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quinta-feira, 22 de junho de 2017

A vingança do golpista

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As denuncias de Joesley não passariam impunes, Temer não é Dilma, nem Lula. 
Talvez por isso possa comprar votos abertamente, sem qualquer constrangimentos. 
Ele compra deputados e senadores com cargos para a curiola e liberação de dinheiro do  povo para emendas parlamentares. Está rodeado do que existe de mais podre na política nacional, de Sarney a Jucá, passando por Mansur, Padilha, igrejas evangélicas de palanque, empresários corruptos, multinacionais mal intencionadas, desmatadores, assassinos de índios e bandidos de varejo.
No judiciário conta com o apoio incondicional de Gilmar e Moraes, o ex-advogado do PCC.
Temer conta ainda com Tucanos, a pior raça de aves silvestres, vivem da destruição de ninhos, cagam em quem está lá embaixo e possuem voo curto e deselegante. Por essas características esse agrupamento de políticos escolheu o simbolo certo, mas não esqueçamos, acima de tudo, os tucanos são protegidos e pela lei, não podem ser presos. O Ibama processa que prender um tucano. O maior protetor de tucanos é o juiz Moro. 
Mas voltemos a Joesley. Esse depois que denunciou Temer abriu as portas para a queda de sua empresa. Ele se esqueceu, que no capitalismo brasileiro não tem espaço para multinacionais brasileiras. 
Ah, alguém dirá, mas ele é um bandido, corruptor...
E algum empresário é honesto? O capitalismo produz empresários honestos? Quem, os banqueiros? Aqueles da FIESP? Os empreiteiros? 
Joesley não estudou história, é apenas um novo rico, burro como os outros. Não conheceu a história da Panair, da TV Excelsior, não soube que a Puma, quando resolveu parar de comprar motor da WV, faliu. Ele não conheceu o Gurgel, empresário que gastou até o último dos seus centavos para criar um motor brasileiro. Bem, vamos deixar pra lá, no capitalismo brasileiro quem apoia a formação de grandes marcas nacionais são os comunistas? É isso mesmo? Petrobras forte, JBS forte, Construtoras fortes... Interessante!
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Mais interessante é presenciar o desmonte promovido pelo governo entreguista a todas as marcas nacionais, e ai não estou entrando no mérito, ou qualidade de cada uma. É apenas uma observação. 
Uma parte da Petrobras já virou Total, Shell, Ipiranga, a Friboi vai virar o que? O problema não é nosso, mas me digam, porque quebrar todos? 
Primeiro 3 frigoríficos são impedidos pelo governo brasileiro de exportar para os EUA. No dia seguinte os EUA  rompem os contratos. 
Alguém entendeu?
E ainda tem um juiz ajudando a quebrar petrolíferas, entregando minérios, terras, e agora as empresas privadas? E a previdência? Seremos obrigados a pagar para o Bradesco, ou Itau? Previdência privada mata. 
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Por tras de tudo, um nome, o cidadão norte-americano Meirelles, até o ano passado, o diretor da JBS, mas sempre a serviço dos sionistas ianques. 

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Os Estados Unidos decidiram suspender todas as importações de carne bovina in natura (fresca) do Brasil nesta quinta-feira (22), devido a recorrentes problemas sanitários dos produtos brasileiros, afirmou o Departamento de Agricul... - Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/06/22/eua-suspendem-importacao-de-carne-de-boi-fresca-do-brasil.htm?cmpid=copiaecola

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Um entreguista chamado Serra

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  • Sempre falei do Serra, conheço o Serra desde 1978. Eu ainda era quase criança. Conheci ele com o FHC. Eu ainda não tinha dado meu primeiro voto.
  • Nunca gostei do Serra, suas falas eram mais falsas que nota de 3 reais. Talvez pela amizade com o Zé Luiz, ex-senado por Milão em 2006, que mencionava a covardia dele, muitas vezes se escondendo embaixo da cama, na Alemanha Oriental, cada vez que a campainha tocava. Ele tinha medo do que? Nunca soubemos.
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  • Trabalhei com o governado Franco Montoro de 83 a 86. Foi coordenador regional onde Serra era secretário. O governador era um democrata, que eu nunca vou conseguir ser, aprendi muito e acima de tudo aprendi ver quem não prestava. Eu nunca gostei do Temer, aquele jeito falso de mordomo de funerária não me agradava. Mas eu tinha certeza que Serra não era do time. Todas as denuncias que surgiam no governo Montoro partiam da pasta do Serra, dos acordos de Serra.
  • As máculas do governo só tiveram um nome. Serra. Em 86, o cara que se dizia de esquerda foi candidato da deputado federal, numa grande dobradinha com nada menos que Nabi Abi Chedid, aqui em Bragança, minha cidade fizeram um comitê no armazém do Leão. Para quem não sabe ali foi um shopping com mais de 50 lojas. Era o pequeno comitê do Serra-Nabi. Serra só foi derrotado, junto com FHC, por Quércia e ai surgiu o PSDB.
  • Serra continuou seu trabalho pelo entreguismo do Brasil, para ele o que importava era só ele. No final da década de 90, num grande acordo com multinacionais acabou com várias industrias nascentes no Brasil. Nessa época eu tinha um, de perfumes, também quebrei, fomos todos vendidos e vencidos pela burocracia protetora dos grandes.
  • A filha de Serra continuou crescendo junto com o pai, embora falem do filho do Lula, ou da mulher do Cabral, quem cresceu 54000% em uma semana foi a garota prodígio. O maior site de vendas da América Latina tem a marca da gênio de informática, que desbancou Gates.
  • O Serra não tem compromisso com o Brasil, tem compromisso com ele. Já está preparando a queda de Alckmin, e uma traição ao Márcio França. Ele precisa de um robô, que continue sua ação devastadora e esse robô é Dória. Um fake político.








sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O Poder Judiciário no epicentro da crise política - (Roberto Amaral)

O Poder Judiciário no epicentro da crise política

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Os destinos da República se assentam sobre Poderes fragilizados. Esta é a grande crise, por revelar-se de corpo inteiro. Sua fonte é a carência de legitimidade que se abate, a um só tempo, sobre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
Não obstante havermos conseguido, até aqui, e ainda que a duras penas, preservar a ordem institucional, são graves e seguidos os ataques ao pacto constitucional de 1988, do qual nos distanciamos dia a dia e quanto mais nos distanciamos, mais nos apartamos da democracia representativa, do povo e da nação. Presos a uma História que teima em não se libertar do passado, sempre visitado, adiamos, sistematicamente, o sonho de uma sociedade comprometida com o combate às desigualdades econômicas, sociais e políticas, e nos deixamos esmagar pela realidade perversa do catecismo neoliberal, cujos princípios estão no projeto e na ação do governo interino (interino e ilegítimo) que luta por prorrogar-se, para, ainda mais desenvolto, levar a cabo as políticas de restrições sociais. É a recidiva do modelo neoliberal que, após haver fracassado em todo o mundo, nos ameaça com a concentração de riqueza, o desmantelamento do Estado, a desorganização econômica e o comprometimento de nossa soberania, já em adiantado curso.
Repita-se mil vezes: o golpe de Estado que visa à destituição de Dilma Rousseff não é um fim em si, mas o instrumento, até aqui necessário, de que se valem os setores hegemônicos da classe dominante para impor a regressão neoliberal, em sua versão ultraconservadora e antinacional, anunciada pelo governo títere. Ele se finca na aliança fática e ostensiva dos três poderes, em crise, costurada pelos interesses do grande capital, que se estrutura na Avenida Paulista e se expressa mediante o monopólio ideológico da mídia oligopolizada, a seu serviço.
Não é por serem marionetas que mal camuflam os cordéis que os comandam à distância, que esses poderes são menos responsáveis, pois nos governam em nome do grande capital financeiro, em nome da elite econômica, antidesenvolvimentista e antinacional, antipovo e antiprogresso, elite alienada que pensa poder sobreviver à destruição do país, cuja pobreza não a assusta e em cujo desenvolvimento não investe, por dele não depender.
Desgraçadamente, estamos à mercê de um Executivo sem legitimidade, de um Legislativo sem representação (ademais de dominado por procurados pela Justiça, como o ex-presidente da Câmara dos Deputados) e de um Poder Judiciário que não cumpre adequadamente o dever de julgar, e nele de um STF que atropela as competências dos demais poderes e desrespeita a Constituição, que seus membros juraram cumprir e fazer cumprir. Como o Executivo, hoje mais do que nunca, e como o Legislativo, o Poder Judiciário, em todos os seus escalões, está a serviço dos interesses de classe dominantes. Este é o fato objetivo; o resto, são suas consequências.
Mais do que nunca o país precisa ser ‘passado a limpo’, e a proclamação de Darcy Ribeiro mais se torna atual, e inadiável, na medida em que mais se enraízam os valores negativos representados pela dupla Cunha-Temer. Segundo as mais variadas premissas e de acordo com os mais distintos objetivos, a comunidade de juristas, constitucionalistas, analistas políticos e políticos concordam com a defesa das reformas, que no entanto não se realizam. Mais do que nunca precisamos de uma reforma política que restabeleça a legitimidade dos mandatos e nos aparte da falência do presidencialismo de coalizão, e de uma reforma tributária que privilegie impostos sobre a renda e o patrimônio e não, como são hoje, atrelados ao consumo e a serviços, uma reforma que estimule a produção e aponte para um novo equilíbrio da Federação. A mais importante das reformas de que carecemos, porém, nela pouco se cogita. Refiro-me à inadiável reforma do Poder Judiciário, porque sem ela não sobreviverá a opção democrático-popular de que resultou a Constituição de 1988, o alvo preferencial do golpismo conservador, que se vale do processo desse escabroso impeachment sem crime de responsabilidade, em curso, para impor um regime autoritário já em ensaio.
Em meio ao golpe de Estado de novo tipo, consagrado ele, ingressaremos em uma ‘ditadura constitucional’.
Já hoje o próprio STF agride a Constituição, seja julgando contra sua letra e seu espírito, seja imitindo-se de forma autoritária, prepotente e inconstitucional, no papel de legislador constituinte. Ei-lo legislando sobre fidelidade partidária, sobre culpabilidade sem trânsito em julgado e autorizando o encarceramento antes da decisão final. Ei-lo discutindo regimentos internos do Legislativo, ei-lo decidindo sobre união estável e aborto. Não se discute o mérito; denuncia-se a invasão de competência que agride a ordem constitucional, à qual todos os poderes estão submetidos. Agressões que o STF perpetua dizendo-se ‘instrumento do clamor das ruas’, um populismo de cabo de esquadra.
O STF, aliás, é, em nosso ordenamento constitucional, o único dos poderes sem raiz na soberania popular, alheio que está à esfera política, cumprindo-lhe, sem o poder de iniciativa (atributo dos demais poderes) a função eminentemente técnica de vigiar a constitucionalidade das leis. Assim a letra constitucional. Sua transformação em contrafação de poder politico, como pretende a maioria de hoje e como anuncia orgulhoso seu presidente ("CNJ, transparência e diálogo", Folha de SP, 25/7/2016), sua aspiração de transformar-se em poder moderador, um anacronismo monárquico, é, pois, mais do que uma exorbitância, uma agressão à história do direito brasileiro e uma aberração constitucional cuja sobrevivência deriva da anemia político-moral do Congresso.
De outra parte, o Poder Judiciário é poder auto-blindado, que refuga a transparência e a responsabilidade, fugindo a qualquer sorte de fiscalização da sociedade, na contramão dos demais poderes, políticos e animados em sua gênese pela sopro da soberania popular. E de forma pouco ética: quando os funcionários públicos sofrem as consequências do ‘ajuste fiscal’, impõe o reajuste dos altíssimos salarios (considerada a realidade brasileira) de juízes e ministros. Desses não pode o contribuinte saber quanto percebem de outras fontes, e não são poucas, e é negado aos advogados conhecer a intimidade do processo eletrônico que orientaria a distribuição dos processos no STF.
Perseguindo o protagonismo político que não está em sua alçada, o STF, olímpico, inalcançável, leva alguns ministros mais afoitos (e à lembrança vem sempre o inefável Gilmar Mendes – aquele que ‘não disfarça’ como bem observa o jornalista Bernardo Mello Franco), a esquecer a circunspecção, a discrição, o recato e a moderação – exigências do Código de Ética da Magistratura – para aderir ao exibicionismo, à verbosidade irresponsável, à incontinência verbal, em episódios seguidos de prejulgamento, de pronunciamentos políticos que desvendam preferências politicas expressamente vedadas pela C.F. (Artigo 95, parágrafo único, inciso III). A velha máxima de que ‘juiz só fala nos autos’ foi revogada entre nós. Lamentavelmente.
Na sua desmedida ânsia de protagonismo – que o leva a tomar partido na crise política--, o STF termina por perder a aura de isenção e respeitabilidade que seu papel constitucional exige.
Por tudo o dito e o sabido, resulta um STF feito agente da insegurança jurídica, pois destrói o primado da ordem constitucional e altera sua jurisprudência, seguidamente, em função de maiorias ocasionais. Assim age principalmente quando – por razões político-policiais – rasga o inciso LVII do art. 5º da C.F. (“Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”); quando assim procede, a Corte diz que, sob o pretexto de interpretar o que não carece de interpretação, assume contrariar o texto da Constituição. E dito isto e feito isto o cidadão ofendido, vítima do abuso de direito, não tem a quem recorrer, a quem pedir proteção. É inadmissível que um ministro claramente associado a um partido político (seja feita justiça ao Sr. Gilmar Mendes, ‘ele não disfarça’), tenha condições de interromper um julgamento já decidido (já se haviam pronunciado seis ministros no colégio de 11), pedindo vistas dos autos e trancando-os em suas gavetas por mais de um ano, com o único e confessado propósito de evitar a eficácia da decisão, que, no seu entender faccioso, beneficiaria um determinado partido politico. É igualmente inadmissível que, em pleno presidencialismo, a presidente da República seja impedida de nomear o ministro chefe da Casa Civil, sob o pretexto insustentável, porque subjetivo, de que a nomeação teria a intenção de proteger o ex-presidente Lula com o foro privilegiado.
Essas observações chamam para a necessidade de uma profunda reforma judiciária (e nela do STF), pois, sem poder judiciário íntegro e democrático, não há a menor possibilidade de exercício real da democracia. Essa reforma – quando seu objetivo é o fortalecimento da democracia – deverá compreender, no que tange ao STF, entre muitas outras medidas mais ou menos profundas, o fim da vitaliciedade, substituída pelo mandato não renovável de 10 anos. Qualquer reforma deverá construir instrumentos eficazes de fiscalização do Poder Judiciário (que está longe de ser cumprida pelo Conselho Nacional de Justiça), e nele do STF e dos demais tribunais superiores, e dentre essas reformas estará a facilitação dos julgamentos dos ministros por crimes de responsabilidade, hoje dependentes da coragem ou da tibieza de um presidente do Senado ameaçado de processo pelo próprio STF.
Roberto Amaral

O livro A serpente sem casca ( da ‘crise’ à Frente Popular) pode ser adquirido através do site da editora Contraponto clicando aqui.
Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia
Leia mais em: www.ramaral.org

quinta-feira, 12 de março de 2015

Corruptos e corruptores

Corruptos e corruptores
Claudius
por Silvio Caccia Bava



A cobertura da grande imprensa sobre os recentes casos de corrupção centra sempre seu foco nos administradores públicos, como se a questão fosse apenas ética, de pessoas sem caráter ou de mau caráter, que se aproveitam dos postos em que estão para roubar. Esquece-se que para haver corruptos é preciso que haja corruptores, tão ou mais criminosos que os primeiros.

Mas ficar no plano ético ou moral não resolve a questão, considerada endêmica no Brasil. Ela está presente em todos os níveis de governo; portanto, com seus funcionários públicos corruptos e com empresas corruptoras.

Se ela é tão generalizada e parte de empresas que operam em todos os níveis de governo, pode-se então dizer que a corrupção é uma forma de ação das empresas para auferir vantagens ilegais na relação com os poderes públicos. E isso envolve os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

A Operação Lava Jato, pela primeira vez, atribui responsabilidades pelos processos de corrupção a empresas que prestam serviços ao Estado. Executivos e donos de grandes construtoras de obras públicas estão na cadeia desde novembro aguardando julgamento. São bilhões de reais subtraídos do orçamento público por meio de uma série de práticas muito conhecidas e que estão sendo desvendadas para os cidadãos como se fossem novidade. Essa é a corrupção das empresas sobre o Executivo.

As eleições de 2014, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, custaram R$ 5,1 bilhões, e 95% desses recursos vieram de um pequeno grupo de grandes empresas, que assim constituíram suas bancadas de interesses privados, é claro, no Congresso Nacional. Bancada das empreiteiras, bancada do agronegócio etc. Basta ver que a CPI da Petrobras, para apurar as denúncias da Operação Lava Jato, já conta em sua composição com dez dos 27 integrantes que receberam dessas empresas investigadas R$ 1,9 milhão para financiar suas campanhas eleitorais. A presidência da comissão deverá ir para o peemedebista Hugo Motta, que recebeu da Andrade Gutierrez e da Odebrecht R$ 455 mil dos R$ 742 mil gastos em sua eleição. Essa é a corrupção das empresas sobre o Legislativo. Não é ilegal receber as doações, porque as empresas passaram a poder doar, por lei, recursos para financiar candidatos a partir de 1997. Mas evidentemente é um poder que afronta o interesse público.

No Judiciário fica mais difícil identificar os caminhos da corrupção, mas são muitos os casos em que juízes pedem vistas de processos e só os devolvem para o trâmite judiciário depois que as penas prescreveram. Os casos do Banestado, do mensalão tucano e do trensalão ilustram essa prática de levar até mesmo à prescrição de delitos, como o de formação de cartel. Os expedientes são muitos: por exemplo, o da paralisação de investigações de responsabilidade do Ministério Público Federal em São Paulo no caso das denúncias de cartel nas obras do metrô. Essa é a corrupção das empresas no Judiciário.

Por meio de muitos expedientes, os grandes grupos econômicos controlam nosso sistema político e dele se apropriam para submetê-lo a seus interesses privados. O comportamento predatório desses grandes grupos econômicos, porém, não se limita à prática da corrupção para atingir seus objetivos de maximizar o lucro. Existem também mecanismos utilizados pelas grandes empresas multinacionais que atuam no Brasil que se valem de expedientes de sub e sobrefaturamento para promover a evasão fiscal, isto é, deixar de pagar impostos e transferir ilegalmente riqueza para fora do país. A Tax Justice Network identifica, com base em dados do Banco Mundial, que a evasão fiscal no Brasil, em 2011, foi de 13,4% do PIB, algo como US$ 280 bilhões.1 Os impostos mais sonegados são o INSS, o ICMS e o Imposto de Renda.

Mas não para aí. As dívidas reconhecidas pela Receita Federal de impostos das multinacionais que operam no Brasil, em 2012, somam R$ 680 bilhões. A corrupção aqui é o Estado brasileiro não tomar medidas efetivas para evitar essa sangria. Inibir essa sonegação de impostos requer uma fiscalização efetiva e penas significativas para quem for pego. Quanto maior for a pena, menor será a sonegação.

Em meio ao escândalo do HSBC, o segundo maior banco do mundo, identificaram-se 8.667 brasileiros que sonegaram ou lavaram dinheiro fora do país por meio dessa instituição. São bilhões de dólares por ano. Eles são parte da elite econômica de nosso país, acostumada a tudo poder. O que vai acontecer com eles?

Essa impunidade também pode ser vista no reconhecimento público da existência de doleiros operando no Brasil. É a aceitação implícita da lavagem ou evasão de recursos, que são inclusive provenientes de fontes ilegais, como o narcotráfico.

Esse quadro não é o mesmo em outros países latino-americanos, como a Argentina e o México (vejam vocês!), onde a evasão fiscal é calculada em 6,5% e 2,4% do PIB, respectivamente. Nos Estados Unidos, a evasão fiscal é de 2,3% do PIB. Pode-se dizer que o que faz do Brasil este espaço predatório do grande capital é a impunidade.

Se avançássemos no controle democrático dos fluxos de capitais – das transações do sistema financeiro, por exemplo –, poderíamos ter um país muito melhor na dimensão da oferta dos serviços públicos à população. No Brasil, dinheiro é o que não falta.

Silvio Caccia Bava
Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Glamorização da Imbecilidade

Passamos os últimos dias assistindo aos capítulos da tragédia  da encenação de um psicopata religioso no Rio de Janeiro. Foram horas e horas de programação dedicada ao show de horrores. Do desfile de motivos, que levaram um psicopata a assassinar crianças, ao ridículo Datena resumindo tudo na possível falta de deus no coração. Mas nesse caso não era excesso?
É sempre assim, tudo vira show, e ai outros já se preparam para se equipar e se tornar o próximo astro da semana, em uma possível nova matança.
Não seria melhor divulgar o fato sem dar glamour ao assassino?
Mas é assim, na semana seguinte o assunto foi o casamento do príncipe, de um país que durante anos escravizou nações e hoje mantem sua monarquia, assim como o Brasil mantém seus corruptos: histórias da mediocridade humana...
Para quem interessa o casamento e a vida intima de dois ingleses?
Nosso país vem mudando, mas está longe de mudanças culturais.
A falta de ídolos seja talvez um fator preponderante para que o povo se ligue a qualquer coisa, qualquer modelo que se proponha, ou não seja interessante para a mídia. 
E essa falta de ídolo, onde não se tem modelo, que transforma o Brasil no país de Gerson. Ou, em outras palavras, o que leva vantagem é ídolo, é modelo. 
Vamos parar para pensar: Existissem modelos, existiriam Malufs, Barbalhos, Sarneys? Ronaldinho seria modelo de capacidade, ou falta de ética e abuso de poder econômico, quando sai rasgando contratos e o povo acha lindo, pois é esperto?
E as Ivetes e Claudias, e os sertanejos bolerentos que assolam o país? Os assassinos psicopatas que alegram as televisões e as mantém com muitos pontos no” ibope”? Seriam todos frutos da mesma arvore podre, corrompida, carcomida e antiquada, que faz de tudo para manter o status-quo da ignorância patriótica nacional?   
                                                                                                         maio-2011