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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Brasil, de golpe a golpe


A história republicana está a sugerir uma categoria de golpe operado dentro da ordem institucional-legal vigente.

As definições correntes dizem-nos que os golpes de Estado se caracterizam pela surpresa, pela violência militar ou civil e pela ilegalidade.
Ilegalidade, evidentemente, em face da ordem legal que fraturam, pois, na sequência, o golpe de Estado vitorioso (e só esse conta) impõe sua própria legalidade.
A Proclamação da República apresentou as características clássicas dos golpes de Estado: a ilegalidade e a ruptura da ordem constitucional
Malogrado, o golpe de Estado é condenado como crime político; vitorioso, transforma-se em fonte de poder e de direito, autoritário ou não.
Nossa história é farta em exemplos de golpes de Estado, desde o Primeiro Reinado, mas nem todos podem ser classificados como ilegais, exatamente por terem sido operados dentro da ‘ordem’ e, portanto, sem violência e sem determinarem rupturas constitucionais.
Assim, por exemplo, a insubordinação das tropas que 1831 levou o primeiro Pedro à abdicação do trono, e, mais tarde o ‘Golpe da maioridade’ (assim foi registrado pela História) que levaria seu filho ao trono em 1840, aos 15 anos incompletos.
O fato histórico Proclamação da República, porém, apresenta as características clássicas dos golpes de Estado, a saber, a ilegalidade (o levante das forças armadas contra seu chefe supremo e o regime que juraram defender) e a ruptura da ordem constitucional, com a queda do Império.
A rigor, a implantação da República tem no golpe de 1889 apenas o seu parto, pois o novo regime só se consolidaria, ainda criança, com o golpe, de explícita ilegalidade, do marechal Floriano Peixoto (1891), investindo-se na presidência após a renúncia de Deodoro, contra o ditado da Constituição republicana recém aprovada.
Nesta República de muitos golpes e contragolpes dois golpes clássicos merecem destaque, a saber, um, que rasgando a Constituição de 1934 instituiu a ditadura do ‘Estado Novo’ (1937), e aquele outro que em 1º de abril de 1964 instaurou a ditadura militar, decaída em 1984.
A característica comum de todos eles, é a ruptura da ordem constitucional, nos dois últimos casos mediante a violência, compreendendo alteração institucional e instauração de regimes de exceção caracterizados pela repressão policial-militar, a revogação dos direitos individuais e das garantias constitucionais, a supressão das liberdades – especificamente das liberdades de imprensa, de reunião e de associação – e a revogação dos mecanismos da democracia representativa (‘Estado Novo’) ou sua vigência custodiada pelo novo regime (1964-1984).
Mas a história republicana está a sugerir uma categoria de golpe de Estado que, alterando a composição do Poder, a função e o objeto de todo e qualquer golpe ou insurreição ou revolução, se opera dentro da ordem institucional-legal vigente.
Lembro, a propósito, dois episódios recentes de nossa história, o 11 de novembro de 1955 e a instituição, em 1961, do parlamentarismo. Ambos formalmente legais e ambos curatelados pelos militares e ambos operados pelo Congresso Nacional
O primeiro decorreu de reação de setores militares legalistas, comandados pelo ministro da Guerra, o general Henrique Lott, à manobra comandada pelo presidente da República e seus ministros da Aeronáutica, da Marinha e da Casa Militar, visando a impedir a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart, eleitos presidente e vice-presidente da República.
Diante da reação do Exército, o Congresso decretou numa assentada o impedimento do presidente em exercício (Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados) e, seguindo a ordem da sucessão constitucional, empossou Nereu Ramos, vice-presidente do Senado, no cargo.
O fato foi apresentado como ‘contragolpe legalista’ e, assim, festejado. Em outras palavras, o Congresso, atendendo à voz majoritária das Forças Armadas, e no rigor de sua competência constitucional, dava um golpe de Estado (o impedimento dos presidentes), para impedir, eis sua justificativa em busca de legitimação, o golpe de Estado que visava a fraturar a Constituição, impedindo a posse dos eleitos.
De forma similar, tivemos o golpe parlamentarista de 1961, já referido, quando o Congresso Nacional, diante da sublevação militar que intentava impedir a posse do vice João Goulart (episódio decorrente da renúncia de Jânio Quadros), revogou o presidencialismo e aprovou a implantação pro tempore do parlamentarismo.
Nas duas situações agiu o Congresso Nacional nos termos de sua competência constitucional.
E, lamentavelmente, parece que fizemos escola.
Similarmente o Congresso paraguaio, em 2012, revogou, mediante impeachment, o mandato do presidente Fernando Lugo e o Judiciário hondurenho decretou, em 2009, a deposição e prisão do presidente José Manuel Zelaya.
Se o golpe de Estado, em regra, é promovido contra um governante, em 1937, no Brasil, foi a arma de que lançou mão o próprio governante, para fazer-se ditador, donde não ter havido mudança de mando nem de controle do poder.
O golpe clássico – com a deposição do governante— é substituído pela mudança de governo, mantido o governante.
O golpe, faz-se por dentro, manipulado pela burocracia estatal associada a segmentos da classe dominante. É quando o golpe também pode operar-se de forma lenta e continuada, sem ruptura institucional mas determinando alterações na ordem constitucional.
Neste caso, o que caracterizaria o golpe de Estado (ou essa espécie de golpe por dentro do sistema) seria a alteração de poder sem violência e dentro da ordem legal, ou seja, utilizando-se da própria ordem legal para fazer as alterações requeridas pelo novo projeto de poder.
Permanece a definição de golpe de Estado porque sua efetividade determina uma nova coalizão de poder, ao arrepio da soberania popular.
É um golpe de Estado que não pode ser acoimado de ilegal.
Essas reflexões tentam compreender a crise constituinte brasileira de hoje ao identificar a operação de um ‘golpe’ dentro do Estado, comandado internamente por uma burocracia estatal, autônoma em face da soberania popular e dos instrumentos da democracia representativa.
Essa burocracia governativa opera em condomínio com forças poderosas do capital concentrado, cujo objetivo é, na contramão do pronunciamento eleitoral de 2014, restaurar o controle neoliberal sobre a economia e o Estado.
O cerco do Estado em função dessa política sem voto mas representativa do poder econômico revela seus primeiros movimentos ainda em 2014, quando, perdidas as eleições, decide o grande capital a tomada do governo, impondo-lhe a política rejeitada eleitoralmente.
Nesse sentido, operou e opera de forma desabusada a imprensa monopolizada, ecoando o que lhe dita a direita.
Seu primeiro fruto foi o ajuste fiscal, mas a ele não se limitou, impondo todo o receituário neoliberal: privatizações, precarização das relações de trabalho, independência do Banco Central, política de juros altos, as medidas recessivas que constroem o desemprego e, com audácia jamais vista, a fragilização da Petrobrás, para que se torne irrelevante e possibilite que o Pré-Sal, maior reserva de hidrocarbonetos descoberta no planeta nos últimos 30 anos, seja capturado pelas grandes petroleiras privadas mundiais.
Para tanto chegou-se ao requinte: a empresa, atacada por escândalos e pela crise internacional do petróleo, é desmoralizada, a queda de suas ações em bolsa é atingida pela especulação e pela campanha de descrédito da grande imprensa, e nesse quadro anuncia-se a redução dos investimentos e para a venda de ativos na bacia das almas.
A agenda do governo é ditada pelos adversários do governo, e dentro dele estamentos burocráticos autarquizados – setores do Ministério Público, setores do Judiciário, setores da Polícia Federal – associados à grande imprensa – operam no sentido da desestabilização do governo.
Juiz de estranha jurisdição nacional preside como se delegado fôsse inquérito que lhe caberia sanear e julgar com isenção; procuradores, promotores e juízes, até mesmo ministros de tribunais superiores, antecipam juízos sobre pessoas que estão sendo ou serão por eles julgadas, a prisão preventiva é transformada em instrumento policial que visa a obter delações premiadas.
A imprensa, irresponsável em sentido pleno, transforma o acusado em condenado sem sursis e o submete à execração pública irreparável. O Congresso, comandado política e ideologicamente por uma oposição numericamente minoritária, opera o desmonte das conquistas sociais das últimas décadas.
O governo, nascido das bases populares da sociedade, opta pelo acordo de cúpula com os Partidos, tornando-se prisioneiro de uma base parlamentar infiel, desleal e extremamente cara.
Necessitado do apoio social, faz concessões às forças conservadoras; afasta-se das massas sem demover a direita de seu projeto golpista.
Quem não se inspira na história está condenado a repeti-la, repetindo seus erros.
Roberto Amaral
O livro A serpente sem casca ( da ‘crise’ à Frente Popular) pode ser adquirido através do site da editora Contraponto clicando aqui.
Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia
Leia mais em: www.ramaral.org

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Paris e as lágrimas de crocodilo.

Paris e as lágrimas de crocodilo.

As vítimas da ignomínia terrorista devem ser igualmente pranteadas

Caça francês decola para novo ataque aéreo na Síria
Caça francês decola para novo ataque aéreo na Síria
Comecemos pelo incontroverso: o terrorismo não tem justificativa nem ética, nem moral, nem religiosa, nem política, nem tática, nem estratégica. É um ato de lesa-humanidade, primitivo e brutal que nega a civilização e a própria evolução humana. A medida de sua ignomínia independe de suas vítimas, se europeus ou norte-americanos ou judeus, se asiáticos ou árabes ou africanos ou persas ou turcos, ou palestinos, ou cristãos ou muçulmanos ou hindus. Se brasileiros. Onde quer que ocorra um só ato terrorista, a vítima é a humanidade como coletivo.
Por isso suas vítimas precisam ser igualmente pranteadas. Se o justo clamor provocado pela barbárie que se abateu sobre os parisienses – decretada uma vez mais pelo chamado Estado Islâmico –, se levantasse ante todos os atos de terrorismo, a começar pela violência inominável e covarde do terrorismo de Estado das grandes potências ocidentais, talvez o mundo conhecesse menos horror e nós hoje não nos sentíssemos tão desamparados.
A indignação mediática que nos querem impor, porém, é seletiva, e contra esse viés precisamos reagir, pois só assim emprestaremos força moral à nossa reação.
Querem justamente que choremos quando as explosões são em Paris (ou Nova Iorque, ou Madri) e atingem pessoas com as quais nos identificamos cultural e fisicamente, mas dessa mesma violência pouco nos falam quando explode em Cabul, ou quando suas vítimas são negros, ou árabes, ou asiáticos ou palestinos ou persas. Nesses casos a violência é banalizada porque não nos ameaça (ora, somos ocidentais e brancos!), assim como não nos atinge a violência urbana quando restrita às periferias de nossas metrópoles, fazendo vítimas predominante entre negros e pardos e pobres, sejam marginais, sejam civis indefesos, sejam policiais.
Na quinta-feira 12, na véspera dos atentados parisienses, cerca de 60 pessoas perderam a vida e os feridos contam-se em mais de duas centenas, vítimas de atentados levados a cabo pelos mesmos facínoras do EI. Mas desta feita a explosão do irracionalismo se deu no Líbano, e suas vítimas eram árabes, na maioria membros do Hezbollah, adversário de Israel, aliado xiita do Irã mas inimigo de morte do EI.
Na Turquia, dias antes, o EI matara 100 pessoas na Estação Central de Ancara.
Suas vítimas não contaram com o pranto mediático, muito menos sequer uma vela foi acesa com a morte dos mais de 200 passageiros do avião russo derrubado nos céus do Egito, pelo EI, sempre ele.
Já entrou para o esquecimento a sorte dos 700 mil palestinos, expulsos de suas terras e de suas casas pelos continuados assentamentos do Estado de Israel. Não nos choca mais saber que se contam em cerca de 100 os palestinos mortos pelas incursões do poderoso exército de Israel, só no ultimo mês.
Sequer nos perguntamos quantas vidas foram ceifadas na Guerra contra o Afeganistão, quantas foram ceifadas na invasão do Iraque, quantas presentemente estão sendo ceifadas na Líbia e na Síria onde EUA, França e Inglaterra, que pretendem a derrubada de Assad, exercitam sua guerrinha-fria contra a Rússia, que dá sustentação diplomática e política ao ditador.
Para nós, em nosso distanciamento, foi impossível conhecer a dramaticidade da ‘guerra’ do Iraque promovida pelos EUA. Pela televisão, ‘ao vivo a cores’, em cadeia mundial, sem a visibilidade de cadáveres, sem sangue, a invasão foi, emocionalmente, apresentada como um reality show ou um vídeo game futurista. Registramos apenas a estética dos mísseis com suas luzes iluminado a escuridão do céu numa noite sem lua.
Síria, Turquia, Líbia, Iraque, todos fronteiras artificiais impostas pela Inglaterra e pela França a parir do Acordo Sykes-Piot (1916) que – violentando culturas e histórias milenares – serviu tão-só para redesenhar o Oriente Médio, para assim melhor explorá-lo.
Como surgiu esse ódio sectário que corre do Oriente Médio, e que se estende pela Ásia e pela Europa e vem ensanguentar as cidades mais queridas do Ocidente?
Quem financia tanto terror?
Quem entrega armas e equipamentos de guerra nas mãos desses facínoras?
A resposta inescapável é única: são os que hoje derramam lágrimas de crocodilo.
O chamado Estado Islâmico, uma decorrência da Al Qaeda – por sua vez uma criação dos EUA – é financiado pelos petrodólares dos países do Golfo Pérsico, à frente de todos a Arábia Saudita, a maior potência do Oriente Médio, e principal aliada do Ocidente (seja lá o que isso hoje signifique).
São também esses dólares que financiam a indústria bélica do EUA, da Inglaterra e da França, os maiores fabricantes de armas e equipamentos de guerra do mundo, os maiores fornecedores e os maiores traficantes de armas. E, não obstante, ou por isso mesmo, são eles, os fornecedores de armas aos terroristas que nos ameaçam e matam seus povos, membros com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Segurança?
Osama Bin Laden – é sabido – foi recrutado, treinado e financiado pelos EUA para dar combate às tropas soviéticas que defendiam o governo do Afeganistão. Em crise, a Al Qaeda (aquela do atentado contra as torres gêmeas) foi salva pela invasão do Iraque pelo segundo Bush. Dela surge o EI.
Assim e em nome de nada – ora em nome do combate a tropas soviéticas no Afeganistão, ora em nome de mentiras deslavadas (as ‘armas de destruição em massa’ de Sadam Hussein), ora sob o pretexto da defesa de minorias (Síria), ora sob pretexto nenhum (Líbia), os EUA – com a cooperação militar da França e da Inglaterra –, destruíram as estruturas sociais-religiosas do Iraque e dos demais países, acenderam conflitos religiosos e tribais, destruíram nações e as organizações políticas. Em síntese, com a anarquia e o caos, ensejaram a proliferação de verdadeiros ‘Estados’ armados com exércitos agressivos, exércitos de terroristas aptos a agir em qualquer parte do mundo.
O Estado Islâmico e seu califado no Iraque e na Síria são fruto da invasão e destruição do Afeganistão, do Iraque, da Síria e da Líbia. A França interveio na Síria e os EUA financiam e dão assistência militar (inclusive com o fornecimento de armas e munições aos terroristas (que eles batizam de ‘rebeldes’) que lutam contra a ditadura de Bashar al-Assad, que, por seu turno, apoiado pela Rússia, combate o EI.
Os facínoras do EI colhem o fruto da destruição dos Estados árabes, de suas organizações sociais e politicas, e, nomeadamente, da destruição das forças armadas do Iraque, da Síria e da Líbia, cujos quadros foram atraídos pelos fanáticos, que também se beneficiam, ainda graças à intervenção do ‘Ocidente’, com o rompimento do tênue equilíbrio de forças entre xiitas e sunitas consequente das derrubadas de Saddam Hussein e Muamar Kadafi.
Os EUA, após a ignomínia do 11 de Setembro, conduziram operações secretas, com drones e execução de civis suspeitos em 70 países. Da injustificada invasão do Iraque – país que nada tinha com o ataque covarde – resultou uma guerra desastrosa (condenada até mesmo nas memórias do Bush pai) que fortaleceu a Al Qaeda (lembremos mil vezes, criada pelos EUA para combater os soviéticos no Afeganistão) e propiciou as condições para o surgimento do EI. Deu no que deu. O medíocre François Hollande, elevado pelos terroristas à condição de ‘presidente marcial’ fala em guerra.
Que virá depois?
O simplório Jeb Bush, irmão do Bush 2 (o principal responsável pela depredação do Iraque e suas consequências vividas hoje), já declarou, em campanha pela candidatura republicana à presidência dos EUA, que o atentado de Paris é “uma tentativa de destruição da civilização ocidental”.
Antes dele, e melhor e mais perigosamente do que ele, Samuel Huntington já havia anunciado o ‘choque de civilizações’ (na essência a ‘guerra’ contemporânea teria como eixo os conflitos culturais e religiosos, opondo nossas civilizações), dando sua lamentável contribuição para a intolerância e o ultra anti-islamismo que ameaça infeccionar a sociedade norte-americana.
O cenário é muito mais complexo do que supõe a mediocridade, dividindo o mundo entre os ‘bons’ (nós) e os ‘maus’ (os outros) com o que a nova direita europeia (ex-socialistas incluídos) e os republicanos estadunidenses simplesmente repetem o maniqueísmo dos fanáticos que pretendem combater, os ‘cruzados’ com sinal trocado, pois, hereges, agora, somos nós, os que não seguimos Alá.
Algozes e vítimas, cada um a seu modo, se identificam na estratégia de propagar o ódio contra os que não compartilham sua ideologia. O ódio de um é a força que alimenta o ódio do outro e, assim, se tornam irmãos siameses e interdependentes.
Voltamos às Cruzadas?
A violência terrorista avança no mundo e agora grassa em uma Europa onde a xenofobia não é nova mas é crescente. As manifestações de preconceitos étnicos, especialmente contra os árabes, soma-se à intolerância religiosa, particularmente o anti-islamismo, reforçado pelos atos de terrorismo.
Essas manifestações prosperam em todo o mundo, mas avançam principalmente nos EUA (onde se tornam corriqueiras entre os pré-candidatos republicanos) e na Europa, símbolo de civilização que não conhece a inocência, mas sim a guerra como a arte da política: guerras fratricidas, guerras de conquista, séculos de exploração e depredação coloniais, uma história de colonialismo, pirataria, opressão dos povos subjugados. Em um só século duas guerras mundiais e o holocausto.
Roberto Amaral
Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia

domingo, 1 de março de 2015

A cultura do golpe é a falta da cultura nacional.




Artistas e intelectuais com história, que lutaram contra a ditadura, com trajetória de vida e passado digno mostram, que existem pessoas compromissadas com a transformação do Brasil. 

É necessário observar que nenhum indivíduo honesto, digno e com o mínimo de cultura é favorável a um golpe. 




O acesso às universidades é um dos fatores, que mais influenciam na tentativa de golpe. O acesso a faculdade é um indicador de mão de obra mais qualificada e cara no futuro. Nenhum empresário quer pagar mais. Nossa cultura capitalista ainda é escravagista. 

Políticas sociais tiram da classe dominante o direito a dar esmolas, transferem ao estado a obrigação de cuidar do povo. 

A falácia da ditadura é colocada na cabeça de ignorantes, com estrema facilidade. Parte do povo é covarde e prefere ser dominado. Acreditam nas falácias de segurança e honestidade, que esse mesmo povo não tem. São sonegadores, compram o guarda, enganam a alfandega, dão golpe no troco, param um minutinho na vaga, que não é deles e por ai vai. Foram covardes na ditadura e ainda dizem, "eu e meus pais nunca tivemos problemas", é claro, sempre foram covardes, treinados desde crianças a cuidar apenas dos próprios interesses.

A transformação do estado laico em estado fundamentalista, em grande parte por culpa do PT, que para manter a governança, fez acordos, deixou crescer, deu TVs e ministérios, é outro fator para as constantes manifestações fascistas. O estado de direito, aos poucos se transforma em estado de direita, com atraso cultural e cientifico e a criação de uma sociedade acéfala. 

A manipulação da cultura, iniciada por FHC, o empobrecimento dos laços culturais, que formam uma nação e a falta de uma política nacional de cultura, substituída por PSDB e posteriormente PT, numa política de louvação ao lixo cultural, para manutenção de uma população idiota, faz parte da ascensão dos golpistas. Hoje qualquer idiota vira líder de um povo faminto intelectualmente. Ainda que não saiba. 

O PT fez mudanças básicas necessárias e inesperadas na promoção do individuo, mas para manter o poder fez o jogo da direita, comprando o próprio poder, em vez de criar uma geração culta, que hoje estaria lutando pela manutenção das mudanças. Ainda tem gente lutando, é claro, mas pela troca de favores, não pela ideologia, ou cultura promovida e adquirida. 

A fase negra pode passar, ainda podemos reagir e ter um governo social, mas não é fácil, o PT resolveu dormir com o inimigo e dentro das próprias trincheiras ele é mais forte. Não se misturam tribos nem torcidas. Ainda não. Não construímos essa cultura da mistura no mesmo espaço. 

Para se manter no poder o PT se prostituiu. Deitou com gregos e troianos. Não construiu a ponte que levaria a isso. Não promoveu a inclusão cultural. Essa é a principal função do ministério da cultura. Fiz isso por um curto período na minha cidade, vi a raiva da classe dominante, mas o que interessava era meu cliente, o povo, que participava. E os "dominantes", nesse período, não puderam, por falta de coragem, se manifestar. 

A classe, que hoje se reuni para promover gritos, que nem eles mesmos sabem o porque é altamente manipulável. É a classe esquecida pelos projetos culturais, que nunca existiram. Cultura no Brasil virou promoção de projetos duvidosos e de péssimo gosto. Para apaniguados do poder. 

Aos manipuláveis golpistas restou a cultura do falso patriotismo. Comandados por líderes interesseiros, que lucram desde a venda de camisetas para tontos até nas grandes licitações, como o povo como massa de manobra. Eles são a massa idiotizada e órfãos culturais. 
São os zumbis sociais repetindo palavras de ordem feitos papagaios de putas.   

Ainda há tempo de mudar. Temos e principalmente a cúpula do PT tem que entender, que só existem dois tipos de revolução, armada, ou cultural. A cultural é fácil. Mas começa pelos exemplos. Não dá para exigir mudanças culturais, num governo onde a direita fascista e interesseira senta junto. Ministério é péssimo, incluindo alguns petistas como Mercadante e Cardoso. 

Não dá para ficar no poder, deitando com os opostos. Em minha cidade temos o exemplo: O PT para ganhar eleições foi buscar candidato, que era funcionário de confiança do governo tucano no estado. O SUS foi privatizado, que exemplo é esse, se o SUS é federal e propaganda do governo. O Km rodado de ônibus é o mais caro do Brasil. Como isso num país onde o partido que governa tem o nome de "trabalhadores"? Os opositores sofrem perseguição e ameaças de morte. Isso num país governado por um partido, que diz prezar a democracia. A maquina pública esta inchada, por incompetentes e derrotados petistas de outros municípios. Resultado disso, foi uma derrota de Dilma nas urnas, por uma placar que quase lembra os 7X1 da alemanda. 

Dá sim para reverter. Começando por mexer nos diretórios municipais, passando por ministérios, valorizando a cultura e governando com a verdade. 

Corram, que ainda dá...

Pós nota:





Quem possibilitou que tantos jovens pudessem entrar no Ensino Superior por meio do FIES, do PROUNI!? Quem possibilitou a construção de tantas Universidades Federais no país, bem como UFFS? O CAPES, que financia Bolsas, como o PIBD, PIBIC, e também Pós-Graduações, Mestrados e Doutorados etc.?  
E os  meios de financiamento que os Bancos hoje fornecem? 
E a facilidade na compra de imóveis? 
E a facilidade na abertura e fechamento de empresas? 
Aumentos de salários reais? 
Liberdade total de imprensa e investigações? 
Facilidades nas compras de veículos e eletrodomésticos? 
A maior obra de irrigação do nordeste?
1200 km de estradas de ferro? 
Médicos, onde jamais existiu? 

TUDO O QUE A CLASSE DOMINANTE ODEIA.


Vamos aos noticiários do Tio San, a tradução é Google. 

 Recém-reeleito presidente do Brasil, Dilma Rousseff, sobreviveu a uma enorme campanha de desinformação do Departamento de Estado norte-americano a ganhar um segundo turno contra apoiado pelos EUA Aécio Neves em outubro de 26. No entanto, já está claro que Washington abriu um novo assalto em um dos principais Os líderes do grupo dos não-alinhados BRICS das economias emergentes-Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul. Com uma larga escala US ataque de guerra financeira para enfraquecer a Rússia de Putin e uma série de desestabilizações destinadas a China, incluindo recentemente a Hong Kong US-financiado "Revolução Umbrella", se livrar do presidente social-minded do Brasil é uma prioridade para parar a contra-pólo emergente de Novo Mundo (des) Ordem de Washington.
A razão pela qual Washington quer se livrar de Rousseff é clara. Como presidente, ela é uma das cinco cabeças dos BRICS que assinaram a formação de os EUA 100,000 milhões dólares americanos BRICS Banco de Desenvolvimento e uma piscina de moeda de reserva no valor de mais outros US $ 100 bilhões. Ela também suporta uma nova moeda de reserva internacional para complementar e, eventualmente, substituir o dólar. Dentro do Brasil, ela é apoiada por milhões de brasileiros de baixa renda que foram retiradas da pobreza por seus diversos programas, especialmente o Bolsa Família, um programa de subvenção econômica para as mães de baixa renda e famílias.O Bolsa Família tem trazido um número estimado de trinta e seis milhões famílias da pobreza via Rousseff e as políticas econômicas de seu partido, algo que cria apoplexia em Wall Street e Washington.
Seu rival campanha apoiada pelos Estados Unidos, Aécio Neves do Partido da Social Democracia Brasileira (Partido Social da Democracia Brasileira - PSDB), serve os interesses dos magnatas e seus aliados de Washington.
Principal assessor econômico Neves ", que teria se tornado ministro das Finanças na presidência Neves foi Arminio Fraga Neto, um grande amigo e ex-sócio de Soros e seu fundo de hedge Quantum. Conselheiro sênior Neves ', e Ministro dos Negócios Estrangeiros provavelmente tinha ele ganhou, era Rubens Antônio Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington e hoje um diretor sênior de ASG com sede em São Paulo.
ASG é o grupo de consultoria de Madeline Albright, ex-secretário de Estado dos EUA durante o bombardeamento da Jugoslávia 1999 dos EUA. Albright, um diretor do líder dos EUA think-tank, Council on Foreign Relations, é também presidente do Governo dos EUA prime "Cor Revolution" ONG, o Instituto Nacional Democrático (NDI). Não surpreendentemente, Barbosa durante a campanha recente, defendeu o reforço das relações Brasil-Estados Unidos e uma diminuição dos fortes laços Brasil-China desenvolvidos pela Rousseff, na sequência de revelações de espionagem EUA por NSA sobre Rousseff e seu governo.
Emergentes escândalo de corrupção
Durante a campanha eleitoral acirrada entre Dilma e Neves, a oposição Neves começou a rumores de que Rousseff, que até agora nunca tinha sido associada à corrupção tão comum à política brasileira, foi implicado em um escândalo envolvendo a gigante estatal de petróleo, a Petrobras circulante. Em setembro, um ex-diretor da Petrobras alegou que os membros do governo de Dilma Rousseff recebeu comissões sobre contratos assinados com a gigante do petróleo que foram então usados ​​para comprar apoio no Congresso. Rousseff serviu no conselho de administração da empresa até 2010 .
Agora em 2 de novembro, apenas alguns dias após vitória suada de Dilma, a maior empresa de contabilidade dos EUA, PriceWaterhouseCoopers, se recusou a assinar lucros do terceiro trimestre da Petrobras. PWC exigiu investigação mais ampla sobre o escândalo de corrupção envolvendo a estatal de petróleo da empresa .
PricewaterhouseCoopers é um dos mais empresas de contabilidade dos EUA dominada pelo escândalo. Foi implicado em 14 anos de encobrir fraude no grupo de seguros AIG, que esteve no centro da crise financeira de 2008 nos EUA. E a Câmara dos Lordes britânica em 2011, criticou PwC para não chamar a atenção para os riscos do modelo de negócio seguido por Northern Rock banco, um grande desastre em crise financeira imobiliário da Grã-Bretanha de 2008, um cliente que teve de ser socorrida pelo governo do Reino Unido. Os ataques contra Rousseff estão aumentando, podemos ter certeza.
Estratégia Global de Dilma
Não é meramente aliança de Dilma com os países do BRICS que fez dela um alvo principal desestabilização Washington. Sob seu mandato, o Brasil está se movendo rapidamente para dissociar a partir de US NSA vulnerabilidade vigilância eletrônica.
Dias depois de sua reeleição, a Telebras estatal anunciou planos para construir um grande submarino de telecomunicações por cabo de fibra óptica para Portugal através do Atlântico. O cabo Telebras planejado será executado 3500 milhas a partir da cidade brasileira de Fortaleza para Portugal. Ele representa um grande pausa para as comunicações transatlânticas com tecnologia US dominação. Notavelmente, Telebras presidente Francisco Ziober Filho disse em uma entrevista que o projeto de cabo será construído sem nenhum US empresas .
As revelações Snowden NSA, em 2013, entre outras coisas revelou os laços íntimos de importantes empresas de TI estratégicos como a Cisco Systems, Microsoft e outros para a comunidade de inteligência dos EUA. Ele afirmou que "A questão da integridade dos dados e vulnerabilidade é sempre uma preocupação para qualquer empresa de telecomunicações."
Brasil tem reagido aos vazamentos da NSA, fazendo auditorias minuciosa de todos os equipamentos de fabricação estrangeira para verificar se há vulnerabilidades de segurança e acelerou o movimento do país em direção à auto-suficiência tecnológica de acordo com o chefe da Telebrás.
Até agora, praticamente todo o tráfego de Trans-Atlantic TI encaminhado via da costa leste da EUA para a Europa e África a grande vantagem de espionagem para Washington
Reagindo aos vazamentos de Snowden, o governo Dilma Rousseff ordenou rescisão de contratos com a Microsoft para os serviços de e-mail do Outlook. Rousseff declarou na época que era para ajudar a "evitar uma possível espionagem." Em vez o Brasil vai nacional com o seu próprio sistema de e-mail chamado Expresso, desenvolvido pela estatal Servico Federal de Processamento de Dados (Serpro). Expresso já é utilizado por 13 dos 39 ministérios do país. O porta-voz Serpro Marcos Melo afirmou, "Expresso é 100 por cento sob nosso controle." Se for verdade ou não está claro é que, sob Rousseff e seu partido o Brasil está perseguindo o que ela vê como melhor nacional do Brasil interesse .
Petróleo Geopolítica também Key
O Brasil também está se afastando da dominação anglo-americana de sua exploração de petróleo e gás. No final de 2007, a Petrobras descobriu o que foi estimado em uma nova bacia gigantesca de petróleo de alta qualidade na Plataforma Continental Brasileira offshore na Bacia de Santos. Desde então, a Petrobras tem afundado 11 poços de petróleo na Bacia de Santos, tudo bem sucedido. No Tupi e Iara sozinho, a Petrobras estima que existam 8-12000000000 de barris de petróleo recuperável, o que pode atuais quase o dobro de reservas de petróleo brasileiras. No total, o Brasil Continental Shelf poderia conter mais de 100 bilhões de barris de petróleo, transformando o país em uma grande potência de petróleo e gás, algo Exxon e Chevron, os gigantes de petróleo dos EUA têm tentado difícil de controlar .
Em 2009, de acordo com vazou telegramas diplomáticos norte-americanos publicados via Wikileaks, Exxon e Chevron foram anotados pelo Consulado dos EUA no Rio de estar a tentar, em vão, alterar uma lei proposta pelo mentor e antecessor de Dilma no Partido dos Trabalhadores do Brasil, o presidente Luis Inácio Lula da Silva, ou Lula como ele é chamado.
Essa lei 2009 fez o operador-chefe Petrobras estatal de todas offshore de blocos . Washington e os gigantes de petróleo dos EUA estavam furiosos com a perda de controle sobre a chave potencialmente a maior nova descoberta de petróleo único em décadas.
Para piorar as coisas nos olhos de Washington, Lula não só empurrou ExxonMobil e Chevron para fora da posição de controlo em favor da Petrobras estatal, mas ele também abriu a exploração de petróleo no Brasil para os chineses. Em dezembro de 2010, em um de seus últimos atos como presidente, ele supervisionou a assinatura de um acordo entre a empresa de energia brasileira-espanhola Repsol e da China estatal Sinopec. Sinopec formaram uma joint venture, a Repsol Sinopec Brasil, investindo mais de 7,1 bilhões dólares em direção a Repsol Brasil. Já em 2005 Lula havia aprovado formação de Sinopec International Service Petroleum do Brasil Ltda como parte de uma nova aliança estratégica entre China e Brasil, um precursor do atual BRICS organização .
Washington não estava feliz.
Em 2012, em uma perfuração de exploração conjunta, Repsol Sinopec Brasil, a norueguesa Statoil e Petrobras fez uma nova e importante descoberta no Pão de Açúcar, o terceiro no bloco BM-C-33, que inclui a Seat e Gávea, este último um do mundo de 10 maiores descobertas em 2011. EUA e grandes petrolíferas britânicas estavam longe de ser visto .
Como as relações entre o governo de Dilma Rousseff e China, bem como a Rússia e os outros parceiros do BRICS aprofundou em maio de 2013, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden fez um trio para o Brasil, onde sua agenda foi focada no desenvolvimento de petróleo e gás. Ele se reuniu com a presidente Dilma Rousseff, que sucedeu seu mentor Lula em 2011. Biden também se reuniu com as empresas de energia líderes no Brasil, incluindo a Petrobras .
Enquanto pouco foi dito publicamente, Rousseff se recusou a reverter a lei do petróleo de 2009, em uma forma adequada de Biden e Washington. Dias após a visita de Biden vieram as revelações Snowden da NSA que os EUA também haviam espionado Rousseff e altos funcionários da Petrobras. Ela estava lívido e denunciou a Administração Obama que setembro perante a Assembleia Geral da ONU por violar a lei internacional. Ela cancelou uma visita planejada Washington em protesto.Depois que as relações EUA-Brasil deu um mergulho.
Antes de maio 2013 a visita de Biden Dilma Rousseff tinha 70% de índice de popularidade. Menos de duas semanas depois de Biden deixou o Brasil, os protestos em todo o país por um grupo bem organizado chamado Movimento Passe Livre, mais de 10 cent aumento nominal tarifa de ônibus, levou o país praticamente a uma parada e ficou muito violento .  Os protestos trazia a marca de um típico "revolução colorida" ou Twitter desestabilização que parece seguir Biden onde quer que ele faz uma presença. Dentro de semanas de Dilma popularidade caiu para 30%.
Washington tinha enviado claramente um sinal de que Rousseff teve de mudar de curso ou enfrentar problemas sérios. Agora que ela ganhou a reeleição e derrotou os oligarcas de direita bem financiados e da oposição, Washington vai tentar claramente com energia renovada para se livrar de um outro líder BRICS em uma oferta cada vez mais desesperada para manter o status quo. Parece que o mundo já não se encaixa a atenção, como o fez em décadas passadas, quando Washington deu a ordem de marcha. O ano de 2015 vai ser uma aventura, não só para o Brasil, mas para todo o mundo.
F. William Engdahl é consultor de risco estratégico e professor, ele é formado em política da Universidade de Princeton e é um autor best-seller do petróleo e geopolítica, exclusivamente para a revista on-line  "New Oriental Outlook"
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http://journal-neo.org/2014/11/18/brics-brazil-president-next-washington-target/