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sábado, 26 de outubro de 2019

Dia nacional do Livro - Matéria do Jornal Em Dia (Bragança)

Dia do LIVRO
O Jornal em Dia fez uma reportagem legal comigo sobre o dia nacional do livro, onde falei sobre o trabalho dos escritores e lembrei alguns nomes de minha cidade, que foram pioneiros, ou autores de sucesso.
Na matéria eu conto o trabalho de cada livro, cito escritores como Olympio Guilherme, José Luiz Del Roio e Elvio Santiago, sem esquecer o grupo da Ases.
Muito legal a matéria, agradeço a todos. 


Um resumo da reportagem do Jornal Em Dia 
A entrevista foi por WhatsApp e abaixo transcrevo as respostas enviadas.
Acho que só esqueci de agradecer minha revisora, Ana Paula Celestino Faria, que arranca todos os fios de cabelos a cada revisão. Mas acho que estou colaborando com seu treinamento para se tornar uma pessoa mais calma. Também esqueci de citar a Val Rodrigues, uma incentivadora, que no ano de 2000 achou que eu tinha capacidade e me deu a maior força, quando fizemos juntos um plano de desenvolvimento turístico e cultural para a cidade de Bragança. 



Sempre gostei de escrever. Com 12 anos, apaixonado por teatro, escrevi uma peça, que encenei com amigos. Entre os 15 e 22 anos participei de vários festivais de música sem escrevendo as letras. Claro, que nada tão bom, que merecesse um destaque, mas essas eram as atividades que eu gostava.
Na escola nunca fui um bom leitor e ainda hoje tenho dúvidas sobre os grandes romancistas indicados por professores, às crianças de 9, 10, 11 anos. Eu por exemplo, não entendia nada o que Machado de Assis escrevia. Acho que a literatura deveria estar mais próxima do povo, de sua linguagem rotineira, de acordo com seu tempo. Isso não significa que hoje não gosto do Machado de Assis, mas apenas que aquilo não era para a minha idade.
Posteriormente conheci Jorge Amado e adorei, aquilo era uma viagem a um Brasil pouco conhecido, mas ele escrevia de um jeito simples, ainda que usasse termos regionais.
Nessa fase conhecemos o Chico Experiencia, que foi nosso professor de história e se tornou um amigo, disponibilizando uma imensa quantidade de livros, romances, política, filosofia, história, teatro etc. e abrindo nossa mente para o mundo.
Bem, após essa fase, que se encerra ao vinte anos de idade, a literatura foi apenas uma questão de consumo, como expectador e leitor dos grandes escritores do mundo.
Por volta dos 45 anos de idade resolvi escrever escreve sobre Bragança e esse foi meu primeiro livro lançado.
Lançar um livro não é fácil no Brasil. É caro. Hoje um escritor para ter sucesso precisa de um editor, um assessor de imprensa, um promoter, além do interesse de uma editora. Coisa difícil!
O primeiro romance que escrevi foi uma história baseada na guerra do Paraguai. Mandei copias para várias editoras. Nenhuma se interessou. Cheguei a enviar cópias com páginas coladas. Na resposta da editora, diziam que o tema não era de interesse da editora.
Esse livro sobre a guerra do Paraguai é o que mais vendo até hoje.
Hoje temos várias editoras que trabalham sobre demanda. Isso facilita. Assim o mesmo livro, lançado numa dessas editoras acaba sendo vendido em várias plataformas, tais como Livraria Cultura, Americanas.com, Mercado Livre, Submarino, Ponto Frio, etc.
Livraria como a Amazon colocam seus livros nos principais países do mundo. É interessante que mesmo não sendo conhecido, eu vendo no Japão, bastante, mas em lugares como Ucrânia, Irã, e outros que eu jamais imaginaria. Sempre penso que deve ter algum brasileiro perdido em algum lugar, querendo ler qualquer coisa.
Depois disso escrevi Rainhas da Noite, uma trama policial baseada na prostituição, tráfico de drogas e corrupção. Fiquei vários meses nas ruas, nas madrugadas de 2004.  Eu precisava aprender o linguajar, conhecer histórias e saber como as coisas funcionavam no submundo. Aprendi também que muitas vezes nossos personagens criam vida própria e mudam o rumo das histórias que imaginamos.
Assim comecei a escrever sem parar. Veio 36 Horas, uma história que imaginei a partir de uma frase de Mussolini , dita por um amigo, num banco da praça. Fui pra casa e em uma noite ele estava pronto.
Depois disso voltei a falar de história, o Zé de Lima, que foi prefeito de Bragança por 3 vezes e fez 3 sucessores foi um romance biográfico bom de se fazer, pois me fez rever a história de minha cidade e rever dados eleitorais e acordos ainda hoje em vigor, que se tornaram mantenedores do poder local nas mãos de dois grupos, que se revezavam quando necessário. E vai continuar.
Logo depois veio Terra do Amanhã, a minha Revolução dos Bichos” com cara de nordeste e pesquisada após um tempo em uma plantação de cacau na cidade de Santa Luzia, Bahia.
Alguns livros que escrevemos, se formos nós mesmos fazer a revisão, acabamos achando uma droga e jogamos no lixo. Quando escrevi “Minhas Vidas Virtuais” tentei dar a ele um jeitão de conversa em chats, pois ele foi criado nos chats. Assim decidi mantê-lo com todos os erros gramaticais que se vê na internet. O resultado foi desastroso.
Participei também de uma experiencia de um escritor argentino que resolveu criar uma história, com 48 escritores, onde cada um escrevia um capítulo a partir de um tema e continuando o capítulo anterior.
Um romance biográfico sobre Olympio Guilherme, bragantino pouco conhecido em sua terra, me colocou em outro patamar. Hollywood, uma história do Brasil. Olympio era o jornalista, que foi o primeiro amor de Pagu, influenciado por ela participou de um concurso para substituir Rodolfo Valentino na Fox, mas acabou chegando no fim do cinema mudo e não foi aproveitado por falar português. Participou do primeiro filme falado, produziu “A Fome”, filme proibido pelo congresso americano, considerado o primeiro filme realista do cinema, e por Serguei Eisenstein, como um grande diretor e pai do conceito do realismo em Hollywood. De volta ao Brasil nos anos 30, se torna membro do DIP, como diretor de propaganda de Getúlio Vargas, onde colabora com a reforma cultural e educacional de Capanema. Ele também foi escritor e economista. É um grande personagem, responsável pela construção da escola Cásper Líbero aqui.
Tudo o que escrevo sempre tem uma base em algo que li, fato, estudo, coincidência. Foi assim que surgiu 1918: Cartas de Amor na Guerra. São mais de 500 cartas, em italiano, que encontrei ao acaso. Precisei da ajuda da prefeitura da cidade de Senigallia, na Itália, para descobrir os personagens principais e a partir de então, saber como essas cartas vieram parar no Brasil. Depois disso, a tradução e a narrativa de um bela história, que vai de 1916 ao fim dos anos setenta.
Ao escrever um livro aprendemos muito sobre tudo o que envolve uma história e seus personagens periféricos. No 1918 conheci Rodolfo Mandolfo, um dos principais filósofos italianos. Tive o prazer de ter um prefácio feito por uma das diretoras da universidade de Milão, assim como em Hollywwod o prefácio foi de um senador do primeiro senado do mundo. Também é interessante o envolvimento de amigos, muitos dos quais se tornam prefaciadores em virtude desse envolvimento, entre eles Gilberto Santana, Marcus Valle, José Aguirre, Oswaldo Zago, Alvaro Cintra, Alexandre Reginato, etc.
Escrevi também um livro juvenil “O menino Esquisito”, esse tem só na livraria cultura.com.
Em Bragança tivemos grandes escritores, com livros no mundo, como é o caso de Olympio Guilherme e José Luiz Del Roio. Temos um grande escritor de história infantis, que só é conhecido aqui como pintor, que é o Elvio Santiago. Um verdadeiro batalhador das artes. Mas não podemos nos esquecer dos membros da Ases, abnegados lutadores das letras. A Ases faz um grande trabalho para o surgimento de novos escritores e seus autores colecionam prêmios pelo Brasil.
Hoje entrei na área dos livros de ficção cientifica. Estou há mais de um ano estudando teorias da relatividade, física quântica, química, histórias fantásticas, principalmente da Amazônia, de onde tirei relatos de pilotos da Varig, contrabandistas, índios e até um escritor alemão. Essas histórias de realismo fantástico são baseadas em contos e adequadas as leis de física e ocorrências políticas atuais. Serão 4 livros com os mesmos personagens e aventuras diferentes. Dois deles lançados recentemente, “Akanis, a solução final” e “Aztlán, a refundação da América”. A venda nos melhores sites de Marketplace (americanas, livraria Cultura, Amazon Br., Extra, Mercado Livre, etc.).
Uma pergunta que todos fazem: Dá para ganhar bem escrevendo livros? Normalmente não, no máximo dá para sobreviver. Escrever é um prazer. O Brasil de hoje não tem nenhum interesse em leitura. Não dá para ser otimista. São poucos os jovens que se interessam por livros, físicos ou digitais. Para cada livraria que fecha, abrem 20 academias.   O exercício cultuado é só o físico mesmo. Ai temos um país que não pensa e nem sonha.



domingo, 18 de junho de 2017

Na Amazon.com - Hollywood: Uma História do Brasil

https://www.amazon.co.uk/dp/8547101497


Livro Interativo, com vários Códigos QR, onde o leitor pode acompanhar com seu Smatphone, ou Tablet e conhecer melhor alguns personagens dessa novela. Olympio Guilherme ficou conhecido no início do século passado quando foi contratado pela FOX para atuar em Hollywood, ainda no cinema mudo. Os jornais da época e seus colunistas, entre eles Guilherme de Almeida, o consideravam o substituto de Rodolfo Valentino, recém falecido. "Hollywood" é um passeio pelo século XX, de 1902 a 1973. Tem início em Bragança Paulista, terra natal de Olympio Guilherme, passa por Hollywood e termina no Rio de Janeiro. O livro é rico em personagens, entre os quais Pagu, Greta Garbo, Cásper Líbero, Assis Chateaubriand, Carlos Lacerda, Graciliano Ramos, Getúlio Vargas, entre outros. É a história de "Fome", primeiro filme realista brasileiro produzido em Holywood. Do início da carreira de Carlos Lacerda como jornalista. Da primeira paixão de Pagu. Da morte de Getúlio. Do DIP, da censura e da tentativa de implementar mudanças culturais. Com "Hollywood": Será mais fácil entender os golpes de 1954, 1964 e 2016.

Hollywood:: Uma História do Brasil (Portuguese) Paperback – 15 Apr 2017



quinta-feira, 15 de junho de 2017

Suplicy pode ser candidato ao governo de São Paulo



Suplicy pode ser candidato a Governador

Em uma “Roda de Conversa” realizada na cidade de Atibaia, na noite de quarta-feira, dia 15 de junho, o ex-Senador e atual vereador Eduardo Suplicy, deixou claro que pode ser candidato ao governo de São Paulo no próximo ano.
O encontro organizado por Geovani Doratiotto, contou com a presença também de Antonio Sonsin, escritor, de Bragança Paulista, Michel Carneiro, vereador pelo PCdoB, Rodrigo Leite e o representante do prefeito Saulo (PSB), vereador André Agatte
Suplicy e os integrantes da mesa debateram sobre diversos assuntos e a carreira do atual vereador por São Paulo, quando em dado momento surgiu a pergunta sobre seu futuro político feita por Agatte, e a indicação por Sonsin, para que concorresse ao cago de governador.
Suplicy, democrática e elegantemente passou a questão para que os presentes analisassem e decidissem. Claro que não se trata de um indicação partidária, que requer uma convenção de seu partido, porém, Eduardo Suplicy seria uma tabua de salvação política para seu partido e para os leitores do estado, que há 3 décadas elegem tucanos.
Suplicy é um nome imaculado, um político ético. Não tem como a população, numa época em que todos são acusados e indiciados, processados e muitos condenados, deixar de votar em Eduardo e depois continuar reclamando dos políticos. É a chance de se eleger um político honesto, 100% voltado à justiça social. Um humanista. A redenção paulista.



Situação do Estado

São Paulo está nas mãos dos tucanos, ainda que pesem sobre eles, dezenas de acusações, como trensalão, roubo nas merendas, violência policial contra a população, pedágios, desvios, etc., o eleitor paulista tem sido fiel aos tucanos. Ao mesmo tempo reclama das atitudes de seus governantes. Algo que não dá para entender.
É sabido que Alckmin irá trair o compromisso com Marcio França e o PSB, apoiando, pelo menos é isso que sinalizam as reuniões, o prefeito João Dória, para ter uma chance de disputar a presidência pelo partido tucano.
Dória é um candidato da mídia, longe do povo, fruto do marketing, uma aberração tucana, mais uma, que trás na bagagem suas dividas de IPTU com a capital, invasão de área e desvios denunciados na Embratur. Um gestor de sua própria imagem.
Em outro cenário, o PSDB não apoiaria Alckmin e esse se torna candidato pelo PSB, apoiando França ao governo. Seria mais difícil, mas ainda assim Suplicy teria chance, até, como já disse, pelo nome imaculado.
Suplicy candidato, poderia trazer consigo o apoio de PCdoB, PDT e outros partidos menores e numa possibilidade, de ser traído, o próprio PSB, que carece de uma reconstrução ideológica. Reconstrução que se faz necessária também ao PDT. O PDT tem sinalizado para mudanças. Mas Rede, Avante, PPL, PHS, PSOL, entre outros, são conversáveis.
Com o PSDB ficariam os partidos da direita, os golpistas, aqueles que vivem a reboque do poder, como é o caso de DEM, PMDB (se não forem todos condenados), PP e PTB e um grande numero de siglas de aluguel. Há dinheiro no caixa.
Outras candidaturas que irão se avolumar são aventureiras e medíocres.

Cenário favorável.

O cenário é favorável. Se o eleitor paulista quer uma política séria, o único nome é Suplicy, o resto faz parte do mesmo balaio terceirizador e entreguista, que está vendendo o Brasil.
Não há como falar em Dória, ou outros nomes tucanos, ou Demos. São catastróficos e descompromissados com as necessidades do  povo.
Essa luta por justiça social, só teria concorrente, com França, por ter sido um prefeito aprovado com mais de 90% em São Vicente e não estar envolvido nos grandes pacotes de denuncias.
Assim, tudo ficaria nas mãos do povo. Mudar, ou continuar com o sistema de praticas centenárias, de políticos que nunca olharam para baixo.



A seguir filmagem com os principais momentos da discussão de uma possível candidatura ao governo.






Suplicy folheia o livro "Hollywood: Uma história do Brasil", baseado na vida de Olympio Guilherme, seu primo, da cidade de Bragança Paulista, que produziu em 1929 o filma Fome e foi posteriormente diretor do DIP, no governo Getúlio Vargas (Amazon e Mercado Livre) 



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Hollywood:: 

Uma História do Brasil (Portuguese Edition) (Portuguese) 

ISBN-13: 978-8547101497
ISBN-10: 8547101497
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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Opiniões sobre o Livro Hollywood, uma história do Brasil.




Um mês apos ao lançamento do livro "Hollywood, uma história do Brasil", as criticas são altamente favoráveis, até pela surpresa com relação ao personagem central, Olympio Guilherme, que circula nos mais diferentes meios da história brasileira, além de ter sido um dos pioneiros do cinema em Hollywood, nos EUA.
O livro tem prefacio de José Luiz Del Roio, importante membro da resistência à ditadura militar brasileira e ex-senador por Milão. Del Roio também é escritor.
O posfacio foi assinado por Gilberto Sant`anna, outro ativista da esquerda brasileira e ex-prefeito da cidade de Atibaia.
A história do personagem central era, até então, desconhecida, mas necessária para o entendimento do Brasil de Hoje.

O Livro está a venda no site do Mercado Livre e na Amazon, em formato físico, ou digital.

Veja alguns comentários sobre o personagem e partes de prefacio e posfacio:

Caríssimo Antonio, finalizei a leitura de seu belo livro sobre Olympio Guilherme e fiquei bastante emocionado em vários momentos e muito curioso em outros. Num Brasil que vivemos atualmente seria muito Benvindo Olympio. Grato pela leitura que me proporcionou.
Marco Antonio Caparroz- Campinas 

As funções dos livros transitam (livremente) entre:
- O entreter: se assim não fosse, quem suportaria divagar por centenas de páginas;
O ilustrar: já que um livro instrui e esclarece fazendo o leitor melhor que antes do início da leitura. Mais, até prova em contrário, só se pode viver várias vidas através das letras vivas de um livro;
O pensar: aqui mora o mais importante, de sorte que é isto que nos diferencia neste planeta (no mais pouco diferimos dos outros seres terrestres). É o raciocinar que se constitui na maior de todas as tecnologias, de onde todas as outras derivam
Em suma: um livro há de ser interessante, útil e inteligente, sendo certo que este consegue juntar parcelas substantivas dos três quesitos (o que recomenda sua leitura).
No entanto, por amor à verdade há uma crítica à ser feita: a massiva pesquisa envolvida DEIXA UM GOSTO DE QUERO MAIS (mas mesmo isso, quem sabe, poderá ser resolvido com um segundo volume, desta feita com especial lustre na cidade do biografado.
                                                     
                                                                 Aldo La Salvia - Economista, ex-Banco Central

"Quando eu comecei a me conscientizar sobre filmes, eu me perguntava: como será que eles fazem isso? Como será que meu avô Olympio Guilherme conseguiu fazer este filme (Fome) em Hollywood?" Como conseguiu chegar até a meca do cinema vindo do Brasil? Meus experimentos iniciais com desenhos animados utilizando a câmera de minha família iniciaram o processo de responder a essas perguntas, um processo que continua até hoje.

Eu coloquei minhas descobertas na prática fazendo filmes com minha familia e meus amigos. Máquinas de fazer fumaça, efeitos de luz e pilhas de roupas velhas foram todas sugadas na linha de produção e foram os precursores de Moran Films.
Quando amadurecí um pouco mais, ví que meu avô esteve sempre guiando meus passos neste caminho para que eu tivesse a chance que ele não teve enquanto esteve em Holywood.
Minha ambição é me tornar diretor de filmes famosos e poder chegar um dia a ter uma premiada carreira no cinema e poder oferecer este Óscar a minha estrela guia, meu querido avô, Olympio Guilherme.
                                               Raphael Guilherme Moran - Neto de Olympio Guilherme- Londres


O personagem, por Luis Nassif
Olympio Guilherme -

Olympio Guilherme é um dos personagens mais interessantes e pouco conhecidos da história do Brasil.
Natural de Bragança Paulista, começou no jornalismo com Casper Líbero, em A Gazeta, em São Paulo. Muito bonito, foi a primeira grande paixão de Pagu, a musa dos modernistas.
Ouvi falar pela primeira vez dele através de Oswaldo Russomano, tio da minha primeira esposa. Tato, como era chamado, foi convidado pelo amigo Olympio Guilherme para administrar o Observatório Econômico, revista semanal de grande prestígio, de propriedade de Valentim Bouças, o brasileiro que trouxe a IBM para o Brasil, para imprimir os holleriths do setor público.
Há alguns anos, Antônio Sonsin, também bragantino, começou a levantar a vida de Olympio. Neste domingo à tarde, conversamos longamente sobre seu trabalho.
Sonsin interessou-se por Olympio a partir das conversas com Chico Ciência, historiador em Bragança Paulista. Em 1967, aos 17 anos, musiquei uma peça de Chico, que acabou vetada pela censura da época, resultando em uma passeata de protesto em Campinas e a apresentação da peça nas escadarias da PUC. Sonsin está de posse da peça e ficou de me mandar.
Em suas andanças, acabou descobrindo a única filha de Guilherme, atualmente morando em Londres, que herdou os arquivos do pai. Aliás, a família e os amigos só souberam de sua existência no seu velório quando e menina, de 14 anos, apareceu pranteando o pai.
Com vinte e poucos anos, Olympio foi para Hollywood, através de um concurso da Fox, para escolher uma mulher e um homem brasileiros, para lança-los em Holywood.
A mulher escolhida foi Lia Torá, uma beleza de mulher sobre a qual falaremos em outra oportunidade.
O concurso terminou sem um representante masculino. Incentivado por Pagu e pelos amigos, Olympio acabou se inscrevendo e foi escolhido.
Chegando em Hollywood, descobriu que caíra em uma peta. Na verdade, o concurso fora apenas para promover a Fox no Brasil. Mesmo assim, chegando em Hollywood, Olympio passou a se virar e produziu um filme em preto e branco sobre a fome – que campeava no país após a crise de 1929. O filme foi vetado porque interessava à indústria cinematográfica levantar o moral do país e consideraram o filme muito deprimente.
Quando morreu Rodolfo Valentino, o poeta Guilherme de Almeida invocou que ele seria o próximo Valentino. Não falava inglês, mas ainda estava na fase dos filmes mudos.
Enfim, Olympio Guilherme voltou para o país em fazer a América. Decidiu, então, estudar economia e acabou indo trabalhar com Valentim Bouças. Quando Valentim precisou voltar para os Estados Unidos, colocou-o para dirigir o Observador Econômico.
Na entrevista, Sonsin relata alguns feitos de Olympio Guilherme. Na revista, um de seus focas era Carlos Lacerda. Aliás, Tato me contava as broncas que Olympio costumava dar no foca.
Mas foi uma reportagem pedida a Carlos Lacerda – de descrever o Partido Comunista, ao qual ele era filiado – que resultou no seu rompimento com o PC e em seu mergulho na direita. No artigo, Lacerda desancava sem dó seu antigo partido.
Olympio também trabalhou no DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda de Getúlio), sendo o responsável pela área de rádio e música. Coube a ele combater os sambas que incensavam a malandragem.
Sonsin relata, em detalhes, o episódio em que Olympio leva um tiro na boca de Assis Chateaubriand. Ele corrige a versão de Fernando Moraes na biografia de Chatô e evita que eu cometa o mesmo erro na biografia de Walther Moreira Salles – que deve ter sido também a fonte de Fernando.
Enfim, na entrevista vocês terão um pouco do grande homem que foi Olympio Guilherme.

Luis Nassif  - Economista  - Blog GGN

Os labirintos de Olympio Guilherme

 O norueguês Henrik Ibsen, talvez o maior dramaturgo do século XIX, conseguia destrinchar de forma cruel as contradições de seus personagens. O que parecia não era, o jogo de enganos uma constante, ilusões e fracassos desenha a trilha obrigatória.  No final o que permanecia eram fantasmas.
Toda a vez que leio uma biografia de uma pessoa, para mim fica sempre um gosto amargo. Necessariamente apresentam-se suas dores, fraquezas, indecisões e erros.  Mesmo quando se trata de um nome sublime.  Afinal de contas é apenas um ser humano.
Quando li as páginas deste livro, foi inevitável refletir sobre o que pensava e sonhava a criança e o jovem Olympio. Afinal pisei seus mesmos caminhos em volta dos trilhos da Estrada de Ferro Bragantina, talvez os mesmos medos noturnos na luz mortiça de uma pequena cidade. E a interrogação, a esperança e o desconhecido do que a vida me concederia.  Claro que isso aconteceu 40 anos depois. Mas não acredito que esta distância temporal houvesse modificado substancialmente o quadro. Creio que nossos pensamentos eram parecidos.  O que é natural para quem viveu no mesmo quadro cultural.
A vida prega peças! E o Olympio levou uma destas rasteiras que realmente podemos chamar de magna, inacreditável.  Escolhido como o “homem mais bonito do mundo” jogado em Hollywood, a maior fábrica de mentiras jamais criada pela fértil mente humana.  Comeu o pão que o diabo amassou, mas a lição lhe serviu. Aprendeu muito de como funciona uma imprensa servil e enganosa.  O melhor de tudo foi o cachorro Pisilão, que acabou sendo a companhia dos desesperados jovens perdidos na Califórnia.
Mas deste período uma ausência ficou e pesada. O filme “Fome” que Olympio realizou, com ínfimos recursos sobre a grande crise que assolava os Estados Unidos jogando milhões no desemprego e na miséria. Desaparecido até hoje. Claro que não poderia ombrear com o “Tempos Modernos” de Charles Chaplin ou “As vinhas da Ira” de John Ford. Mas tinha uma vantagem sobre eles. Os vultos que ficaram marcados no celuloide eram de pessoas reais, sujas, marcadas pela necessidade e falta de esperança. E não podemos conhecê-las. É uma pena.
Voltando ao Brasil, sua carreira de jornalista continuou, com altos e baixos, mas seu nome se afirmou.  Começou a se apaixonar pela ideia de um “Projeto Nacional”. Basicamente queria dizer o seguinte: um país com a imensa extensão do Brasil, com tantas riquezas embutidas em suas terras, não podia continuar como uma semicolônia exportadora de produtos agrícolas e com uma população mergulhada na ignorância e penúria. Teria que se lançar na industrialização e na valorização do trabalho assalariado.
Era o plano de Getúlio Vargas e Olympio se aproximou dele. Mais uma vez o destino o imergia no labirinto. Foi convidado para trabalhar, como bom jornalista que era, no Departamento de Imprensa e Propaganda  do governo central. E aceitou.  O Estado Novo de Vargas era uma criatura como o deus Jano, com duas faces. Concessões significativas aos trabalhadores urbanos (mas nada aos rurais), um consistente plano de infraestrutura e industrialização. Mas por outro lado se alimentava de um feroz anticomunismo  (arma clássica da oligarquia escravocrata brasileira) e simpatia com o nazi-fascismo no plano internacional.  Prisioneiros políticos aos magotes e o que é pior, a tortura cruel e constante, liderada pelo monstruoso Filinto Müller.
Olympio não podia não saber das torturas, muitos de seus amigos haviam sofrido nas masmorras, inclusive a sua querida Pagu. Ser do Departamento de Propaganda não isentava a omissão por estes maltratos. O autor deste livro, justamente destaca que Olympio tenta amenizar e proteger pessoas de esquerda e inclusive abrir espaços para que eles publiquem suas ideias. Mas a mancha ficou em sua biografia, ou simplesmente em suas memórias.
Justiça seja feita, o seu ideal político de um projeto nacional ele sempre manteve, continuando ligado ao segundo governo Vargas e depois ao trabalhismo de forma geral.  O golpe militar de 1964 o jogou no ostracismo e teve que apelar para sobreviver como jornalista economista driblando a censura que se implantou.  Morreu isolado, no momento do auge da ditadura militar. No que pensaria nos derradeiros momentos? Nos seus sonhos infantis na pequena Bragança, nas suas glorias ilusórias na Meca o cinema ou de como é difícil modificar as estruturas de um país que teve 350 anos de escravidão.
Como já havia escrito, as biografias me deixam um gosto amargo na boca.
Mas creio que a vida de Olympio, merece ser conhecida e discutida. É uma parte da história politica, jornalística e cultural do nosso país.
Tenho que acrescentar que esta obra é muito valorizada pela interessante e às vezes até comovente galeria de imagens que consegue muito bem representar uma época e uma vida.
José Luis Del Roio - Itália 

Posfacio

Antonio Sonsin retornou ao prelo depois das provocações postas nos livros “República Socialista do Paraguay”, “As rainhas da noite”, “Minhas vidas virtuais” e em outros títulos longe da zona de conforto.   Editou a Revista Verdade que se constituiu num corajoso chamamento à luta pela libertação plena do ser humano.
Para quem navega nas águas turvas e pedregosas de um país de desigualdades escravas, impossível passar despercebida a saga de Olympio Guilherme.   A vida do Rodolfo Valentino de Bragança Paulista daria um romance.   E deu, na obra e arte de Sonsin.
A narrativa parte da totalidade social para alcançar o particular.  O autor optou por uma contextualização histórico-política bem suave, com ênfase no personagem central, devido aos cuidados biográficos dos escritos.  Nem por isso o transformou num herói açucarado  ou  num  amante perfeito,   à moda e crença  de Hollywood.   Imprimiu coerentemente uma linguagem realista e cativante.  A forma e o conteúdo formam uma unidade perfeita. Influência de Gramsci?    
 O leitor delicia-se com as vivências incríveis do protagonista, de fazer inveja ao mais crédulo dos aventureiros, mas também, com certeza, se sente estarrecido com a senzala dos atores construída no derredor das empresas cinematográficas.  Descobre a alienação projetada sorrateiramente nas telas dos cinemas, como também se condói com as cruéis dificuldades suportadas pelos imigrantes em terras estadunidenses. O American way of life existe apenas para quem encontra o pote de ouro homiziado aos pés do arco-íris.  
O autor revela nas entrelinhas da História do Brasil o processo viciado das transformações sociopolíticas ocorridas no desenrolar  das primeiras décadas dos novecentos.
A luta entre as megacorporações internacionais pela hegemonia dos lucros, com o apoio de políticos corruptos, não acaba nunca. Daí se dizer que a história se repete; que tudo é sempre igual, que apenas mudam as moscas.
O impacto das trágicas notícias reveladas por Sonsin, até então reféns dos arquivos da mídia dominante, bagunça as mentes, até as mais traquejadas, como de costume.
Marcou a vida de Olympio Guilherme (1902-1973) o dissenso ideológico entre o capitalismo e o comunismo.  
Esclareça-se.   A partir de 1970, uma contrarrevolução burguesa edifica as bases do neoliberalismo.  A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS, paradigma do proletariado, nascida na Revolução Russa de 1917, sucumbe em 1991.
Esse novo mundo pós-moderno, obviamente, não inclui o personagem central, nem as preocupações do autor.   Destaco apenas para não se cair na tentação de analisar os fatos com as lentes globalizantes do final do século 20 e início do 21.  Observe-se que o Partido dos Trabalhadores – PT não se filia à ideologia da luta de classes. Petismo e comunismo possuem estratégias e táticas absolutamente distintas. Não se confundem. O designativo “de esquerda” é, pois amplo e vago.         
Pois bem, enquanto repórter em início de carreira, na capital paulista, Olympio conviveu com os  fundadores do Partido Comunista Brasileiro – PCB,  namorou com Patrícia Rehder Galvão – a Pagu,  primeira prisioneira política do país, e ainda  participou dos desdobramentos da Semana de Arte Moderna  de 1922.   Não foi seduzido ideologicamente.  Manteve-se fiel à sólida formação conservadora, sedimentada desde a escola de primeiras letras.
Depois, como vimos, o destino o desembarcou em Hollywood, na segunda metade da década de 20 dos mil e novecentos. Nessa época a miséria já campeava entre os pobres da América. A vitória do comunismo de Marx e Lênin na Rússia de 1917, empolgou a classe trabalhadora de todo mundo. Uni-vos!
O clamor revolucionário estremeceu as artes.  Nos EUA, John Reed publica “Dez dias que abalaram o mundo”; John Steinbeck escreve “Vinhas da Ira” e Michael Gold revela a amarga existência dos “Judeus sem dinheiro”.  O cinema recepciona o humanismo crítico de Chaplin e de Brecht.  A guerra 1914-1918 só piorou o cenário da grande depressão.     
Vítima de um estelionato publicitário da FOX, Olympio viu-se na rua da amargura. Sobreviveu a duras penas. Sentiu na pele o drama do estômago vazio.   Produziu e dirigiu um filme independente. Nada mais natural que retratasse a face mais cruel da FOME, exposta sem pudor nas esquinas e calçadas de Hollywood.  Uma advertência explícita à cegueira dos governantes.   O povo bradava por reformas sociais urgentes. Era preciso conter os ânimos desvairados sedentos de justiça.
A ruptura com o modelo alienante da fábrica de sonhos, construído em estúdios e cenários, custou-lhe inédita censura decretada pelo Congresso ianque.  Proibiram a exibição do filme. Burrice da grossa. O comunismo era inteligente e verdadeiro. Só a sagacidade e preparo poderiam barrar a revolução Bolchevique.  A violência, ao contrário, alimentava e fortalecia a luta operária.
De volta ao Brasil, trouxe na bagagem os conceitos de embate ideológico que defendeu nos EUA.  Ao exercer altos cargos durante  a vigência  do Estado Novo, regime  ditatorial  instalado por  Vargas em 1937, Olympio põe em prática suas ideias.  Nos bastidores do governo opunha-se ao barbarismo de   Filinto Strubing  Müller,  então chefe da  polícia política, acusado de torturar e assassinar presos políticos.  Prendeu Luís Carlos Prestes e deportou a judia alemã Olga Benário, grávida, entregando-a aos  apetites nazistas.
Getúlio apoiou a ambos.  Duas correntes distintas se formaram no governo.  Olympio elimina o ranço do Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP - e contrata os mais qualificados jornalistas e literatos  do país,  independentemente das convicções ideológicas. Um vezo democrático nas entranhas do autoritarismo.  Tarefa das mais difíceis, que exigia traquejo e muita habilidade no trato dos desiguais, qualidades esbanjadas por Getúlio, o grande mestre da luta pelo poder.  Com o advento da redemocratização do país, após do término da Segunda Grande Guerra em 1945, a repressão aos pecebistas deixou de ser explícita.
Então, um golpe civil-midiático-militar acontece no Brasil em 1964, com os canhões apontados mais uma vez contra os comunistas e assemelhados, ditos subversivos. Olympio Guilherme critica novamente o uso da violência policial. Aponta os erros da política econômica conduzida por Delfim Neto, pai da dívida pública regada a juros astronômicos.
Em Hollywood: Uma História do Brasil, Sonsin narra as peripécias existenciais de um bragantino avesso à revolução do proletariado, inteligente e culto, que tentou mostrar aos coronéis da classe hegemônica a desnecessidade do uso da violência para garantir a perenidade do poder.
Nessa linha, o golpe parlamentar-midiático-judicial de 2016, sem a participação direta dos militares, com pretenso apoio em dispositivo da Constituição Cidadã de 1988, pretendeu, através do Impeachment da presidente Dilma Rousseff, dar foro de legalidade ao açambarcamento abrupto e ilegítimo do poder. 
As teses de Olympio Guilherme afinal foram reconhecidas? Acredito que não. 
A prática neoliberal (globalização, financeirização ou mundialização) é incompatível com os princípios da democracia liberal. Bem por isso as aparências e simulações golpistas, em curso  no Brasil,  vestem  pele de cordeiro. Os principais cargos dos poderes da República são preenchidos a dedo.  Os protestos nas ruas, avenidas e sacadas, são manipulados pela telinha da televisão engajada com a nova ordem mundial.  O capital financeiro banca os custos da pressão popular.  Mantêm-se exércitos imbatíveis para a alegria dos lucros da indústria bélica.  A barbárie tomou conta do planeta. Para cada foco de resistência uma ameaça diferente.
 Mas, apesar da escuridão no túnel de travessia, continuo acreditando na força da transformação qualitativa da vida em sociedade.

Gilberto Santànna - Atibaia - Brasil 


Sobre Olympio Guilherme por Jason Borge - USA 
A verdade é que, alguns anos após o nascimento do cinema e conversão Hollywood emblema do cinema e da cultura popular em geral, a América Latina também produz muitos escritores preocupados com o filme, especialmente pelo cinema popular americana, alguns dos eles escondendo sob pseudónimos para evitar aparecimento ou rua (à crítica do antigo regime) ou vendido (antes da crítica de vanguarda mais radical). Alguns dos mais ambiciosos e desenvolveu este testes de compilação, como os escritos de Mariátegui, Francisco Ichaso e Olympio Guilherme esquemas teóricos oferta de cinema, na minha opinião, merece ser colocado ao lado dos escritos consagrados no primeiro semestre de do século XX, como Rudolph Arnheim, Vachel Lindsay, Sergei Eisenstein, Bela Belazs e Andre Bazin.