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sábado, 19 de novembro de 2016

Justiça diferente - Garotinho & Cabral X Serra & Cunha X Lula & Temer


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Difícil entender a justiça brasileira.
Cabral foi preso, exposto, tece seu cabelo cortado e foi obrigado a pousa para a imprensa com uniforme de Bangu. Ainda é indiciado. Sem julgamento, sem condenação.
Não se trata de entrar no mérito das prisões, pessoalmente acho que os dois merecem, mas...
É estranho.
Garotinho foi tirado do hospital e levado a força para Bangu. Também merece ser preso, mas e o show de mídia? Faz parte da justiça? Deveriam ser processado, julgado e presos, após a segundo instancia como está escrito na lei.
Por outro lado temos a prisão de Cunha, onde foi proibido filmagem. O cabelo não foi cortado e nem teve fotos na cela.  Cunha comprovadamente meteu a mão, já existem provas, e ainda sumiu com a grana das contas na Suíça, No mesmo estilo Serra ficou rico, sua filha é dona de um dos maiores sites de vendas do mundo e nem com delações é intimado sequer a dar um depoimento.
Caso pior é a comparação entre Lula e Temer. Temer tem um cheque nominal de 1 milhão em seu nome. Já comprovado, fotocopiado e carimbado.Não vem ao caso. 1 milhão é 200 mil a mais que o valor do sítio de Jacó Bitar em Atibaia, que insistem em ser do Lula. E ai?
Até quando a justiça pode ser aplicada de acordo com o fregues? 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Da necessidade de desqualificar o acusador

Levantei alguns casos de processos por falsos crimes sexuais para mostrar a ignorância popular e a hipocrisia a serviço da manutenção do sistema corrupto mundial. A conservação de instituições podres exigem a retirada de cena, com a desqualificação dos acusadores. 




Desde novembro de 2010, Assange tem sido objeto de extradição para a Suécia, onde é procurado para interrogatório sobre uma alegação de estupro. Assange nega a acusação e manifestou preocupação de que ele será extraditado da Suécia para os Estados Unidos devido ao seu papel  na publicação de documentos secretos americanos
Hassanger  mostrou as estruturas viciadas, que se agigantam mentem e se tornam mais fortes que governos, estruturas policiais de espionagem secretas que interferem na vida de todos e protegem os corruptos do sistema, mas o sistema não quer isso, por isso, na falta de acusações de corrupção, ou coisa melhor acusam Hassanger de estuprar duas loironas bem mais fortes que ele, é um absurdo, mas possível para esconder canalhices capitalistas.  
Se fosse com Berlusconi estava tudo bem, afinal ele é dono de meia Itália, e o capital precisa ser preservado, ai não vem ao caso, como diria Moro, pois o italiano é parte do sistema financeiro da Europa. 
O diretor-gerente do FMI, o francês Dominique Strauss-Kahn, 62, foi preso  em Nova York acusado de atacar sexualmente uma funcionária de um hotel na cidade. O dirigente foi retirado pelos policiais da primeira classe do voo da companhia aérea Air France que ia para Paris minutos antes da sua decolagem. Nesse caso a corrupção do francês não importava, mas o escândalo sexual de Dominique ajudaria a conservar as estruturas do FMI, que ele pretendia mudar. Descobriu-se depois que a mulher era expert no assunto e havia sido contratada para provocar o caso, mas ai já era tarde. 
Tudo depende do ponto de vista, quando não dá para chamar a vitima de corrupta, ou quando a acusação de corrupção não faz efeito, pois seus pares são iguais. O que importa é que num mundo religioso e ignorante o sexo pode se tornar crime, ainda que a acusação seja falsa. Ainda que julgado e absolvido, pois o que importa é o efeito momentâneo para a realização de uma jogada. 
Bill Clinton o mais famoso escândalo sexual da história recente quase derrubou um presidente dos Estados Unidos. Em 1995, a jovem Monica Lewinsky foi aceita como estagiária na Casa Branca e nos anos seguintes teve um caso com o então presidente Bill Clinton. A história ganhou peso com a gravação de um telefonema no qual ela dava detalhes do colóquio amoroso. Não importa se Bill era um péssimo presidente, ou não, se invadiu países e matou inocentes, para roubar petróleo, se destruiu o sistema financeiro do terceiro mundo. A acusação servia aos ímpetos da oposição em frear a popularidade local do americano. 
Eliot Spitzer ganhou o apelido de "Xerife de Wall Street" por investigar crimes financeiros com rigor e desmantelar redes de prostituição, durante o período que ocupou o cargo de procurador-geral de Nova York. Após ser eleito governador, foi flagrado combinando programas com prostitutas de luxo do "Emperors Club VIP", em uma investigação que teve participação de uma cafetina brasileira. O escândalo afastou Spitzer do cargo e rendeu um prêmio Pulitzer ao jornal "The New York Times". Esse escândalo serviu aos interesses dos investigados por Eliot. Todos voltaram a seus antigos e lucrativos negócios devido a uma onda moralista provocada pela imprensa em uma população ignorante e manipulada. O fato de Eliot sair com garotas de programas era pessoal, mas foi usado, sempre graças a ignorância e a manipulação da mídia para repor em seus lugares, os verdadeiros bandidos. 
A Rede Globo foi condenada a pagar R$ 1,35 milhão para reparar os danos morais sofridos pelos donos e pelo motorista da Escola Base de São Paulo. Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada e Maurício Monteiro de Alvarenga receberam, cada um, o equivalente a 1,5 mil salários mínimos . Tudo por uma calunia sexual encomendada. Às vezes a justiça condena com valores suficientes para cobrir os prejuízos financeiros, mas nunca morais. 
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As acusações caluniosas ocorrem sempre que é necessário tirar de cena alguém, que pretenda mudar, ou impossibilite mudanças requeridas por um sistema.
Histórias sensacionais sobre estupro nos meios de comunicação dos EUA trouxeram luz sobre a questão das acusações caluniosas de estupro, possibilitou que muitos se perguntassem por que, exatamente, uma mulher mentiria sobre ter sido estuprada. Em suas memórias, Lena Dunham alega que ela foi estuprada por Barry, um brilhante, bem conhecido direitista conservador na Universidade, mas sua versão não se sustenta à averiguação. Jackie, a mulher no centro da matéria da revista Rolling Stone sobre a cultura das fraternidades “gregas” na Universidade de Virgínia, alega ter sido estuprada por um grupo de estudantes, mas discrepâncias em seu relato resultaram na revista voltar atrás em relação à história publicada e questionar a credibilidade de Jackie. Nós não sabemos se qualquer dessas mulheres fez ou não uma acusação caluniosa, mas acusações caluniosas de estupro podem ocorrer, e realmente acontecem. Quando envolvem políticos honestos, ou acusadores do sistema, se tornam casos públicos, ainda que corram em segredo de justiça. 
Conheço casos em que o oficial de justiça tirava copias para jornais. Não foram investigados por falta de provas e interesse da justiça. 

Um caso particular. 

Fui acusado de “atentado à lasciva”, uma lei antiga, onde o cidadão pode ser processado até por um beijo em público. Como os entendimento do teor desse processo não é fácil, alguns políticos denunciados por mim usaram, o que eles mesmos fabricaram, para falar em “estupro”. No caso um promotor público evangélico, que dizia, que a bíblia era mais importante e um juiz consciente, que solicitou a dispensa das testemunhas pois considerava o caso inexistente. Esse juiz é substituído por promoção no dia seguinte e o caso julgado por um “juiz de passagem”, que confunde artigos da lei. Absolvido por unanimidade no Tribunal de Justiça de São Paulo, ainda assim passei a sofre as consequências de uma acusação falsa. 
O motivo gerador de todos os fatos eram denuncias que eu fazia contra os “próprios companheiros de trabalho”, principalmente com relação a manipulação de licitações. 
Posteriormente o mesmo juiz, por coincidência, nega um pedido de gratuidade nas ações indenizatórias e por fim concede menos de 8% do requerido (incluindo custas), a título de indenização, com a vitima tendo que pagar a sucumbência do advogado do réu.  Algo que beira o absurdo. 
As falsas acusações continuaram sempre que necessárias para desqualificar uma acusação, que eu fazia com relação a negociatas, incompetência e, ou corrupção nas administrações públicas. 
Um dia, numa reunião política em São Vicente, o então ministro Aldo Rebelo, ao lado de Ciro Gomes, me chama para saber se era verdade  os fatos que o prefeito de Bragança, na época um corrupto mentiroso, tinha ligado para relatar. Caso explicado e tudo ficou resolvido, o prefeito havia aumentado os fatos e inventado novos crimes, mas a partir dai, sempre que necessário, novas e falsas acusações viriam. O motivo principal de tudo era minhas negativas em participar de um esquema lesivo à população e por não ficar calado com relação a elas. 

Assim, como no golpe atual, os fatos que importam, são aqueles que não importam e por isso o Brasil esta sendo vendido. Isso, a ignorância popular e a falta de treinamento e vontade do judiciário para implodir um sistema corrupto e hipócrita. 


Acusador condenado - Leia a matéria na Gazeta Bragantina 


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Qual é a função do CNJ?



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O CNJ não tem resolvido nada a respeito de juízes "amigos". 

Enquanto não resolverem o problema com esses juízes , não existirá justiça. Principalmente quando substitutos "aparecem" para mostrar a subserviência ao que chamam de poder, com intuito claro de crescer mais rápido, ou fazer uma "boa" política com coronéis. 
Muitos já surgem dependentes, prestam concurso na casa do capeta e depois brotam como capim nos lugarejos de coronéis. 
Tá na hora do CNJ funcionar...

Tem juíz lê muito rápido e por isso erra o numero do artigo, daquele processo a ser julgado, tem juiz que determina um valor em numero e escreve outro, na mesma sentença, como se nem tivesse lido o processo, como se estivesse fazendo um favor, atendendo um pedido... 
E o povo continua sonhando com a justiça. 
Quando foi criado o CNJ a esperança de todos era ver no horizonte o fim das injustiças e a punição dos culpados. 
Até agora nada mudou




Para que serve o CNJ?

O CNJ foi criado em 2004 na chamada 'reforma do Judiciário'. Sua composição é bastante eclética. Integram-no 15 membros, sendo nove integrantes dos Tribunais Superiores e das Justiças Federal, Estadual e do Trabalho, dois integrantes do Ministério Público, dois advogados e dois cidadãos com notável saber jurídico e reputação ilibada. Diferente da generalidade dos órgãos do Poder Judiciários em que seus integrantes têm atuação vitalícia, os membros do CNJ possuem mandato de dois anos, admitida apenas uma recondução.

Embora tenha sido criado como o órgão administrativo mais elevado do Poder Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça não possui competência jurisdicional, isto é, não resolve os conflitos de interesses trazidos pelas partes como os demais órgãos do Poder Judiciário. Não se trata de um novo tribunal ou de mais uma instância de julgamento como inicialmente poder-se-ia imaginar. Mas, então, qual é a sua função?

Segundo prevê a Constituição Federal, a principal função do CNJ é controlar a atuação administrativa e financeira do Judiciário, assegurando que os magistrados cumpram com seus deveres (julguem com imparcialidade, não 'esqueçam' de julgar os processos etc).

Caso tenha notícia de alguma irregularidade cometida por um magistrado, o CNJ pode instaurar um processo administrativo para apurar a denúncia, podendo, até mesmo decretar a aposentadoria compulsória do magistrado, como foi o caso da matéria acima. E qualquer pessoa pode informar o CNJ sobre a má conduta de um magistrado. Você, eu , qualquer pessoa. E não precisa de advogado: basta enviar uma cópia da carteira de identidade, do CPF e comprovante de residência e contar o que você tem a reclamar. O formulário para reclamar sobre a conduta de um magistrado está aqui, e para reclamar que um processo está demorando muito para ser julgado está aqui
.

Juízes que erram precisam ser punidos. Juízes que erram conscientes, precisam ser exonerados sem direito a altos salários e aposentadoria. 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Mudar a Justiça

Está na hora de começar a pensar na mudança da justiça e punição para juízes não justos.

CNJ
Qualquer pessoa pode acionar o Conselho Nacional de Justiça e apoiado na Lei pode fazer denuncias contra prejuízos provenientes de decisões de justiça e juízes.
"Qualquer cidadão pode acionar o Conselho Nacional de Justiça, desde que a reclamação ou representação esteja relacionada à competência institucional do CNJ. É importante que as petições atendam aos requisitos previstos no Regimento Interno do CNJ."
o CNJ disponibiliza o modelo de reclamação disciplinar.http://www.cnj.jus.br/images/corregedoria/modelo_de_rd.pdf
Como sempre digo aqui, o problema no Brasil não são os políticos e nem eleitores. O grande problema é a justiça, principalmente quando existem juízes comprometidos com grupos e não com o povo, que é o pagador de seus salários, para que se faça a justiça.
Não é possível se fazer justiça, quando o juiz é comprometido. Não é possível que um cidadão seja julgado por um juiz que já o comprometeu anteriormente, sem sequer ler o processo, em alguns casos as palavras são dos próprios TJs .
Um juiz que não se declara suspeito, contra alguma pessoa que já tentou prejudicar anteriormente não pode continuar sendo juiz. Já passou da hora para o CNJ tomar providencias e afastar aqueles que desrespeitam as leis.
A justiça deve ser para todos, incluindo juízes maus intencionados. É claro que não são todos, talvez não passem de uma minoria, mas são as laranjas podres dentro do saco.
Já elogiei alguns juízes, de nossa cidade mesmo, por suas atitudes legais, claras e justas. Da mesma forma, como não podemos citar os ruins espero que o CNJ tome as devidas providencias

sexta-feira, 4 de março de 2016

O impeachment de Lula

O impeachment de Lula

Fragilizados o governo e as estruturas partidárias de esquerda, o ex-presidente Lula se afigura como o último obstáculo

“Quando se me impõe a solução de um caso jurídico ou moral, não me detenho em sondar a direção das correntes que me cercam: volto-me para dentro de mim mesmo e dou livremente a minha opinião, agrade ou desagrade a minorias ou maiorias”.

Lula e Dilma em comício no Recife, em 2014: sua única alternativa é a ida às ruas
Estas palavras são de Rui Barbosa, em carta dirigida a Evaristo de Morais, o grande advogado, incitando-o a assumir a defesa de José Mendes Tavares, réu previamente condenado pelo que então se chamava de ‘opinião pública’. Trata-se, como se vê, de lição extremamente atual, quando o STF de nossos dias assume a responsabilidade de violar a Constituição brasileira sob a alegativa de estar atendendo ao ‘clamor das ruas’.
Refiro-me à decisão de liberar a execução da pena de prisão após condenação confirmada em segundo grau, ao arrepio do ditado claro da Constituição (Art. 5º, LVII): “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
Legalizando a prisão antes de definitivamente estabelecida a culpabilidade do acusado, o STF torna-se agente de um direito criminal promotorial, penalista, punitivista, reacionário, atrasado.
Caminhando na contramão da moderna criminologia, torna-se caudatário do conservadorismo e se faz instrumento do processo em curso de regressão política que visa à construção de um Estado autoritário, promovido ideologicamente pela grande imprensa.
Só o direito do arbítrio, o direito da força que anula a força do direito, pode autorizar, como acaba de fazer o STF, a execução da pena cerceadora de liberdade enquanto ainda se duvida se o acusado é culpado ou inocente.
A prisão, nessas circunstâncias, deixa de ser o ato final de um processo condenatório para transformar-se no momento inaugural das investigações, que se abrem não para apurar fatos e responsabilidades, mas para provar a culpabilidade do acusado escolhido para ser condenado.
Nesse contexto, a ‘delação premiada’ é instrumento de barganha que a autoridade investigadora manipula a fim de obter do acusado preso não necessariamente a apuração de possível crime, mas a revelação selecionada de acusações contra quem a investigação quer condenar.
Alegar, como justificativa dessa agressão jurídica, a audiência das ruas, é, no mínimo, um escárnio.
Nas ruas de Berlim sob o nazismo multidões ensandecidas julgavam e puniam seus adversários. Turbas envenenadas pela propaganda estimulavam a perseguição aos dissidentes, condenados aos campos de concentração, independentemente de culpa, mas simplesmente por serem judeus, comunistas ou homossexuais.
No vestibular da Guerra Fria o macarthismo, sem precisar refazer a Constituição ou as leis, instalou nos EUA a perseguição política e o terror, em nome de um nacionalismo xenófobo e de um anticomunismo de indústria.
Aqui, a implantação da última ditadura, em 1964, foi precedida de maciça mobilização da opinião pública, levada a cabo pela imprensa, animadora das marchas ‘com Deus pela liberdade’.
Esse especioso ‘clamor das ruas’ é o outro lado do discurso único de uma imprensa monopolizada, unificada pelo ódio, pela vindita e pelo projeto comum de poder, aquele poder reiteradamente negado às forças conservadoras pelo processo eleitoral.
É essa imprensa, poderosíssima, que escolhe as vítimas e seus protegidos, que elege os inimigos públicos escolhendo-os entre seus adversários de classe, elege os réus e os julgadores e aos julgadores dita as penas a serem aplicadas, independentemente do aparato normativo, porque na sua aplicação é sempre possível torcer e distorcer a lei, ou criar doutrina nova, como a teoria do domínio do fato, ou refazer-se a jurisprudência, segundo o víeis de maiorias ocasionais.
Essa coalizão de direita dirige a política, dita a pauta do governo em minoria legislativa e popular para o que tem sido decisiva a oposição midiática. Essa coalizão dita o discurso oposicionista que impõe ao governo o receituário do neoliberalismo.
Essa coalizão comanda a privatização e a desnacionalização, põe de joelhos um Congresso que tem em Renan Calheiros e Eduardo Cunha, seus líderes, o melhor indicador de sua decadência e de seu descompromisso com a sociedade, a ética e o País.
De costas para os interesses das grandes massas, cuja emergência política tira-lhe o sono, a classe dominante, despida da legitimidade da soberania popular, impõe seus interesses sobre os interesses da nação e do País.
A cantilena reacionária dos meios de comunicação é um de seus instrumentos de dominação, o mais eficaz quando se trata da luta ideológica. Foi assim no enfrentamento ao governo Vargas, foi assim na campanha contra Jango e o pleito das reformas de base, foi assim contra Lula e é assim contra Dilma. Foi assim e pelos mesmos motivos a destruição de Leonel Brizola, empreendida pelo sistema Globo.
O projeto de hoje é a institucionalização da exceção jurídico-política dentro da ordem formalmente democrática. Estamos nas primícias de uma inflexão autoritária declarada contra os interesses populares e a soberania nacional.
Daí a necessidade de destruir as organizações populares de esquerda e seus ícones, se possível desmoralizando-os moralmente diante da sociedade que sempre os respaldou.
Daí o concerto de ações. Para levar a classe-média a defender os interesses das elites, a estratégia política é a de sempre: jogar as lideranças de esquerda na vala comum da corrupção onde o capitalismo se banqueteou e se banqueteia.
Eis por que, a serviço desse poder sem peias, sem limites éticos ou legais, as estruturas estatais – os órgãos de investigação, a polícia, os ministérios públicos, as instâncias judiciais, os juízes de primeira instância e os tribunais superiores, a receita federal etc. – têm, hoje, uma só missão: provar que Luiz Inácio Lula da Silva é um político corrupto.
A desconstrução do líder popular integra o projeto que compreende a deposição da presidente, a destruição do PT e, a partir dela, a destruição e desmoralização das esquerdas brasileiras.
Assim estará aberto o caminho para a tomada do poder pela direita, pelo conservadorismo, pelo atraso, pelo fundamentalismo político, revogando ou reduzindo as conquistas sociais e derruindo a soberania nacional com a retomada do entreguismo e da onda das privatizações a serviço da desnacionalização: já agora, ante a passividade de um governo fragilizado, os mais lucrativos ativos da Petrobras (entre eles poços em atividade) são vendidos na bacia das almas e o Senado intenta doar o pré-sal – promessa de nosso desenvolvimento autônomo – às grandes petroleiras multinacionais.
A mudança política desta feita é operada sem golpe de Estado clássico, sem apelo às armas, sem nova ordem constitucional, sem novos atos institucionais. Ao contrário, efetiva-se sob o império da mesma Constituição (mas reinterpretando-a), com o mesmo direito (mas reinventando-o) mediante ‘interpretações criadoras’ como o ‘domínio do fato’.
O Brasil é, presentemente, um experimento de tomada do poder por dentro do poder, uma tomada do governo por dentro do governo, sem apelo à violência, sem ruptura constitucional, respeitada a legalidade (reinterpretada) e dentro de seus limites formais.
Esta operação depende diretamente da fragilização da presidente Dilma, e conta com seu recuo politico. As seguidas tentativas de impeachment e a resistência do Congresso à sua política servem a esse propósito. Mas não é tudo. A direita pensa longe. Ela vislumbra 2018 e alimenta esperanças de sucesso eleitoral. Trata-se, agora, já, de inviabilizar o eventual retorno do ‘sapo barbudo’.
Fragilizado o governo, fragilizadas as estruturas partidárias de esquerda, o ex-presidente Lula se afigura como o último obstáculo a esse projeto. Precisa, pois, ser removido do caminho. Por isso mesmo foi condenado pelo tribunal de exceção da grande imprensa.
Por isso, sua vida está sendo violentamente invadida, exposta, num processo de humilhação a que nenhum outro homem público foi submetido até hoje. Se afinal nada for comprovado, nenhum problema, pois a pena previamente ditada já terá sido aplicada, mediante a execração pública a que está sendo submetido o ex-presidente.
Esta operação, em curso, conta com o recuo, via intimidação, do ex-presidente. Está, pois, em suas mãos o que fazer, e só lhe resta a mobilização das massas. O Lula acuado é presa dócil. Nas ruas é promessa de luta, resistência e avanço. Foi assim que em 2005 transformou uma cassação iminente na consagração eleitoral de 2006.
A escolha agora é dele: sucumbir sem glória, ou encarnar a resistência à destruição da proposta de fazer do Brasil uma nação soberana, desenvolvida e socialmente inclusiva.
Roberto Amaral
O livro A serpente sem casca ( da ‘crise’ à Frente Popular) pode ser adquirido através do site da editora Contraponto clicando aqui.
Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Lula quebrou seu 3 em 1, mas isso não vem ao caso.





Em 1989, no auge da disputa política, já no segundo turno entre Lula e Collor, a grande denuncia foi a compra de um aparelho 3 em 1 pelo sindicalista pobre do ABC. 
Nada de anormal, não fosse a logica fascista de que pobre não pode ter "regalias", um equipamento de 600 reais nos dias de hoje seria uma regalia inimaginável a um cidadão de classe média, operário e sem curso superior. 
Essa logica é seguida pela classe pobre, cujo sentimento de inveja e impotência a leva a pensar: "Se eu não tenho, porque ele teria?" E se tem, alguém conclui, é porque roubou. 
A lógica é aceita e seguida não apenas pela classe média, mas copiada pela pobre e divulgada pela esquerda de boutique, afinal ele conseguiu e nós ainda estamos no velho transglobe ouvindo as transmissões em português diretas da Albânia. 
E Lula novamente compra um maldito 3 em 1. 
Sem entrar no mérito, se comprou, ganhou, roubou, afanou, financiou ou caiu do céu. Nada disso importa. 
O que importa hoje é que Lula não poderia ter um apartamento no Guarujá. Com que direito teria ele um apartamento em Guarujá? E se ele realmente não tem um apartamento em Guarujá, o importante é que a classe média pense, que ele pode sim, ter um apartamento em Guarujá e se tem está errado, porque ele? 
Jamais se preocuparam com um apartamento de 11 milhões de Euros do Príncipe da Privataria. Afinal FHC foi presidente por 8 anos e poderia ter o apartamento em Paris com seu salário,  comprando sem juros em 2750 meses. Simples assim. Já o apartamento de Lula levaria 250 meses para pagar, se usasse o FGTS, cairia para 100 meses, que dá 8 anos e 3 meses de prestações... 
Lula usava um sítio em Atibaia, em linha reta estou a talvez 10 km dele. Sítio do sócio do filho, que foi reformado por uma empreiteira conhecida. E dai? Ninguém tá falando que o dono do sítio contratou a empreiteira, porque? Como ninguém fala da Fazenda de FHC em Minhas Gerais. Fazenda onde cria gado, ou criava. 
Mas tudo bem, voltemos ao 3 em 1, agora em Guarujá. 
Está em nome da construtora? Poderia ter sido reservado por Lula? Sua mulher num ato de deslumbramento queria até outro elevador? Teria ela comprado um pinguim para a geladeira? Foi declarado em imposto e devolvido? Se quisesse comprar na planta, Lula teria dinheiro para isso? 
Me parece que todas as respostas são sim. 
E ai, onde a justiça quer chegar, se é que podemos chamar de justiça? 
Ao mesmo tempo vemos a deleção premiada dizer que Aécio levava um terço de tudo, mas isso não vem ao caso, promotor está envolvido em roubo de merendas de crianças. Mas isso não vem ao caso. Trensalão corre a todo vapor. Mas isso não vem ao caso. 450 kg de cocaína não tem dono. Mas isso não vem ao caso. Filha de Serra se torna milionária, Mas isso não vem ao caso. A Vale, privatizada por FHC ainda não começou a pegar pelas mortes, transtornos e tragedias provocadas por ela e nenhum diretor, ou conselheiro está preso. Mas isso não vem ao caso. Enquanto as contas de Cunha já chegam a 15 milhões de dólares e nem sua mulher está presa, Dirceu foi preso, por 62 mil reais. Essa é a única acusação formal. Mas isso não vem ao caso. Temos bancadas da bala, da terra, e da bíblia envolvidas em todos os tipos de crimes e ninguém está preso. Mas isso não vem ao caso. 
E para piorar tudo, ainda temos um ministro da justiça, que ainda não vem ao caso. 
Se Lula é culpado quero ve-lo na cadeia sim, mas quero todos os criminosos punidos pela ordem cronológica,  a começar por aqueles do Banestado, que o bom juiz Moro deixou de lado, todos do trensalão mineiro bem como os que receberam (cerca de 300) para votar a reeleição de FHC. Todos os da Privataria e devolução dos bens delapidados. 
Não estou defendendo Lula, não, de maneira nenhuma, até porque os diretórios de minha região, me fizeram odiar o PT. Quero que Lula pague sim, o que porventura dever. Mas quero tudo dentro da lei, sem vazamentos, sem suposições, sem divulgações de mentiras, cujo único objetivo é desmoralizar um candidato, que hoje já estaria com a faixa no peito. 
Que a mídia tenha vergonha na cara, e que o ministério da justiça tome providencias, se bem que isso não vem ao caso. 
Só para encerrar: Onde dorme o inimigo?

Antonio Sonsin