segunda-feira, 7 de setembro de 2015

De volta ao passado.

De volta ao passado.

O Brasil perdeu. Perdeu todas as conquistas e lutas dos últimos 38 anos.  Perdeu as lutas iniciadas em 1976, a lutas contra a censura, as lutas por eleições, as lutas por uma constituinte.
Em nome de uma “governança” rasgaram a constituição.
As vitórias por liberdade i igualdade foram usadas para dar a palavra aos conservadores, ladrões e vendilhões do templo.
Ressuscitaram as múmias que em 1964 saíram às ruas berrando histericamente contra João Goulart.
Das lutas contra a censura, sobraram as vozes dos conservadores, usando a liberdade para pregar a ditadura econômica, a volta ao passado e o fim de benefícios sociais.
Das lutas por igualdade de raça, gêneros, religião e social, surgiram os pastores, com toda liberdade pregando o retrocesso e o fim  da própria liberdade.
As armadilhas deixadas pela ditadura foram armadas para explodirem  no futuro, hoje. Culpa da reforma agraria, que não foi feita, da reforma educacional, que não foi feita. Da reforma política, que não foi feita. Da inclusão social, que não foi feita. Da reforma econômica, que não foi feita.
A volta ao passado é a volta do ódio represado. Ódio das elites, que quase perderam o poder.
A culpa é mais que partidária. É cultural. É a culpa da ignorância.
Tudo o que aconteceu depois de 1982  é culpa dos que se elegeram em 1982, que acreditaram apenas na democracia como propulsora das mudanças, que por medo, ou sonho, não foram feitas.
Brizola, Montoro, Arraes, entre outros deveriam ter ido além, mas acreditaram num futuro estado democrático, onde tudo se ajeitaria com o tempo e as necessidades de uma nova sociedade seriam conquistadas a medida que reivindicadas.
Erraram, mas foram alertados. Pelo menos por 3, ou 4 vezes,  por dois, ou três gatos pingados.
E o futuro chegou rápido. Chegou com PSDB criando mecanismos de compra de congressistas, para não repetir a cassação de Collor. Chegou com o PSDB entregando riquezas da terra, aos donos do mundo. Chegou com o PT assumindo e criando uma nova casta de congressistas compráveis e cada vez mais caros.
E no meio disso tudo, claro, pequenas conquistas sociais, que foram tudo que tivemos no pós ditadura, além de um plano Real, feito pelo Itamar (e esquecido) e de uma constituinte cidadã e democrática, assinada por Ulisses, mas já rasgada, sem qualquer proteção da justiça , ou do exercício.
A direita dessa vez, apoiada em pastores de cordeiros dóceis e treinados, usando o poder da mídia para converter ignorantes e a raiva das paneleiras, sem domésticas baratas, podem jogar o país de volta a 1954. Parece que desde a saída de Washington Luís, 1954 foi marcado como data permanente do calendário brasileiro.
A culpa não é do PT, ou do PSDB, ou do que sobrou no PMDB. Esses apenas são instrumentos dos mesmos de sempre. Fazem qualquer coisa por poder  e as diferenças políticas se resumem ao que vão entregar aos donos do mundo e o valor das vendas.
Muitos me chamam de defensor do PT, errado. Desde 2002 voto no PT, nas eleições majoritárias, porque conheço o PSDB. Convivi com alguns membros desse grupo desde 1976. Ai está o maior motivo pela opção petista.
O PT que não é diferente na essência ideológica. Começou por um movimento de trabalhadores das multinacionais, que reivindicavam sobre tudo, salários.  Nunca foi um movimento social. Mas teve adesão de políticos, que acharam oportuno transformar esses trabalhadores em núcleos de políticos ativos, embora incultos. Uma classe trabalhadora, que queria virar patrão. Dá na mesma, é como a revolução dos bichos, no fim sentam-se na mesma mesa com os mesmos propósitos. Achando é claro, que fazem parte da casta. Ledo engano. A casta não abre espaço para os não portadores de pedigrees.
E o PT fez o progresso social, sentado na mesma mesa do patrão, achando que fazia parte do grupo, mas para fazer parte do grupo era necessário dividir o pão.
Assim foi, dividiram o pão com congressistas e aprimoraram o mensalão, sem a mesma categoria de um tucano, quando cria o trensalão. E usando a linguagem popular:   deu merda.
Mas não se contentaram com isso. Fizeram posteriormente a politica dos dominantes, a recessão religiosamente preparada para criar insatisfação, a economia da cartilha do Delfim  e de todos aqueles que passaram pelo governo.
Queimaram suas lideranças poéticas e historicamente relevantes, como Genuíno e Dirceu. Afastaram Plínio e outros saudosistas sonhadores. Deram o poder aos ignorantes, ressuscitaram as múmias peemedebistas, a ponto do coveiro ser o vice e como Nosferato ressurgir alegre e retumbante nos becos escuros do poder.  Deram vós aos pastores  e criaram uma nova raça. A raça dos ignorantes com voz.
Dilma foi reeleita, não porque era a melhor, mas porque os concorrentes eram infinitamente piores. Reeleita deu poder a quem nunca teve, ou já estava enterrado.
Depois da bolsa banqueiro, criada por tucanos, foi o PT, quem mais ajudou a classe dominante e ai criou a bolsa multinacionais. O Brasil criando condições para a indústria automobilística financiar carros de luxo vendidos a preços baixos na Europa.
Esqueceram até que somos um país agrário, mas não do Blairo Maggi e companhia. Esqueceram que um país agrário é o país da reforma agraria. Ai sim a geração de empregos e a volta do homem ao campo, num país continental, seria bem vinda.
Esqueceram da reforma tecnológica, esqueceram acima da tudo da reforma cultural. A verdadeira reforma, que traria a inclusão social.
Enfim, Dilma está na mesma sala de Washington Luís em seu ultimo dia de governo.  Não se sabe quantos dias irá durar. Pode ser até o último dia, mas o Brasil já voltou ao passado. A crise econômica é passageira, mas a crise social, intelectual, cultural é irreversível a curto prazo. Voltamos pelo menos 50 anos.

Será necessário que novas gerações surjam, com aprimoramento cultural e investimento  intelectual. Mas isso não vai acontecer.  Em 2050 talvez voltemos a 1982 e ai, se tudo der certo, poderemos retomar conquistas sociais de 1982. 

domingo, 30 de agosto de 2015

Roberto Amaral: ‘Não tenho nenhum respeito ético pelas posições de Aécio’

Roberto Amaral: 'nao tenho Nenhum Respeito ético Pelas Posições de Aécio'

 

Expressão histórica da Esquerda nenhum país, ex-presidente do PSB Diz Que aparente Recuo de senador mineiro Sobre impeachment "Faz parte de Algum Jogo de Política menor", e volta a criticar Seu partido

 

por:  Eduardo Maretti, da RBA

Roberto Amaral: "É essencial No processo Democrático de Defesa do mandato da presidente da República"
Roberto Amaral: "É essencial No processo Democrático de Defesa do mandato da presidente da República"
São Paulo - O ex-presidente nacional do PSB Roberto Amaral, representante histórico da Esquerda brasileira, TEM defendido uma Formação de frente UMA populares Forças progressistas parágrafo UNIR EM Defesa da democracia. Crítico mordaz de Seu proprio partido, o PSB, that refundou nenhuma pós-Ditadura, em 1985, Junto com Jamil Haddad, Antônio Houaiss e Evandro Lins e Silva, Amaral comentou, em entrevista à  RBA, A MAIS Recente declaração do senador Aécio Neves ( PSDB-MG). "Eu nao tenho Nenhum Respeito ético Pelas Posições fazer ex-Candidato Aécio", Diz Amaral.
Em aparente Recuo, o senador tucano Disse em entrevista a Kennedy Alencar, Publicada Hoje (28), no blog do jornalista, que "AINDA NÃO ESTÁ claro" haver Motivos Para o impeachment de Dilma Rousseff. "Reconheço ISSO. Mas nada impede that Dentro de Algum ritmo ISSO ocorra ", afirmou Aécio AINDA. "Dizer Que Não Tem Motivo: 'AINDA' ... Quer Dizer, AINDA vai se PROCURAR? E ELE descobriu ágora Que Não Tem Motivo? ", Question Roberto Amaral.
He tambem nao economiza Críticas Ao Seu partido, o PSB, Que apoiou Aécio não em Segundo turno de 2014, e volta a Dizer Que o partido adotou Uma postura "oportunista". "Vejo mal Muito (o papel do PSB no Processo Político Atual), desde agosto do ano Passado, Quando decidiu NÃO ELE APOIAR um Dilma", Diz. "A decisão de fazer PSB APOIAR Aécio foi burra e oportunista".
Ministro de Ciência e Tecnologia do Governo Lula (entre 2003 e 2004), Amaral VEM Criticando Seu partido also Pela intenção, Hoje adiada, de Alguns Líderes de se fundir com o PPS, que "completaria um direitização fazer partido".
ESTA Programado nº 5 de setembro o Lançamento da Frente Brasil defendida POR Amaral, em Belo Horizonte.
Hoje, o senador Aécio Neves Parece ter recuado e afirmou que "AINDA NÃO ESTÁ claro" que Haja Razão Jurídica PARA O impeachment. Como o sr. Afirmação recebe tal?
Eu nao tenho Nenhum Respeito ético Pelas Posições fazer ex-Candidato Aécio. He assumiu o Lado golpista. He ágora, com ESSE Negócio de Dizer Que Não Tem Motivo, "Ainda", E UMA Coisa sem SENTIDO. Tem Motivo ou Não tem? Dizer Que Não Tem Motivo AINDA ... Quer Dizer, AINDA vai se PROCURAR? E ELE descobriu ágora Que Não Tem Motivo? E QUANDO ELE estava Pedindo Novas Eleições?
Entao, Não levo a serio, NÃO considero Importante NEM Relevante uma declaração DELE. ISSO Faz parte de Algum Jogo de Política menor, e NÓS TEMOS Que nsa preocupar com Questão Política Maior. A Questão fundamentais E o Respeito Ao Processo. ELE ESTÁ Querendo Recuperar como Tradições da UDN, that Toda vez Que perdia Eleições propunha hum golpe de Estado. O QUE TEMOS that discutir E uma voz soberana das urnas.
Como Avalia um Conjuntura?
E fundamentais No processo Democrático de Defesa do mandato da presidente da República, independentemente de Ser um Dilma, era Importante Como garantir uma legião EO mandato de Juscelino. O Que resta E uma Regra do Processo Democrático. This E a Regra Democrática: Disputa rápido você, OU Perde Ganha e em frente vai. ISSO e Pará fundamentais de uma Ordem Democrática. ISSO e Pará fundamentais uma brasileira Economia.
A brasileira Economia, a Economia Produtiva, uma Política Externa nossa, NÃO PODEM Ficar permanentemente à espera de Uma crise, uma crise se Esperar se agrava, or se amainar vai. NÓS TEMOS that ingressar na normalidade. Já se Vao Quase Oito meses da posse e Quase Um Ano das Eleições. Como Eleições Já terminaram. O Que Estou Querendo E OS that that liberais entendam o pleito do impeachment UO da Convocação de Eleições e Um pleito golpista. QUANDO em 1954 ficaram inventando o "mar de lama", A Questão NÃO era o "mar de lama", that provou-se that era inexistente. A Questão era impedir o Governo Vargas, e impedir o reajuste do Salário Mínimo e impedir estatais como that ELE estava Criando.
A MESMA Coisa se operou em 1964. O Problema era uma Promessa de Reformas de Base do Jango, ea Direita ENTÃO inventou that estava defendendo a Constituição, Os liberais acreditaram Nisso, were Às Ruas um favor da Queda de Jango, EO Primeiro Ato de dos golpistas foi Destruir a Constituição.
Como o sr. Vê o desdobramento da crise, com otimismo OU pessimismo?
O Que Estou Querendo Passar E that A Questão vai Além da sustentação ou Não faça mandato da Dilma. Com o mandato dela mantido, TEMOS that enfrentar a Ascensão do Pensamento de Direita; sem o mandato dela, TEMOS that enfrentar uma Ascensão das Forças de Direita. É Preciso dar sustentação de centro-Esquerda Ao Governo dela. A Política se Faz com Correlação de Forças. Se como Forças progressistas liberais de Esquerda NÃO fortalecerem o Governo da Dilma, ELA vai Ficar NAS Mãos das Forças conservadoras.
Qual sua posição Sobre o papel do PSB Nesse Processo?
Vejo mal Muito, desde agosto do ano Passado, Quando decidiu NÃO ELE APOIAR um Dilma. ELE NÃO entendeu Que o Projeto Aécio - e ESTÁ Muito claro ágora - era hum Processo de direitização, de Redução dos DIREITOS dos Trabalhadores e de autoritarismo, Que ESTÁ Construindo Esse clima de intolerância no Brasil.
O sr. Chegou a Dizer há Alguns meses que o PSB ESTÁ POR dominado oportunistas ...
E o Seguinte: a decisão do PSB de APOIAR o Aécio foi Uma decisão burra e oportunista. Por oportunista que? Porque o fez pensando Que o Aécio ia Ganhar como Eleições. Entao, pegou TODO O Nosso patrimônio, pegou Toda a Nossa História, de Todos os NOSSOS Projetos e jogou nessa aventura, pensando Que o Aécio ia Ser eleito. Só ISSO POR. E foi Uma decisão burra Porque, Diante da crise dos Partidos de Esquerda - e NÃO Precisa explicar, Está todo Mundo vendo ESSA crise -, o PSB poderia Ser o grande desaguadouro dos Quadros de Esquerda, progressistas, that estao insatisfeitos com Seu partido.
Se Eduardo Campos NÃO tivesse morrido, o PSB poderia ter Sido ESSE desaguadouro?
E o Mais provável, Mas Não Estou Totalmente seguro Disso, Porque Tudo dependeria de Como seria o de Campanha final, Como seria sem Segundo turno, Como seria a posição do partido. He Morreu sem inicio do turno Primeiro.
O sr. also Já criticou Muito um eventual Fusão fazer PSB com o PPS, that foi adiada ...
Foi adiada Porque houve Uma Reação da militância, mas um Expressão E Correta: foi adiada. De: Não Quer Dizer Que foi de todo afastada. ISSO completaria um direitização fazer partido.
Nesse Quadro, o sr. térios condições de se Manter nenhuma PSB?
O meu papel não PSB sempre foi de puxar o partido Pela Esquerda. QUANDO Decidi com Antônio Houaiss EO Jamil Haddad refundar o partido, NOS pensávamos em hum Partido Socialista. A Minha posição NÃO Mudou. Eu continuo achando Que o Brasil Precisa de hum Partido Socialista e coerente, e vou continuar 'lutando POR ISSO.
Fonte:  Brasil 247
Roberto Amaral

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Contradições capitalistas.

Contradições capitalistas.

Os EUA, no pós-segunda guerra, para promover o desenvolvimento  baixou os juros, criou programas sociais, investiu em treinamento, educação, etc.
O Brasil no início do governo Lula, baixou  os juros, aumentou financiamentos, criou programas sociais, abriu as portas para investimentos.
A receita de Lula não foi diferente da norte-americana na década de 1940, mas por aqui capitalistas torceram o nariz. Uma das causas aparentes seria o acesso do pobre a bens de consumo e moradias, além de estudos, que acabam aumentando o custo da mão de obra dos ricos, ainda que o desenvolvimento aumentem também os seus lucros. São as características do capitalismo. Henry Ford já sabia disso, o funcionário bem pago era também seu principal consumidor. Mas isso não funciona bem por aqui.
Classes abastadas não querem concorrência, mesmo que a “concorrência” dê lucro. É mais do que capitalismo é uma cultura escravagista, exploradora, subsidiada e canalha, que vem do império e se transmite de pai para filho, desde que os portugueses chegaram e os religiosos  começaram a matar os habitantes da terra, transformando o continente em capitanias hereditárias.
Hoje vemos Dilma contrariando as leis do desenvolvimento, fazendo o jogo da classe dominante local, aumentando juros, distribuindo subsídios aos empresários e reeditando a cartilha de Delfim, de Sarney e FHC. A cartilha do país para poucos, do fazer o bolo crescer, para depois dividir.

Alguém já viu empresário dividindo alguma coisa? 

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A crassa inaptidão para projetos estratégicos

A crassa inaptidão para projetos estratégicos

estação de lançamento
Um programa espacial completo exige estação de lançamentos, foguete e satélites. O Brasil não atende, hoje, a nenhum desses requisitos. Nossos satélites, meteorológicos, são fabricados em colaboração com a China, onde também são montados e de onde são lançados. Assim, de estação chinesa, por foguete chinês. O esforço de mais de 30 anos, voltado à construção do projeto da Aeronáutica – o Veículo Lançador de Satélites (VLS), tecnologicamente superado – , chegara ao fim em 2003, com a terceira e trágica tentativa de lançamento, ceifando, naquele evento, a vida de 21 técnicos e cientistas brasileiros. O projeto da Alcântara Cyclone Space (ACS) – o caminho para ingressar no restrito grupo dos países que exploram o espaço – acaba de fechar suas portas com a denúncia, pelo governo brasileiro, do Tratado firmado em 2003 com a República da Ucrânia, de que resultou a cooperação dos dois países na exploração espacial.
Esses fatos objetivos nos colocam poucas alternativas. Ou nos conformamos com a condição de dependentes de outros países para a construção e lançamento de nossos satélites, ou, finalmente, cederemos nossa soberania para que aqui os EUA instalem sua estação de lançamento, nos moldes de subserviência e renúncia à soberania caracterizados pelo tratado firmado no governo FHC, e cuja tramitação no Congresso Nacional o presidente Lula, em hora sábia, soube paralisar. Com nossa importância territorial (e responsabilidade continental), econômica e estratégica, somos o único país do mundo – dentre os que possuem esse peso geopolítico – sem programa espacial próprio, quando mais crucial se torna o domínio do espaço, instrumento de controle do território, do mares, das riquezas minerais, das florestas e do desmatamento, das comunicações (inclusive militares), das variações meteorológicas, do controle das safras e de nossa segurança.
Qual o objetivo do encontro do Brasil com a Ucrânia na exploração do espaço? Saltar etapas, nos associando a quem detinha tecnologia e com poderia ela construir um projeto de interesse comum. República mais industrializada da URSS, a Ucrânia domina tecnologia de construção de foguetes e lançamentos há quase 60 anos. Desde a Independência (1991) tornou-se importante concorrente no mercado lançador de satélites. Pelo acordo firmado conosco primeiro, lançaríamos o já vitorioso Cyclone IV, construiríamos (como estávamos fazendo) o Centro de Lançamentos em Alcântara com tecnologia ucraniana, e, no segundo momento, projetaríamos e construiríamos, juntos, o Cyclone V. Desde o primeiro momento, as instalações industriais ucranianas estiveram franqueadas aos técnicos brasileiros, inclusive militares. O convívio entre técnicos ucranianos e brasileiros, o aperfeiçoamento em comum do foguete, entre outras atividades, representariam efetiva transferência de tecnologia. O Brasil estaria adquirindo o conhecimento necessário para dominar uma das áreas mais importantes da indústria aeroespacial. Esta a questão.
O encontro de interesses se conjugava na medida em que o Brasil construísse sua própria base (para exploração comum), e a Ucrânia desenvolvesse o veículo, montando a plataforma de lançamentos, em nosso território. Tudo isso no município de Alcântara, Maranhão, a 02º18’ de latitude sul do Equador (Kourou, na Guiana, onde está o centro de lançamento europeu, nosso concorrente comercial, a segunda melhor localização, está a 5 graus ao norte) o que confere a qualquer objeto na superfície uma velocidade tangencial elevada, um impulso inicial muito favorável aos lançamentos equatoriais, como é o caso dos satélites de comunicação. Isso se traduz em aumento de 30% da capacidade de transporte (ou o correspondente em economia de combustível) tornando nossos lançamentos mais competitivos comercialmente.
Estima-se que o mercado global de lançamentos de satélites movimente US$ 6 bilhões/ano, e sabe-se que na disputa de mercado o Cyclone se apresentaria premiado por vantagens comparativas, a começar pelo menor custo de seus lançamentos. A ACS alimentava a expectativa de disputar de quatro a seis lançamentos anuais, ao preço médio de US$ 50 milhões. Nossa posição geográfica privilegiada fazia do Brasil peça-chave no setor. Todos os centros de lançamentos se encontram no hemisfério norte. O Brasil era a única expectativa de sucesso ao sul do equador (tendo, portanto, melhor acesso ao seu mercado), agregando vantagens ausentes, por exemplo, nos EUA e na Rússia.
O projeto foi, desde sempre, furiosamente combatido por forças internas e externas. A começar (eles sempre) pelos EUA, que em 1997 impediram a FIAT de empreender uma joint venture com o Brasil (então representado pela Infraero) e a Ucrânia (representada pela Yuzhnoye) para o lançamento desse mesmo Cyclone-4 a partir de Alcântara.
Os EUA tentaram ainda nos impor um acordo de subalternidade para instalar sua própria estação em Alcântara (tratado de lesa-pátria firmado no governo FHC, relembro) e em memorandum, atendendo a consulta, dizem à República da Ucrânia ‘continuarem entendendo que o Brasil não deve ter programa espacial’. São os mesmos EUA que, com o objetivo claro de prejudicar nosso projeto, proíbem (comunicado do Departamento de Estado a um cliente) o lançamento por Alcântara de quaisquer satélites contendo componente de sua fabricação. Milita ainda contra o projeto Cyclone a Rússia, que, para além das mais que explícitas disputas com a Ucrânia, pretende vender-nos seu próprio lançador.
Foram incontáveis as pressões de grupos ditos ecológicos/fundamentalistas, a ação de órgãos governamentais, como a Fundação Palmares, açulando quilombolas contra o investimento, a incompreensão de setores da FAB que entendiam que os recursos gastos deveriam ser alocados na ressurreição do VLS, de dirigentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão do próprio Ministério da Ciência e Tecnologia, que entendiam que todos os recursos deveriam ser carreados para o acordo com a China, e incompreensões dentro do governo, como resistências da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, aquela querendo tratar a ACS como se uma sociedade anônima fosse, esse deixando de repassar recursos autorizados pela Presidência da República. A estrutura burocrática não consegue, e não deseja, entender o significado de um programa estratégico.
A ACS se instala em dezembro de 2007 e logo no início de 2008 é surpreendida por decisão judicial proibindo a ação de seus técnicos em Alcântara. A sentença, lavrada sobre ‘laudo antropológico’, dizia que aqueles técnicos, com suas ações (coletas de exemplares da fauna e da flora e amostras do terreno, requeridas pelo IBAMA para avaliar a licença de instalação) haviam incomodado os antepassados dos quilombolas. Essa interdição, cretina e impune, consumiu 14 meses de despesas e inatividade. A licença de instalação, atribuição do IBAMA, levou nada menos que 461 dias para ser concedida. Na sequência, o INCRA, por meio de portaria, condenada pelo Presidente da República, mas nem por isso revogada, declara território quilombola 68% do município de Alcântara, deixando a salvo apenas o distrito-sede e a área já ocupada pelo Centro de Lançamentos do VLS, da FAB. A ACS não tinha mais onde instalar-se! Foi salva, após meses de negociações, pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que determinou seu acolhimento, sob aluguel (!), em área do Centro de Lançamentos de Alcântara-CLA, sob comando da Aeronáutica. Em setembro de 2010 o IBAMA emite a licença que permite o início das obras do sítio de lançamentos da ACS. A construção do Centro de Lançamentos da ACS é iniciada em outubro de 2010 e finalmente interrompida em março de 2013 para nunca mais ser retomada.
A questão central, não é o fim do programa espacial, em si grave, mas a dificuldade brasileira de acompanhar o progresso tecnológico de seus parceiros, principalmente nas chamadas áreas sensíveis, ou que requerem alta tecnologia, como a cibernética e a nuclear, ao lado do Programa espacial as áreas declaradas como prioritárias pela Estratégia Nacional de Defesa (Decreto nº 6.703, de 18 de dezembro de 2008) onde se lê (item 6)
“(…) Como decorrência de sua própria natureza, esses setores [o espacial, o cibernético e o nuclear] transcendem a divisão entre desenvolvimento e defesa, entre o civil e o militar. Os setores espacial e cibernético permitirão, em conjunto, que a capacidade de visualizar o próprio país não dependa de tecnologia estrangeira e que as três Forças, em conjunto, possam atuar em rede, instruídas por monitoramento que se faça também a partir do espaço”.
Parece sem remédio a inaptidão da sociedade brasileira para desenvolver projetos estratégicos, aqueles que definem os grandes objetivos que concertam os valores nacionais e condicionam os planos e as ações governamentais, a saber, as táticas necessárias para atingir tais objetivos.
Roberto Amaral

Brasil, de volta ao passado. E agora:Qual será o próximo passo?

Brasil, de volta ao passado. 
E agora:Qual será o próximo passo?





Um país cujo congresso se reuni para fazer homenagem a Globo e um senador da esquerda se enche de elogios, não sabe que existiu uma Excelsior, que optou pela verdade e sumiu para surgir o império Marinho.
É o mesmo país, cujo um ex-presidente, intelectual de província, nunca trabalhou, tem várias aposentadorias e chama aposentado de vagabundo.
É um país, onde um ex-ministro da saúde, sob o pretexto de fazer genéricos acabou com a industria farmacêutica e de cosméticos nacional, que nascia na grande Curitiba e em Diadema.
É um país, onde o jornalista da Globo, já foi ajudante de ditador e quer ver o brasil privatizado, de preferencia nas mãos de empresas norte-americanas.
É o país dos golpes, do golpe nos negros, com a chegada do Império no Rio, que atrasou 60 anos o fim da escravidão, é o país do golpe no império de de tantos golpes na republica.
É o país dos paulistas pretensamente trabalhadores, mas aqui quem trabalha são os nordestinos, mineiros, italianos e japoneses. ainda assim é a terra dos netos falidos de barões do café, que ainda possuem escravos. Brancos, mas escravos.
É o país onde o congresso só vota se tiver mensalão, mas ai vota contra o mensalão e não vota sem dinheiro na mão.
É o país que tem bancada religiosa, onde o atraso comanda e a ignorância é santa. Tem a bancada rural, onde a Monsanto comanda e a bancada da bala, que prega a morte como solução.
Hoje é o país que dorme pensando em golpe, golpe pelo golpe, pois se tá ruim com a Dilma, pior ficará com o coveiro de plantão.
Claro, a Dilma está fazendo uma merda de governo, encheu os ministérios com a direita safada e não ganhou nada com isso. Deu ministérios para banqueiros e fortaleceu Mercadante.
Mas e ai, e se fosse o Aócio? Dez vezes pior, mas tem gente que ainda pagaria para ver.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Erguer-se para enfrentar a reincidência reacionária

Erguer-se para enfrentar a reincidência reacionária

Precisarão nossas esquerdas de muita coragem para avançar e de muita humildade para rever seus erros. O duro é que o tempo urge

Pesquisa revela que 45% dos brasileiros se identificam, ideologicamente, com a centro-direita e a direita
Pesquisa revela que 45% dos brasileiros se identificam, ideologicamente, com a centro-direita e a direita
Não deveriam despertar arrepios os dados de recente pesquisa do Datafolha, indicando que 45% dos brasileiros se identificam, ideologicamente, com a centro-direita e a direita (13% se assumem como de direita e 32% de centro-direita), contra 35% que se dizem de centro-esquerda ou de esquerda (28% de centro-esquerda e 7% de esquerda), o que não encerra tudo, pois esses números sequer têm correspondência na composição do Congresso Nacional, majoritariamente de direita.
Consideradas as contingências e o ambiente político – como o emblemático monopólio ideológico exercido pelo pensamento de direita sobre os meios de comunicação no Brasil –, esses números até que podem ser bem recebidos, embora sempre reclamem a autocrítica que a esquerda orgânica – e à frente de todos o PT, ora teimoso, ora hesitante – recusa fazer. Os fatos não são fruto do acaso, nem o bem, como o mal, fruto da Providência, nem as eleições e as derrotas, nem o prestígio e o descrédito. Tudo tem sua razão de ser, e os fenômenos sociais estão à espera de quem os explique.
A inexistência de outra pesquisa para efeito de comparação empobrece a análise, que se volta para esses números como quem considera uma fotografia, um momento artificialmente estático, tomado ao acaso, sem um antes conhecido. Nesses termos, pensar um depois é risco para qualquer vidência. Considero, porém, que esses números revelam o deslocamento do centro – uma estação ideológica, um êmbolo – para a direita partidária, como consequência do deslocamento do PMDB da centro-esquerda para a centro-direita e do PSDB, da centro-esquerda conservadora para a direita tout court. Um e outro partidos levaram consigo, como cracas, seus satélites, uma sopa de letras que não merece menção. O deslocamento da tendência ideológica da população – movimento a ser melhor avaliado – terá sido consequência desse movimento partidário. Mas é preciso dizer que essa hipótese não encerra a verdade toda.
O mesmo oscilar à direita se observou no âmbito dos partidos de esquerda, acometidos, pela atração irresistível do Poder, de suicida leniência político-ideológica e ética, o que também contribuiu para a degradação geral da política e, por consequência, da governança. Também a esquerda no poder se deixou envolver pelo pragmatismo conservador, absorvendo acriticamente métodos, hábitos e valores da direita, inevitavelmente confundindo a cidadania e seus eleitores, assim abrindo caminho para a competição deletéria dos grupos privados, ao risco do apoderamento do Estado. Com a consequências sabidas por todos e por quase todos lamentadas.
O desempenho dos meios de comunicação como formuladores e veiculadores do pensamento de direita, antes dos partidos, seus tributários (quase todo requerimento oposicionista, no Congresso, tem por gênese uma provocação e algum órgão de imprensa, tem cumprido papel que considero decisivo, independentemente de qualquer pesquisa.
Se a questão é ideológica, como suponho seja, torna-se fundamental estudar o papel dos chamados ‘aparelhos ideológicos do Estado’, ‘formadores da opinião’, a saber, além dos partidos, os meios de comunicação de massa, a escola decadente e, na especificidade brasileira, a emergência de um pentecostalismo primitivo e reacionário com estrutura econômica, política, parlamentar, comunicacional de sorte a influir ou ditar ora a agenda do Congresso, ora a do Congresso/Governo, ao preço do retrocesso político-social, da deseducação do povo, da construção do clima de insegurança pessoal e do medo individual que logo se transformará em medo coletivo.
Hoje, não sou o primeiro a afirmá-lo, não mais se pode falar em opinião pública, mas sim em opinião publicada, aquela que nasce da convergência das forças que militam contra o progresso social e toma a forma de verdade por obra e graça dos meios de comunicação, obreiros incansáveis da despolitização e da manipulação dos fatos. O monopólio os torna oráculos da ‘verdade’, uma impostura ideológica; o monopólio os torna ainda soberanos, pois está em suas mãos a ditadura do silêncio com que condenam ao esquecimento, à não-vida, a diversidade. Assim, sem ser notada, tijolo por tijolo foi construída a catedral do ‘pensamento único’, que, sonho dos melhores sonhos ideológicos, impera contra os fatos e muda a percepção da realidade.
É incompreensível que a burocracia das esquerdas brasileiras não se tenha detido, para agir, na avaliação do papel dos meios de comunicação na formação do pensamento político, e muito menos é compreensível que após mais de 12 anos de governo de centro-esquerda nada tenha sido feito com vistas à democratização dos meios de comunicação. Pior. Nossos governos, seguindo seus antecessores, contribuíram para o fortalecimento do monopólio ideológico e da cartelização empresarial que o nutre.
Mas há muitos problemas do lado de cá de nossa cerca.
É evidente que para o desgaste da imagem das esquerdas contribuíram as acusações do chamado ‘mensalão’ e da Operação Lava Jato. A crítica à exploração sensacionalista da imprensa ou às arbitrariedades das autoridades encarregadas das investigações não anula o fato objetivo dos desmandos efetivamente cometidos e que precisam ser apurados.
Esse é o fato a ser analisado em contraste com os anos 80, que registravam o avanço político da esquerda, alimentado por vitórias que caminhavam desde a campanha das Diretas-Já, a mais notável mobilização popular republicana, até a implosão do colégio eleitoral montado pela ditadura para eleger seu delfim (lembremos: Paulo Maluf, do PDS, hoje PP) e que terminou elegendo Tancredo Neves, o candidato da oposição que não tomaria posse.
Vivemos, presentemente, um ‘ponto morto’, aquele momento da História de um país que se pode dizer sem caráter próprio, uma estação de passagem. O passado ainda não foi superado e o futuro parece distante – e dele só podemos ter um visão embaçada. O desafio não se oferece à direita, que se articula e vai ocupando o terreno deixado livre, mas às esquerdas, de quem se reclamam forças para superar o passado que quer sobreviver no presente. E erguer-se, isto é pôr-se de pé, para enfrentar a reincidência reacionária. Além de engenho e arte para assegurar a vitória do futuro, para matar no nascedouro a semente da planta daninha do golpismo, da violência e da intolerância que, juntas, formam as bases do fascismo.
Precisarão nossas esquerdas de muita coragem para avançar e de muita humildade para rever seus erros. O duro é que o tempo urge.
Roberto Amaral

segunda-feira, 6 de julho de 2015

As vaias paulistanas...

Paulistano gosta de Maluf, de Pita, de Fleury, Alkmin, Kassab... Fascistas ignorantes. Servos de grandes industrias e políticos canalhas. Pobres ignorantes que se contentam em lamber o saco de rico. Acham que são ricos, são lixos respirando a poluição de grandes empresários que se divertem na Europa. São os bobos da corte, que se contentam em serem cumprimentados por seus ídolos.Foram os paulistanos que em 30 lutaram pelos fazendeiros, mas foi Getulio, que impulsionou a cidade. Foram os paulistanos, que em 64 sairam de terço nas mãos, junto com a TFP e criaram o Brasil do Terror. Foram paulistanos que apoiaram Maluf, Laudo, Marin, QUERCIA, SERRA, e apoiam o Aócio, aquele mesmo da turma do Helicoca. É o paulistano que não sabe quem está no caso HSBC, no Trensalão. Foram os paulistanos que criaram o delegado Fleury e a primeira rota de trafico de drogas. Fizeram crescer a igreja Universal e outras seitas. Paulistanos, uma gente a ser estudada...
Trabalhadores, desde que a mão de obra seja nordestina. Geradores de empregos, desde, que as empregadas sejam escravas. 


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