terceiriza. De festas de peão a copas do mundo, tudo é entregue a inciativa privada, não porque ela administra melhor do que o estado, isso é mentira, mas porque o estado deve prestar contas, já o privado pode manter os gestores do estado, sob a mira de contas nas Ilhas Virgens, sem macular a imagem dos bons gestores.


Toda essa estrutura está montada em cima de regiões, de províncias, onde existe um senhor feudal, um comandante do esquema. Ele escolhe quem será o prefeito, alguns vereadores e deputados. Ele dá as cartas, pois tem com ele as empresas que prestarão os serviços e vendas. De transportes coletivos, a uniformes escolares, passando por empreendimentos imobiliários a venda de remédios, tudo já está selecionado. E todas as empresas e seus empresários serão os financiadores do caixa dois de campanha. Ninguém ira aparecer na contabilidade oficial.


Tudo é feito de forma a dar o tom de transparência e democracia. No final o candidato será eleito e a campanha terá um custo declarado de 10% do que realmente foi. Apenas ilustrando o fato, um político com reais condições de vencer o pleito, se não fizer parte do esquema, será aniquilado até por questões pessoais, com a colaboração da imprensa, que também faz parte das terceirizações.

domingo, 13 de março de 2016

Quando a vergonha alheia provoca vômitos




Nessa manifestação pró  golpe eu não fui conferir o desfile de ignorância declarada, na Av. Paulista em São Paulo, fiquei em Bragança Paulista, minha cidade, terra de Barões do Café, que cresceram graças ao trabalho escravo, mas quebraram ao ter que pagar imigrantes, ou devido aos gastos de seus herdeiros, nas noites de São Paulo, Rio e Paris. Hoje carregam apenas o nome nobre e a hipocrisia real.
Esses são os bisnetos do barões, que se manifestaram no mesmo local, no final do século XIX contra a republica, recém implantada. São os mesmos que mandaram para a Guerra do Paraguai, 5 escravos no lugar de cada filho nobre.
O bom de se estar no interior é que conhecemos todos. Principalmente numa manifestação do  centro, onde só tinha gente da zona sul. Se fossem da zona norte eu jamais saberia quem é quem. Confesso minha falta de conhecimento sobre esses novos habitantes da terra.
Cheguei antes das 16h, de cara vi um conhecido, que no início dos anos 80 esteve envolvido com assalto a lojas. Ele conversava com um importante herdeiro libanês, que vive do aluguel de casas na zona norte, que provavelmente se sente prejudicado com o tal do Minha Casa, Minha Vida, esses pobres estão pagando menos pela casa própria do que pagavam pelos seus alugueis. Isso é terrível!
Fiquei parado observando e vi chegar dois agiotas conhecidos. Foram direto conversar com um político também conhecido, já envolvido em crimes religiosos e denunciado na Câmara Municipal, em alto e bom tom, com provas por corrupção. Que ninguém levou a sério. Homem honesto de família e devoto a deus, acima de tudo.  Eles são contra  corrupção, por isso protestavam.
Com a bandeira enrolada na bunda, a direita pode, uma senhora muito elegante, criticava a alta do dólar. Sabe como é né! Ela vende dólar  e com o dólar alto, os amigos empresários deixam de fazer dele o principal ativo para o caixa dois. É uma merda! Desse jeito vão ter que por em banco e pagar impostos, ou até cometer o absurdo de declarar no imposto de Renda. Eles são contra essa corrupção maldita.
Um outro empresário, cujos negócios giram em torno de turismo, também  bradava seu descontentamento, caiu pela metade o numero de crianças burguesas que vão para a Disney.  Ele é contra esse governo corrupto.
Também vi um contrabandista, que tem negócios com a receita federal. Estava muito aborrecido, principalmente com o preço do dólar. Temos que derrubar essa gente e vender logo a Petrobras, dizia ele.
Vi muita gente, que há muito não via. Até o “viadinho escroto” que agenciava meninas para programas com empresários estava lá e é claro indignado. Esse negócio de Bolsa Família e pobre na escola tira a matéria prima do negócio. Cruzes é uma merda! Dizia ele...
E ai começaram a chegar os candidatos e os pré candidatos. Um deles vindo do PFL, DEM, antiga ARENA, o partido com mais prefeitos cassados no Brasil. Sujeito cuja família já esteve envolvida em escândalos na educação. Que já apoiou gente cujos escândalos são conhecidos nacionalmente.  Agora ele também é contra a corrupção.
Tinha ainda um ex-secretario de cultura, que não conseguiria definir a palavra “cultura” nem com o Google nas mãos. Homem que usou o dinheiro de uma secretaria para conhecer a Europa e cujo ninho era dos remanescentes da antiga Arena.  Também é contra a corrupção e a favor do golpe. É claro!
No meio da muvuca  um professor me disse que estava trazendo seus alunos para aprender cidadania (?). Com o golpe?
Reunidos próximo ao Hotel  4 ou 5 maçons, eles não poderiam faltar. Estiveram presentes no golpe contra Getúlio, no Golpe de 64, apoiaram as torturas e as vendas de estatais e hoje estão vivos e ativos.  É quando eu sinto mais vergonha alheia.
Chegando de mansinho um empresário que em 90 foi processado por desmatamento no Acre. É claro, gritando contra os corruptos.
Uns gritinhos histéricos, não históricos, pois história eles não estudaram, ecoavam com aplausos: “fora governo comunista”. Fiquei pensando em ir até lá e perguntar onde tem um governo comunista, pois quero ir para lá.  O bom senso me impediu.
Será que eles acham que comunista é um governo que teve Meireles, onde bancos privados ganham cada vez mais e a Fiesp continua promovendo golpes as custas de isenção de IPI e sonegação? O que será que significa comunista para essa gente intelectualmente bem dotada?
Queria ficar mais um pouco, mas comecei a sentir vontade de vomitar. Principalmente quando um ladrão conhecido chegou com sua família, todos de camisa da seleção, pois a CBF é um  oásis de honestidade e já foram gritando : “fora ladrões” .  Ai foi demais.
Ao sair ainda notei que muitos chegavam com seus cachorrinhos de raça, muito bem tratados, melhor que qualquer criança abandonada... São todos cristãos.
A festa estava boa para vendedores de bandeiras e de fitinhas. Já os pedintes, que costumam frequentar o local reclamavam. Essa gente ai não dá nada pra ninguém, se a gente não tomar cuidado, eles tiram...
Quando dei a partida no meu carro percebi que alguém espera a vaga. Era um pastor, que chegou por aqui há uns 15 anos e já tem várias franquias de sua igreja espalhadas pela periferia. Tirei logo meu Clio 2010, para que ele pudesse estacionar uma SUV da Mercedes.
Enfim o Brasiu, que quer deixar de ser Brasil, para se transformar em BRAZIL.


PS – Não foi possível fazer uma penelaço porque as empregadas que restaram estão cada vez mais indolentes e se recusaram a acompanhar seus patrões. Imaginem que tinha mães cuidando de seus próprios filhos. 
       No meio a tudo isso tinha gente. Poucos, mas existiam, alguns não sabiam porque estavam ali, outros tinham medo dos comunistas...É...











sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Brasil, de golpe a golpe


A história republicana está a sugerir uma categoria de golpe operado dentro da ordem institucional-legal vigente.

As definições correntes dizem-nos que os golpes de Estado se caracterizam pela surpresa, pela violência militar ou civil e pela ilegalidade.
Ilegalidade, evidentemente, em face da ordem legal que fraturam, pois, na sequência, o golpe de Estado vitorioso (e só esse conta) impõe sua própria legalidade.
A Proclamação da República apresentou as características clássicas dos golpes de Estado: a ilegalidade e a ruptura da ordem constitucional
Malogrado, o golpe de Estado é condenado como crime político; vitorioso, transforma-se em fonte de poder e de direito, autoritário ou não.
Nossa história é farta em exemplos de golpes de Estado, desde o Primeiro Reinado, mas nem todos podem ser classificados como ilegais, exatamente por terem sido operados dentro da ‘ordem’ e, portanto, sem violência e sem determinarem rupturas constitucionais.
Assim, por exemplo, a insubordinação das tropas que 1831 levou o primeiro Pedro à abdicação do trono, e, mais tarde o ‘Golpe da maioridade’ (assim foi registrado pela História) que levaria seu filho ao trono em 1840, aos 15 anos incompletos.
O fato histórico Proclamação da República, porém, apresenta as características clássicas dos golpes de Estado, a saber, a ilegalidade (o levante das forças armadas contra seu chefe supremo e o regime que juraram defender) e a ruptura da ordem constitucional, com a queda do Império.
A rigor, a implantação da República tem no golpe de 1889 apenas o seu parto, pois o novo regime só se consolidaria, ainda criança, com o golpe, de explícita ilegalidade, do marechal Floriano Peixoto (1891), investindo-se na presidência após a renúncia de Deodoro, contra o ditado da Constituição republicana recém aprovada.
Nesta República de muitos golpes e contragolpes dois golpes clássicos merecem destaque, a saber, um, que rasgando a Constituição de 1934 instituiu a ditadura do ‘Estado Novo’ (1937), e aquele outro que em 1º de abril de 1964 instaurou a ditadura militar, decaída em 1984.
A característica comum de todos eles, é a ruptura da ordem constitucional, nos dois últimos casos mediante a violência, compreendendo alteração institucional e instauração de regimes de exceção caracterizados pela repressão policial-militar, a revogação dos direitos individuais e das garantias constitucionais, a supressão das liberdades – especificamente das liberdades de imprensa, de reunião e de associação – e a revogação dos mecanismos da democracia representativa (‘Estado Novo’) ou sua vigência custodiada pelo novo regime (1964-1984).
Mas a história republicana está a sugerir uma categoria de golpe de Estado que, alterando a composição do Poder, a função e o objeto de todo e qualquer golpe ou insurreição ou revolução, se opera dentro da ordem institucional-legal vigente.
Lembro, a propósito, dois episódios recentes de nossa história, o 11 de novembro de 1955 e a instituição, em 1961, do parlamentarismo. Ambos formalmente legais e ambos curatelados pelos militares e ambos operados pelo Congresso Nacional
O primeiro decorreu de reação de setores militares legalistas, comandados pelo ministro da Guerra, o general Henrique Lott, à manobra comandada pelo presidente da República e seus ministros da Aeronáutica, da Marinha e da Casa Militar, visando a impedir a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart, eleitos presidente e vice-presidente da República.
Diante da reação do Exército, o Congresso decretou numa assentada o impedimento do presidente em exercício (Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados) e, seguindo a ordem da sucessão constitucional, empossou Nereu Ramos, vice-presidente do Senado, no cargo.
O fato foi apresentado como ‘contragolpe legalista’ e, assim, festejado. Em outras palavras, o Congresso, atendendo à voz majoritária das Forças Armadas, e no rigor de sua competência constitucional, dava um golpe de Estado (o impedimento dos presidentes), para impedir, eis sua justificativa em busca de legitimação, o golpe de Estado que visava a fraturar a Constituição, impedindo a posse dos eleitos.
De forma similar, tivemos o golpe parlamentarista de 1961, já referido, quando o Congresso Nacional, diante da sublevação militar que intentava impedir a posse do vice João Goulart (episódio decorrente da renúncia de Jânio Quadros), revogou o presidencialismo e aprovou a implantação pro tempore do parlamentarismo.
Nas duas situações agiu o Congresso Nacional nos termos de sua competência constitucional.
E, lamentavelmente, parece que fizemos escola.
Similarmente o Congresso paraguaio, em 2012, revogou, mediante impeachment, o mandato do presidente Fernando Lugo e o Judiciário hondurenho decretou, em 2009, a deposição e prisão do presidente José Manuel Zelaya.
Se o golpe de Estado, em regra, é promovido contra um governante, em 1937, no Brasil, foi a arma de que lançou mão o próprio governante, para fazer-se ditador, donde não ter havido mudança de mando nem de controle do poder.
O golpe clássico – com a deposição do governante— é substituído pela mudança de governo, mantido o governante.
O golpe, faz-se por dentro, manipulado pela burocracia estatal associada a segmentos da classe dominante. É quando o golpe também pode operar-se de forma lenta e continuada, sem ruptura institucional mas determinando alterações na ordem constitucional.
Neste caso, o que caracterizaria o golpe de Estado (ou essa espécie de golpe por dentro do sistema) seria a alteração de poder sem violência e dentro da ordem legal, ou seja, utilizando-se da própria ordem legal para fazer as alterações requeridas pelo novo projeto de poder.
Permanece a definição de golpe de Estado porque sua efetividade determina uma nova coalizão de poder, ao arrepio da soberania popular.
É um golpe de Estado que não pode ser acoimado de ilegal.
Essas reflexões tentam compreender a crise constituinte brasileira de hoje ao identificar a operação de um ‘golpe’ dentro do Estado, comandado internamente por uma burocracia estatal, autônoma em face da soberania popular e dos instrumentos da democracia representativa.
Essa burocracia governativa opera em condomínio com forças poderosas do capital concentrado, cujo objetivo é, na contramão do pronunciamento eleitoral de 2014, restaurar o controle neoliberal sobre a economia e o Estado.
O cerco do Estado em função dessa política sem voto mas representativa do poder econômico revela seus primeiros movimentos ainda em 2014, quando, perdidas as eleições, decide o grande capital a tomada do governo, impondo-lhe a política rejeitada eleitoralmente.
Nesse sentido, operou e opera de forma desabusada a imprensa monopolizada, ecoando o que lhe dita a direita.
Seu primeiro fruto foi o ajuste fiscal, mas a ele não se limitou, impondo todo o receituário neoliberal: privatizações, precarização das relações de trabalho, independência do Banco Central, política de juros altos, as medidas recessivas que constroem o desemprego e, com audácia jamais vista, a fragilização da Petrobrás, para que se torne irrelevante e possibilite que o Pré-Sal, maior reserva de hidrocarbonetos descoberta no planeta nos últimos 30 anos, seja capturado pelas grandes petroleiras privadas mundiais.
Para tanto chegou-se ao requinte: a empresa, atacada por escândalos e pela crise internacional do petróleo, é desmoralizada, a queda de suas ações em bolsa é atingida pela especulação e pela campanha de descrédito da grande imprensa, e nesse quadro anuncia-se a redução dos investimentos e para a venda de ativos na bacia das almas.
A agenda do governo é ditada pelos adversários do governo, e dentro dele estamentos burocráticos autarquizados – setores do Ministério Público, setores do Judiciário, setores da Polícia Federal – associados à grande imprensa – operam no sentido da desestabilização do governo.
Juiz de estranha jurisdição nacional preside como se delegado fôsse inquérito que lhe caberia sanear e julgar com isenção; procuradores, promotores e juízes, até mesmo ministros de tribunais superiores, antecipam juízos sobre pessoas que estão sendo ou serão por eles julgadas, a prisão preventiva é transformada em instrumento policial que visa a obter delações premiadas.
A imprensa, irresponsável em sentido pleno, transforma o acusado em condenado sem sursis e o submete à execração pública irreparável. O Congresso, comandado política e ideologicamente por uma oposição numericamente minoritária, opera o desmonte das conquistas sociais das últimas décadas.
O governo, nascido das bases populares da sociedade, opta pelo acordo de cúpula com os Partidos, tornando-se prisioneiro de uma base parlamentar infiel, desleal e extremamente cara.
Necessitado do apoio social, faz concessões às forças conservadoras; afasta-se das massas sem demover a direita de seu projeto golpista.
Quem não se inspira na história está condenado a repeti-la, repetindo seus erros.
Roberto Amaral
O livro A serpente sem casca ( da ‘crise’ à Frente Popular) pode ser adquirido através do site da editora Contraponto clicando aqui.
Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia
Leia mais em: www.ramaral.org

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Vargas, Juscelino, Lula

Vargas, Juscelino, Lula

O ódio vítreo que se construiu contra Vargas e JK é semelhante ao direcionado a Lula

A característica certamente mais exemplar de nossa história é a conciliação. De cúpula sempre (ou seja, conciliação em nome da preservação dos interesses da classe dominante), impedindo a revolução (como tal entenda-se também a simples ameaça de emergência das massas) e retardando as reformas das mais simples às mais essenciais – todas, como meras reformas, pleiteadas conforme as regras do regime que não visavam a alterar.
Lula e Rui Falcão, o presidente do PT, em novembro: o ex-presidente é alvo da imprensa
Lula e Rui Falcão, o presidente do PT, em novembro: o ex-presidente é alvo da imprensa
Em todos os momentos graves, a ruptura – ainda quando uma exigência histórica – cedeu espaço à concordata pois o essencial foi sempre a conservação dos donos do poder no poder. Da Colônia ao Império, do Império à República, e até aqui.
Mas a opção pela conciliação não impediu que nossa história fosse, desde o Primeiro Reinado, juncada de irrupções militares, às vezes quase só motins, como aqueles que precederam (preparando-a) a Independência e a sucederam (consolidando-a), até a resignação do Imperador, de malas prontas para o cerco do Porto e a revolução liberal que, depondo d. Miguel, faria D. Maria, a rainha brasileira dos portugueses, subir ao trono.
No Segundo Império a preeminência militar senta praça após a infeliz guerra ao Paraguai, quando nossas forças de terra e mar alcançam algum grau de organização e profissionalismo/profissionalização e, animadas pelas penosas vitórias nos campos de batalha, decidem exercer presença na política imperial.
Era propício o momento, com as seguidas crises dos seguidos gabinetes, as campanhas abolicionista e republicana e, no plano ideológico, o positivismo grassando na caserna e conquistando a jovem oficialidade. Assim, na formação histórica brasileira, temos duas linhas convergentes sob o fundo autoritário: a conciliação e a insurgência militar.
Mas na altura do II Reinado nada que sugerisse, nem de leve, o que seria a presença desestabilizadora dos militares na República. Se o marco inaugural foi a ‘parada militar’ do 15 de novembro, que derrubou o Império e viu a República consolidar-se com o golpe de Floriano, o ciclo se fecha com a conjuração do golpe de 1º de abril de 1964, que se afirmaria como uma ditadura de 20 anos.
Entre um polo e outro, de intentonas e sublevações seria rico o primeiro terço do século: o levante do Forte de Copacabana (1922), a insurgência paulista de Miguel Costa (1924) e a coluna Prestes (1924-1927) caracterizaram a República Velha, que morreria em 1930 com a irrupção civil-militar que passaria à história como Revolução de 30, hegemonizada pelos tenentes de 22 e 24, que comandariam as forças militares e permaneceriam no proscênio da política até a ditadura de 1964: Eduardo Gomes, Juarez Távora, Cordeiro de Farias, Ernesto Geisel…
A revolução de 1930 – que empossa Getúlio Vargas –, transforma-se na ditadura do Estado Novo em 1937, após sufocar um putsch integralista (1932) e um levante de militares comunistas comandados por Luís Carlos Prestes (1935). Os mesmos generais responsáveis pelo golpe de 1937 (à frente de todos os generais Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra) agora se levantam contra Vargas, e abrem caminho (1945) para a restauração democrática.
Inicia-se com um general, o ex-ministro da Guerra da ditadura, o general Dutra, o ciclo de presidentes eleitos pelo voto popular e de regimes democráticos que os mesmos militares sufocariam 18 anos passados.
Após uma sequência de golpes militares e tentativas de golpe – deposição e renúncia de Vargas (1954); tentativa de impedimento da posse de JK-Jango e contragolpe militar de Lott-Denis (1955), tentativa de impedir a posse de Jango (crise da renúncia de Jânio Quadros) e golpe parlamentarista (1961) – a estratégia da preeminência militar abandona as intentonas e as irrupções, para exercer um efetivo superpoder, pairando acima dos três poderes constitucionais, regendo a República sem depender da soberania popular ou submeter-se a qualquer regramento.
Foi o largo período dos pronunciamentos militares manifestando-se sobre a vida civil e interferindo na política. Naquele então o Clube Militar era uma instância suprema, na qual os destinos do País eram decididos. Naquele então, os militares se pronunciavam sobre tudo, até sobre os índices do salário-mínimo, e podiam exigir e obter a demissão do ministro do Trabalho que ousava favorecer os interesses dos trabalhadores.
Momento dos mais significativos dessa preeminência – ou do exercício desse poder para-constitucional –, seria observado, no regime democrático, em 1954, com a ‘República do Galeão’, anunciando o que seriam os tempos da ditadura de 1964-1984.
Os fatos estão no registro da história. Em agosto de 1954, uma desastrada tentativa de assassinato de um jornalista (Carlos Lacerda) termina com a morte de seu guarda-costas, um major da aeronáutica (Rubens Vaz), da ativa, o que enseja a brigadeiros e coronéis da FAB instalarem um IPM – à revelia da Polícia Civil – e, sob o pretexto das investigações desse crime, instaurarem o que ficou batizado como a ‘República do Galeão’, em homenagem ao aeroporto carioca em cujas instalações militares os coronéis operavam, à margem da ordem legal.
E assim sem leis a observar, desconhecendo limites a obedecer, o comandante do inquérito, ou presidente dessa República auto-constituída dentro da República constitucional, tornou-se um reizinho absoluto, porque tudo podia, todas as diligências, todas as prisões, senhor que era de todas as jurisdições. Porque tinha o respaldo de seus superiores – fortalecidos em face da fragilidade crescente do governo e de seu chefe – e o aplauso da grande imprensa, que o incentivava.
Tudo queria, tudo podia e tudo alcançava porque seu objetivo, o objetivo do IPM e da ‘República’, não era apurar a morte do major guarda-costas, mas atingir, como afinal atingiria mortalmente, a honra do presidente Getúlio Vargas, alvo da mais injuriosa, da mais violenta campanha de imprensa jamais movida no Brasil contra um chefe de Estado.
A infâmia, a injúria e a difamação não conheciam limites, invadindo mesmo sua privacidade e a intimidade de sua família. Vargas, o homem, o presidente, o líder de massas era o objetivo da imprensa unanimemente hostil, a serviço da direita derrotada com sua eleição em 1950.
Destruí-lo era o desejo de uma oposição desvairada, era o projeto de militares sublevados e de setores ponderáveis da classe-média, conquistados para a razzia antivarguista pelas denúncias, jamais comprovadas, de um ‘mar de lama’ que correria pelos inexistentes porões do discreto e quase ascético Palácio do Catete.
Enterrado Vargas, empossados Café Filho (presidente), Eduardo Gomes (ministro da Aeronáutica) e Juarez Távora (ministro chefe da Casa Militar), encerraram-se os inquéritos e nem os militares, nem a imprensa, nem a antiga oposição voltam a falar em corrupção.
Em 1964, retornam os IPMs, os inquéritos comandados por coronéis, e a caça às bruxas, primeiro indiscriminadamente, em seguida de forma metódica, com alvo preciso, o ex-presidente Juscelino Kubitscheck. Mas aí era um regime de exceção, uma ditadura.
Os inimigos do novo regime foram transformados, uns (pessoas e entidades, como os sindicatos) em subversivos, outros em corruptos, e porque eram inimigos do regime eram, necessariamente, aos olhos deste, subversivos ou corruptos. Antes de acusados eram condenados, pois a acusação era a justificativa da condenação prévia, e os acusados eram presos para que seus crimes fossem apurados, apurados para justificarem a condenação e a pena, já imputadas.
Juscelino era, nos primeiros anos do golpe militar, o único líder civil do regime anterior politicamente sobrevivente. Jango, Brizola e Arraes amargavam o exílio. Torna-se, assim, JK, o inimigo a ser abatido. Como não poderia ser acusado de subversivo, foi condenado como corrupto, pela imprensa e pelos militares, a imprensa repetindo o ditado dos militares, embora nada tivesse sido ou fosse apurado contra ele.
Condenado, foi chamado a depor duas ou mais vezes em inquéritos militares (pois a pena decretada era sua desmoralização pública) até que, ameaçado, temendo maiores humilhações e mesmo temendo por sua integridade física, optou pelo exílio. Os militares não falaram mais nos inquéritos abertos e a imprensa o ignorou até ser obrigada a registrar o pranto nacional em sua trágica morte.
A história não se repete, mas saltam aos olhos as semelhanças entre o ódio vítreo que se construiu contra Vargas e JK e este que a imprensa brasileira, quase em uníssono, destila, alimenta e propaga contra o ex-presidente Lula, açulando, não mais as Forças Armadas como antes, mas agora agentes policiais sem comando, procuradores sem limites e juiz na presidência de inédita jurisdição nacional.
A história não se repete. Mas o ex-presidente Lula já foi chamado a depor, na Polícia Federal, umas duas ou três vezes, e agora é intimado, com a mulher, a depor em inquérito aberto pelo Ministério Público paulista. Precisa explicar porque desistiu da compra de um tríplex em Guarujá e porque visitava um sítio em Atibaia, e porque incentivou a indústria automobilística quando o País precisava criar empregos.
Condenado sem sursis como corrupto pela imprensa – como Vargas e JK –, exposto à execração pública, decaído em seu prestígio, como agora, Lula – e eis o que se pretende – estará afastado das eleições de 2018, seja como candidato, seja como grande eleitor.
Condenação decretada, pena anunciada, procura-se uma narrativa: eis o propósito, a finalidade dos inquéritos abertos e a serem abertos. Trata-se de destruir o último grande líder popular brasileiro. E isso vale, aos olhos de seus algozes, todo e qualquer preço.
A burguesia regurgita o sapo barbudo que as massas a fizeram engolir nas últimas eleições.
Roberto Amaral
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Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia
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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Liberdade de investigação na PF

Polícia Federal

Liberdade na democracia

Na ditadura, se a PF investigasse os ditadores, o comando da mesma sumiria. No governo FHC, onde existia até um engavetador da república, se a PF colocasse as manga pra fora, a cúpula era substituída.
DILMA não mandou a PF se calar. Vejamos a lei:
Art 1º Ao Departamento de Polícia Federal (DPF), com sede no Distrito Federal, diretamente subordinado ao Ministério da Justiça e dirigido por um Diretor-Geral, nomeado em comissão e da livre escolha do Presidente da República...
Ou seja, a presidente acredita na liberdade de investigação, ou seja, é democrata. 

Um ponto positivo das investigações: Empresários estão sendo presos... ANFAVEA agora está no banco dos réus.
DEMOROU... Desde a ditadura, os montadores de veículos manipulam governos e sociedade.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Aos que lutam por democracia

Aos que não são PT mas lutaram contra o retrocesso dos privatas entreguistas:

As eleições se foram, entre dois grupos de políticos retrógrados escolhemos o menos ruins e lutamos contra os privatas entreguistas. Optamos por um mínimo de desenvolvimento social praticado nos últimos 12 anos, pelo apoio total a nova ordem mundial chamada BRICS e pela liberdade de expressão. Gostaríamos de ter lutado por mais, porém isso era o que tínhamos.
Tivemos de um lado a corrupção da governabilidade unida aos pequenos corruptos travestidos de trabalhistas, que sempre sobreviveram no oportunismo.  De outro, a corrupção generalizada,  travestida de neoliberais, apoiada pelos setores mais retrógrados e burros da sociedade. Pessoas que no ultimo século se enriqueceram de golpe em golpe.
A vantagem do PT sobre o PSDB é clara para quem ainda enxerga além de Globo, Veja e pijamas verde oliva mijados e ensebados pelo tempo. Pequenas manifestações burguesas, comandadas por fascistoides aproveitadores nos dão a certeza, que não existia outro caminho.
Entramos numa nova fase e a luta continua. Agora é a vez da luta contra os vícios da governabilidade, dos apoios toma lá, dá cá. A luta contra os aproveitadores que dominam o congresso e vendem votos necessários a manutenção do governo.
Essa luta é contra bancadas de aluguel, contra as bancadas religiosas, sempre prontas para solicitar um terço.  É contra as bancadas dos acordos, peemedebistas, pedetistas, petebistas, pesedistas e outras.  Essas se unem e criam dificuldades para vender facilidades. São apoiadas por empreiteiras, industrias, bancos, agronegócios e todos aqueles, que acreditam no progresso próprio. Vão roubar, corromper, desmatar e matar.
A luta é por um judiciário forte, que não seja vedete, que não queira julgar como show. Precisamos justiça, a partir dos pequenos municípios, das pequenas licitações e uma lei séria e rápida contra o enriquecimento milagroso.
A luta é por reforma política, contra coligações e por clausulas de barreiras. Vamos acabar com os políticos de aluguel.
A luta é por reforma agraria e por preservação ambiental. Além é claro, da manutenção e ampliação das conquistas sociais.
O PT não é de esquerda. Embora insistam nessa tecla os burros fascistas. PT é tão liberal como o PSDB, com visão ampliada de poder, que gerou uma redistribuição de renda, tímida, mas providencial.  A esquerda do PT foi aniquilada, não por um Joaquim qualquer, mas pelo próprio PT. Lula nunca esteve na esquerda, sempre foi um trabalhista e nada mais a direita, que um trabalhista na mesa do patrão, mas Lula, diferente de outros, teve visão social e enxergou o povo na outra ponta.  Para os idiotas da direita, tudo que se faz pelo povo é vermelho. Mas ainda assim, Lula, foi o que de melhor aconteceu desde João Goulart.  Esse sim teria sido um divisor na política do século XX.
A luta atual é pelos ministérios e nessa não podemos nos calar. O ministério petista é cada vez mais a direita, não a direita entreguista tucana, mas a direita nacionalista protetora dos iguais.

É necessário que os petistas acordem e ajudem influenciar a presidenta. Não queremos governabilidades. Queremos um governo. Do povo, para o povo.