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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

De volta ao passado.

De volta ao passado.

O Brasil perdeu. Perdeu todas as conquistas e lutas dos últimos 38 anos.  Perdeu as lutas iniciadas em 1976, a lutas contra a censura, as lutas por eleições, as lutas por uma constituinte.
Em nome de uma “governança” rasgaram a constituição.
As vitórias por liberdade i igualdade foram usadas para dar a palavra aos conservadores, ladrões e vendilhões do templo.
Ressuscitaram as múmias que em 1964 saíram às ruas berrando histericamente contra João Goulart.
Das lutas contra a censura, sobraram as vozes dos conservadores, usando a liberdade para pregar a ditadura econômica, a volta ao passado e o fim de benefícios sociais.
Das lutas por igualdade de raça, gêneros, religião e social, surgiram os pastores, com toda liberdade pregando o retrocesso e o fim  da própria liberdade.
As armadilhas deixadas pela ditadura foram armadas para explodirem  no futuro, hoje. Culpa da reforma agraria, que não foi feita, da reforma educacional, que não foi feita. Da reforma política, que não foi feita. Da inclusão social, que não foi feita. Da reforma econômica, que não foi feita.
A volta ao passado é a volta do ódio represado. Ódio das elites, que quase perderam o poder.
A culpa é mais que partidária. É cultural. É a culpa da ignorância.
Tudo o que aconteceu depois de 1982  é culpa dos que se elegeram em 1982, que acreditaram apenas na democracia como propulsora das mudanças, que por medo, ou sonho, não foram feitas.
Brizola, Montoro, Arraes, entre outros deveriam ter ido além, mas acreditaram num futuro estado democrático, onde tudo se ajeitaria com o tempo e as necessidades de uma nova sociedade seriam conquistadas a medida que reivindicadas.
Erraram, mas foram alertados. Pelo menos por 3, ou 4 vezes,  por dois, ou três gatos pingados.
E o futuro chegou rápido. Chegou com PSDB criando mecanismos de compra de congressistas, para não repetir a cassação de Collor. Chegou com o PSDB entregando riquezas da terra, aos donos do mundo. Chegou com o PT assumindo e criando uma nova casta de congressistas compráveis e cada vez mais caros.
E no meio disso tudo, claro, pequenas conquistas sociais, que foram tudo que tivemos no pós ditadura, além de um plano Real, feito pelo Itamar (e esquecido) e de uma constituinte cidadã e democrática, assinada por Ulisses, mas já rasgada, sem qualquer proteção da justiça , ou do exercício.
A direita dessa vez, apoiada em pastores de cordeiros dóceis e treinados, usando o poder da mídia para converter ignorantes e a raiva das paneleiras, sem domésticas baratas, podem jogar o país de volta a 1954. Parece que desde a saída de Washington Luís, 1954 foi marcado como data permanente do calendário brasileiro.
A culpa não é do PT, ou do PSDB, ou do que sobrou no PMDB. Esses apenas são instrumentos dos mesmos de sempre. Fazem qualquer coisa por poder  e as diferenças políticas se resumem ao que vão entregar aos donos do mundo e o valor das vendas.
Muitos me chamam de defensor do PT, errado. Desde 2002 voto no PT, nas eleições majoritárias, porque conheço o PSDB. Convivi com alguns membros desse grupo desde 1976. Ai está o maior motivo pela opção petista.
O PT que não é diferente na essência ideológica. Começou por um movimento de trabalhadores das multinacionais, que reivindicavam sobre tudo, salários.  Nunca foi um movimento social. Mas teve adesão de políticos, que acharam oportuno transformar esses trabalhadores em núcleos de políticos ativos, embora incultos. Uma classe trabalhadora, que queria virar patrão. Dá na mesma, é como a revolução dos bichos, no fim sentam-se na mesma mesa com os mesmos propósitos. Achando é claro, que fazem parte da casta. Ledo engano. A casta não abre espaço para os não portadores de pedigrees.
E o PT fez o progresso social, sentado na mesma mesa do patrão, achando que fazia parte do grupo, mas para fazer parte do grupo era necessário dividir o pão.
Assim foi, dividiram o pão com congressistas e aprimoraram o mensalão, sem a mesma categoria de um tucano, quando cria o trensalão. E usando a linguagem popular:   deu merda.
Mas não se contentaram com isso. Fizeram posteriormente a politica dos dominantes, a recessão religiosamente preparada para criar insatisfação, a economia da cartilha do Delfim  e de todos aqueles que passaram pelo governo.
Queimaram suas lideranças poéticas e historicamente relevantes, como Genuíno e Dirceu. Afastaram Plínio e outros saudosistas sonhadores. Deram o poder aos ignorantes, ressuscitaram as múmias peemedebistas, a ponto do coveiro ser o vice e como Nosferato ressurgir alegre e retumbante nos becos escuros do poder.  Deram vós aos pastores  e criaram uma nova raça. A raça dos ignorantes com voz.
Dilma foi reeleita, não porque era a melhor, mas porque os concorrentes eram infinitamente piores. Reeleita deu poder a quem nunca teve, ou já estava enterrado.
Depois da bolsa banqueiro, criada por tucanos, foi o PT, quem mais ajudou a classe dominante e ai criou a bolsa multinacionais. O Brasil criando condições para a indústria automobilística financiar carros de luxo vendidos a preços baixos na Europa.
Esqueceram até que somos um país agrário, mas não do Blairo Maggi e companhia. Esqueceram que um país agrário é o país da reforma agraria. Ai sim a geração de empregos e a volta do homem ao campo, num país continental, seria bem vinda.
Esqueceram da reforma tecnológica, esqueceram acima da tudo da reforma cultural. A verdadeira reforma, que traria a inclusão social.
Enfim, Dilma está na mesma sala de Washington Luís em seu ultimo dia de governo.  Não se sabe quantos dias irá durar. Pode ser até o último dia, mas o Brasil já voltou ao passado. A crise econômica é passageira, mas a crise social, intelectual, cultural é irreversível a curto prazo. Voltamos pelo menos 50 anos.

Será necessário que novas gerações surjam, com aprimoramento cultural e investimento  intelectual. Mas isso não vai acontecer.  Em 2050 talvez voltemos a 1982 e ai, se tudo der certo, poderemos retomar conquistas sociais de 1982. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Reforma Política

Reforma política – 

Dois deputados federais se empenharam com a reforma política. Um deles é Candido Vaccarezza do PT e outro Ivan Valente do PSOL.  
Algumas questões no projeto discutido e encaminhado por são fundamentais para a consolidação das reformas, entre elas  o voto facultativo.
Vaccarezza lembra que todos os países democráticos e desenvolvidos têm o voto facultativo. Para ele, o cidadão precisa ter o direito de não votar.
Voto distrital: Sobre as novidades do texto elaborado pelo Grupo de Trabalho, o deputado explicou que foi prevista a criação da circunscrição eleitoral, ou seja, a divisão de estados em distritos. A ideia é manter o mesmo sistema atual de votações, mas o deputado faria campanha em sua circunscrição; diminuindo os gastos dos candidatos.
No estado de São Paulo, por exemplo, existiriam 10 distritos, onde seriam eleitos 7 deputados por distritos.  Não seria bom para mim, informou Vaccarezza, mas é bom para o Brasil.
O candidato de um partido pequeno, que era bem votado, porém o partido não atingia o coeficiente, poderia, pelo novo sistema,  ser eleito, com  o coeficiente das sobras.
Para Vaccarezza, a redução de despesas com campanha chegaria a 70%.  No sistema atual, deputados com pouquíssimos votos, às vezes, conseguem se puxados por algum partido que teve muitos votos, casos que já aconteceram com Eneias, Tiririca e podem se repetir, com nomes como o de Russomano.
Pela proposta atual, as sobras da proporcionalidade partidária não seriam mais para os partidos, e sim para os concorrentes mais votados. Pela proposta, cada candidato vai precisar de quantidade razoável de votos (10% do coeficiente eleitoral de cada estado) para conseguir se candidatar.
Com relação a reforma, a presidenta  Dilma propõe um curioso “plebiscito popular  e um “processo constituinte específico”, dando margens a interpretações diversas, uma delas o Congresso teria poderes para alterar certos itens da Constituição.
Vale aqui ressaltar, que tanto Dilma, quanto Lula, foram contrários as propostas de Vaccarezza, ex-líder de Dilma e Lula na Câmara dos Deputados.

Pessoalmente não acho que a constituição deva ser “mexida” a não ser por um congresso constituinte especifica, mas na atual situação do país, existiria muita possibilidade de um retrocesso democrático e social.
Já o deputado Ivan Valente, vem destacando amis a questão do Financiamento público. Enquanto Vaccarezza propõe um sistema misto, Valente quer garantir a aprovação do financiamento público e exclusivo de campanha na Reforma Política que começa a ser debatida.
“Em 2006, votamos a reforma eleitoral, que proibiu até usar bottons, mas não proibiu contratar milhares de cabos eleitorais e não estabeleceu um teto de campanha”.  Explicou Valente.
Na época, foi acordado entre todos os líderes dos partidos que, logo após, seria votado a lei do teto eleitoral” Até hoje nada mais foi discutido e os gastos se tornaram astronômicos.
Para Vaccarezza o debate tem que ser feito dentro do Congresso, e está certo o parlamentar é eleito pelo povo para representa-lo no Congresso.
Reeleição, existe uma proposta de acabar com reeleição  e manter 4 anos de mandato, nos cargos executivos e legislativos.
Coligações, também são temas de discussões, mas para que exista uma diminuição da influencia dos partidos de aluguel, o que ajudaria na governabilidade, seria importante que a coligações não acrescentassem tempo no rádio e televisão, que é outro tema a ser discutido.
Fidelidade Partidária: Uma proposta bem radical, que deve ir para discussão no próximo ano, já com novo Congresso, é a cassação do político que mude de partido e seu afastamento por uma eleição seguinte.  Essa questão fortaleceria os partido e não os candidatos.


Por fim a “Clausula de Barreira”, que já chegou a existir, mas foi derrubada pela justiça. Essa é talvez a mudança mais séria, evitaria a criação de partidos de aluguel. Levaria pequenos partidos, com tendências similares, a se unir em torno de uma única legenda e fortaleceria ideologias.