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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Livro: O Pastor:Os bastidores da fé - Lançamento

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O Pastor

O enredo do livro é bastante objetivo. Nas primeiras páginas já conseguimos identificar do que se trata. Como o autor já havia mencionado o livro possui sim uma abordagem um tanto agressiva, porém significativa. Dá para absorver seu ponto principal e a crítica por trás do enredo. Zéca é um personagem difícil de se decifrar inicialmente. Ele parece salafrário, assim como Jóca, mas parece que após um tempo ele realmente passa a acreditar nas próprias palavras e age como um verdadeiro crente, o que logo notamos que ele não é. Achei interessante e bastante real. Infelizmente o mundo está cheio de atores como Zéca, que fingem ser quem não é e que ludibria uma infinidade de pessoas que realmente acredita que é Deus o usando. É por esse tipo de gente que a religião acaba se manchando. Nem todos são como ele, mas é o que está em vista, é usado como parâmetro.
Apesar de Jóca ter tentado se redimir e fazer a coisa certa, ele não poderia se eximir de seus feitos. Ele também errou muito, mas pagou do jeito errado.
Há o cutucão na ferida, sobre igrejas (não só como as que o Pastor Silva ministra, mas em tantas outras) que se aliam a partidos políticos e tantos outros meios para se fazer visível, e apesar de vermos no texto que é uma grande máfia — perigosa para aqueles que são contra —, infelizmente é real. É algo que vemos diariamente na TV e em tantos outros lugares.
Como escritora, gostei da abordagem, do final, acredito que se encaixou bem. Porém como leitora, não gostei do final. Zéca merecia ser punido sim e descoberto por seus crimes, mas assim como na realidade, seria um sonho quase irreal de acontecer, afinal essas pessoas nunca são punidas como merecem.
É um bom livro, creio que tenha potencial para alcançar um número de leitores interessados pelo tema e até mesmo aqueles que não são tão familiarizados. Ele também pode incomodar um pouco algum frequentador assíduo de igreja X, mas o leitor não poderia negar que o teor do livro é realista e intenso.

Paloma Oliveira







quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Eleições... Grandes negócios





A aquisição ilícita de pleito, popularmente conhecida como compra de votos é uma prática eleitoral dolosa e ilícita, não necessariamente explícita, de adquirir votos em troca de bem ou vantagem de qualquer natureza, inclusive empregos, funções públicas, presentes e influencias políticas. Esta é uma prática condenável dentro da política brasileira, muito embora haja relatos de sua aceitação desde o período da República Velha.

No Brasil atual existem muitas leis para coibir a pratica da compra de votos e uso excessivo do poder econômico, porém não existem mecanismos e pessoas capacitadas para acompanhar as eleições, ou definir atos ilícitos.

As contas e ações são julgada de acordo com critérios legais e formais. Não existem pessoas com formação suficiente para analisar e determinar os gastos excessivos. Assim um candidato pode provar que gastou X, quando na verdade seu gasto foi 100 vezes superior.

A Justiça Eleitoral não conhece e não questiona custos reais.


Eleição profissionalizada por grandes empresas


Ficou apenas na história, a era das grandes eleições, dos grandes comícios, das propostas e brigas de rua. Hoje palanque e brigas de correligionários é algo que soa romântico aos ouvidos de quem viveu e bizarro a quem não conhece.

Foi a época de bons contra os maus, das propostas contra a mentiras, hoje é a época do marketing, quando um candidato preparado para ser vendido como sorvete, frio e inerte. Não pode falar sobre determinados assuntos, não pode gesticular mais do que cabe na TV, e suas propostas são pasteurizadas e equivalentes aos outros.

Antes, para ganhar uma eleição era necessário dinheiro, muitas vezes o voto era comprado e poucas vezes denunciado. Hoje compra-se a eleição de acordo com as normas, que são as leis burláveis.

Em primeiro lugar, o que interessa não é mais a qualidade do apoio, mas o tempo na TV, uma distorção causada pelo multipartidarismo brasileiro, dominado pelas legendas de aluguel.

Também não se vê apenas a quantidade de dinheiro a disposição, mas quem serão os financiadores.

Os financiadores preferencias são as empresas concessionarias de serviços públicos, que vão alimentar o caixa dois da campanha. Depois vem os prestadores de serviços, e outras empresas que sobrevivem como satélites do poder.

Ganha a eleição que tem o maior numero de empresários na contabilidade do caixa dois. Assim os preferidos são as empresas de ônibus, lixo, pavimentadoras, construtoras , empresas de monitoramento e radares, e já começa uma disputa pelas empresas do ramo de informática.

A colaboração dada em dinheiro, nesse caso do caixa dois, vai para o pagamento de cabos eleitorais, combustíveis e compra de votos, ou candidatos de outros partidos. Esse montante é geralmente, 10 vezes superior aos gatos declarados. O material oficial, produção de TV e 10% do gasto em papeis e pessoal de rua, é pago com dinheiro declarado.

Uma produção completa de TV , de alta qualidade, para uma cidade de 150 mil habitantes, não fica por menos de 700 mil reais. Serão declarados apenas os custos com material visível, como fitas, cenários, aluguel de locação, etc. Gastos com direção vão para o caixa dois, dificilmente aparecem em prestação de contas, como também não aparecem, os gastos com assessoria de imprensa, maquiadores, fotógrafos, revisores, mixagem, compositores, desenhistas, montadores e outros. Muita gente declara a produção, equipe, supervisão e divulgação, como presentes, mas não estipulam valores, como pede a lei. A "justiça eleitoral" acaba aceitando por desconhecimento de preços e das praticas.

Um candidato majoritário, cuja chapa contenha cerca de 40 candidatos a vereador, gastará cerca de, no mínimo 40 mil reais por candidato (gasolina, material impresso, vídeos, gravações, reuniões etc.).

Outro gasto que pouco aparece na campanha é com seguranças. Temos visto o numero crescente de seguranças nas campanhas, mas sempre aparecem como amigos voluntários.

Não se desconsidera ainda o valor do famoso marqueteiro, outro, que nas prestações de contas, nunca aparecem, mas sabemos que eles existem.

Os marqueteiros não são os coordenadores de campanha, esses são outros profissionais igualmente caros.

E o outro departamento, que nunca entre na contabilidade oficial é o "departamento de maldades", que cuida desde a escuta telefônica de opositores, a publicação de mentiras, hoje na internet, a destruição de material do adversário. Não é um departamento barato.

O que as empresas ganham? É o que muitos perguntam. Elas ganham a sobrevivência. O investimento feito retorna em poucos meses. Basta um atraso na renovação de passes, um linha que possa ser mexida, um aumento de 10 centavos, um asfalto contratado com 15 centímetros que possa ter uma medição amiga, uma escola quase caindo, por erro de cálculos, que não representará sanções no futuro, um piso trocado numa rua, por algo inferior ao cotado, a concessão de uma festa, sem impostos e muita ajuda municipal, tudo faz a diferença, o povo não vai saber e a justiça não ira investigar.

Assim, o administrador eleito, passará sua administração pagando contas, com empresários. O povo se dá por feliz e vamos para a próxima eleição, onde tudo se repete... Ainda necessitamos acreditar no salvador. O novo, que vem para mudar.


O Vitorioso


Hoje quem vence as eleições não é um candidato, mas um grupo político comando por interesses de empresários. Ai contamos com a sorte, se o candidato é o suficiente corajoso e digno para romper com o sistema e governar para o povo.

E assim continuará, até que exista uma reforma política e a justiça eleitoral seja equipada, principalmente com técnicos capacitados e intocáveis. Além disso há a necessidade de financiamento publico e emissão de bônus para “tocar” a campanha. Com leis claras, e punições severas e imediatas.
Mas nada disso funcionará sem a reforma cultural, pois o povo tende a eleger seus iguais.
Não há espaço para a ilusão. A mudança deveria começar pelo povo, mas a ignorância é obstaculo. Logo se torna importante avaliar o candidato, saber de seus processos, seus costumes e torcer para que ele apos se eleger rompa com o processo. Não existe a menor possibilidade de candidaturas independentes, a não ser para se fazer o jogo daqueles que dominam.

A farsa democrática



Acreditar em conhecimento político macro, sem conhecer a divisão de poder nas províncias é mera ilusão. Macro é o coletivo de muitos micros. Ou micros são as formadoras do grande poder.


Como explicar isso?


É difícil teorizar, o que na pratica, foi sendo construído há séculos, mas só nos últimos 15, ou 20 anos começou a se transformar numa nova geografia do poder.


É a divisão do país em feudos. Senhores feudais promovidos a donos de regiões, onde elegem seus marionetes e comandam os serviços, compras, concessões, empreendimentos, e desenvolvimento necessário para iludir o povo.


A tradução desse esquema não é muito fácil, seria necessário investigar para poder provar, mas acredito que antes de uma investigação, os investigadores serão aniquilados.


Tudo está relacionado à manutenção do poder. Para se ter um grande poder federal, forma-se a teia do pequeno poder.


Essa teia é formada por prefeitos, vereadores e alguns juristas, que dão sustentação a um grande volume de negócios. Todos ganham e se divertem nessa esfera do “micro”, mas o grande numerário vai para o senhor feudal, que repassa parte de seus lucros, ao macro, ou seja, a manutenção do grande poder.


Nenhum prefeito é eleito por sua qualidade política, ou sua capacidade administrativa, mas por fazer parte e compactuar com os esquemas regionais, sem a possibilidade de traição, ou revolta. Isso não impede que o eleito possa ser o melhor daquele pleito, naquela localidade, o que é raro. Em outras palavras, acabaram as eleições românticas, o bom moço, bem intencionado, ou honesto, perdeu lugar para o funcionário dedicado ao esquema. A Máfia só promove aqueles que mostram serviços. E o estereotipo bom sujeito não se encaixa no perfil das grandes organizações.


Todo esse desmanche na eleição do “sujeito politico”, substituído pelo gestor de negócios, tem seu inicio na ditadura militar e vem se aprimorando até hoje, tendo a terceirização de serviços, como a grande responsável.


A terceirização tira poder e dinheiro dos municípios e estados, transferindo para um determinada empresa e retornando, não para o povo, mas para um grupo, pois os contratos visam esse retorno.


Para que isso acontecesse era necessário deteriorar a maquina estatal, o que foi feito com maestria e apoio popular. Primeiro promove-se a deterioração da empresa, depois a substituição pelo que seria a solução.


Essa substituição que se inicia na ditadura, com transportes, por exemplo, vem se ampliando, passa por comunicações e tende a chegar na saúde.


Só para exemplificar citamos a CMTC, da capital paulista. Durante anos a empresa serviu a população com um certa qualidade. A partir de uma certa data, ela propositalmente começa a dar prejuízo e mostrar a queda de qualidade dos serviços. Em substituição novas empresas são colocadas, com o discurso de melhor prestação de serviços para a população.


Na verdade a melhoria é pequena e passageira, mas a empresa rende aos seus proprietários e aos promotores do contrato. Rende de maneira que se torna impossível apontar a corrupção implícita.


Esse procedimento passa rapidamente para outras áreas. Extinção de estradas de ferro, apoio a indústria automobilística, estimulo aos transportes por estradas, deterioração das estradas, para novas reformas e terceirização de pedágios, indústria de sinalização, privatização das multas, enfim, uma rede infinita de lucros privados, em substituição ao estado, com devoluções milagrosas.


Assim também acontece na merenda escolar, onde os municípios perdem receitas, os estudantes perdem qualidade, os pequenos produtores perdem vendas e uma empresa fatura, mas colabora com mesadas e patrocínios eleitorais.


Mas não fica só ai, a área de entretenimento também se terceiriza. De festas de peão a copas do mundo, tudo é entregue a inciativa privada, não porque ela administra melhor do que o estado, isso é mentira, mas porque o estado deve prestar contas, já o privado pode manter os gestores do estado, sob a mira de contas nas Ilhas Virgens, sem macular a imagem dos bons gestores.


Toda essa estrutura está montada em cima de regiões, de províncias, onde existe um senhor feudal, um comandante do esquema. Ele escolhe quem será o prefeito, alguns vereadores e deputados. Ele dá as cartas, pois tem com ele as empresas que prestarão os serviços e vendas. De transportes coletivos, a uniformes escolares, passando por empreendimentos imobiliários a venda de remédios, tudo já está selecionado. E todas as empresas e seus empresários serão os financiadores do caixa dois de campanha. Ninguém ira aparecer na contabilidade oficial.


Tudo é feito de forma a dar o tom de transparência e democracia. No final o candidato será eleito e a campanha terá um custo declarado de 10% do que realmente foi. Apenas ilustrando o fato, um político com reais condições de vencer o pleito, se não fizer parte do esquema, será aniquilado até por questões pessoais, com a colaboração da imprensa, que também faz parte das terceirizações.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O poder que vem das províncias...

Acreditar em conhecimento político macro, sem conhecer a divisão de poder nas províncias é mera ilusão. Macro é o coletivo de muitos micros. Ou micros são as formadoras do grande poder.  
Como explicar isso? 
É difícil teorizar, o que na pratica, foi sendo construído há séculos, mas só nos últimos 6, ou 7 anos começou a se transformar numa nova geografia do poder.  
É a divisão do país em feudos. Senhores feudais promovidos a donos de regiões, onde elegem seus marionetes e comandam os serviços, compras, concessões, empreendimentos, e desenvolvimento necessário para iludir o povo.  
A tradução desse esquema não é muito fácil, seria necessário investigar para poder provar, mas acredito que antes de uma investigação, os investigadores serão aniquilados.  
Tudo está relacionado à manutenção do poder. Para se ter um grande poder federal, forma-se a teia do pequeno poder. 
Essa teia é formada por prefeitos, vereadores e alguns juristas, que dão sustentação a um grande volume de negócios. Todos ganham e se divertem nessa esfera do “micro”, mas o grande numerário vai para o senhor feudal, que repassa parte de seus lucros, ao macro, ou seja, a manutenção do grande poder.  
Nenhum prefeito é eleito por sua qualidade política, ou sua capacidade administrativa, mas por fazer parte e compactuar com os esquemas regionais, sem a possibilidade de traição, ou revolta. Isso não impede que o eleito possa ser o melhor daquele pleito, naquela localidade, o que é raro. Em outras palavras, acabaram as eleições românticas, o bom moço, bem intencionado, ou honesto, perdeu lugar para o funcionário dedicado ao esquema. A Máfia só promove aqueles que mostram serviços. E o estereotipo bom sujeito não se encaixa no perfil das grandes organizações.  
Todo esse desmanche na eleição do “sujeito politico”, substituído pelo gestor de negócios, tem seu inicio na ditadura militar e vem se aprimorando até hoje, tendo a terceirização de serviços, como a grande responsável. 
A terceirização tira poder e dinheiro dos municípios e estados, transferindo para um determinada empresa e retornando, não para o povo, mas para um grupo, pois os contratos visam esse retorno. 
Para que isso acontecesse era necessário deteriorar a maquina estatal, o que foi feito com maestria e apoio popular. Primeiro promove-se a deterioração da empresa, depois a substituição pelo que seria a solução.  
Essa substituição que se inicia na ditadura, com transportes, por exemplo, vem se ampliando, passa por comunicações e tende a chegar na saúde.  
Só para exemplificar citamos a CMTC, da capital paulista. Durante anos a empresa serviu a população com um certa qualidade. A partir de uma certa data, ela propositalmente começa a dar prejuízo e mostrar a queda de qualidade dos serviços. Em substituição novas empresas são colocadas, com o discurso de melhor prestação de serviços para a população.  
Na verdade a melhoria é pequena e passageira, mas a empresa rende aos seus proprietários e aos promotores do contrato. Rende de maneira que se torna impossível apontar a corrupção implícita.  
Esse procedimento passa rapidamente para outras áreas. Extinção de estradas de ferro, apoio a indústria automobilística, estimulo aos transportes por estradas, deterioração das estradas, para novas reformas e terceirização de pedágios, indústria de sinalização, privatização das multas, enfim, uma rede infinita de lucros privados, em substituição ao estado, com devoluções milagrosas.  
Assim também acontece na merenda escolar, onde os municípios perdem receitas, os estudantes perdem qualidade, os pequenos produtores perdem vendas e uma empresa fatura, mas colabora com mesadas e patrocínios eleitorais.  
Mas não fica só ai, a área de entretenimento também se terceiriza. De festas de peão a copas do mundo, tudo é entregue a inciativa privada, não porque ela administra melhor do que o estado, isso é mentira, mas porque o estado deve prestar contas, já o privado pode manter os gestores do estado, sob a mira de contas nas Ilhas Virgens, sem macular a imagem dos bons gestores.  
Toda essa estrutura está montada em cima de regiões, de províncias, onde existe um senhor feudal, um comandante do esquema. Ele escolhe quem será o prefeito, alguns vereadores e deputados. Ele dá as cartas, pois tem com ele as empresas que prestarão os serviços e vendas. De transportes coletivos, a uniformes escolares, passando por empreendimentos imobiliários a venda de remédios, tudo já está selecionado. E todas as empresas e seus empresários serão os financiadores do caixa dois de campanha. Ninguém ira aparecer na contabilidade oficial.  
Tudo é feito de forma a dar o tom de transparência e democracia. No final o candidato será eleito e a campanha terá um custo declarado de 10% do que realmente foi.  
Apenas ilustrando o fato, um político com reais condições de vencer o pleito, se não fizer parte do esquema, será aniquilado até por questões pessoais, com a colaboração da imprensa, que também faz parte das terceirizações.