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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A herança dos dois Fernandos, uma obra a 4 mãos.


O resultado nefasto do neoliberalismo, que assolou o Brasil no final do século XX, não deve ser visto e estudado apenas pela óptica da economia.
O câncer social causado por Fernando Collor, que deu início a onda liberalista e concluído por Fernando Henrique, entra na área social, educacional, cultural e na saúde.
Seus governos são baseados na manutenção das diferenças sociais e aumento dos conglomerados privados, sob a desculpa de um estado grande ineficiente. Ineficiência propositalmente ampliada por eles, como desculpa para a desconstrução do estado.
Além do empobrecimento imediato do país em mais de 15% do PIB, a população é dividida e cada vez mais o pobre foi sendo jogado para a periferia, sem qualquer condição de desenvolvimento cultural, ficando a merce de facções criminosas, que foram para onde o estado não tinha interesse. Não sabemos se ao acaso, ou propositalmente, pois é também o início do crescimento do crime organizado.
Nessa onda neoliberal, onde tudo vai sendo privado, os guetos se isolam até pela falta de transportes, também privatizados e caros. Criam-se novos costumes, que se transformam em dados culturais e dividem-se municípios em castas. Mas esse é um assunto para uma analise mais ampla, dos crescimento da periferia, empobrecimento da população e isolamento em diferentes guetos.
A ideia principal desse artigo é mostrar as principais perdas dos anos 90, anos em que o Brasil foi governado pelos dois Fernandos.


Propagandas privatas da era Collor, tudo para convencer  o povo, que o estado estava inchado e que era preciso privatizar para cuidar de saúde, educação, segurança e transportes. 


Alguns resultados da privataria: 

1- 500.000 postos de trabalho fechados. 
2- Empobrecimento da nação. 
3- 15% do PIB entregue a famílias e grupos estrangeiros 
4- Perda da soberania dentro do território nacional. 
5- Tragedias ambientais  como a causada pela Vale, em Mariana. Fim da geração de renda numa área de 600km e litoral. Mortes, destruição do meio ambiente e proteção total ao criminosos. ¨
6 - Aumento da corrupção para aprovação de leis e benefícios às empresas. 
7- As empresas deixaram de cumprir um conjunto de normas sociais para visar apenas o lucro pessoal. 8- Redução da malha ferroviária em todo país, que hoje só atende às exportações. 
9- Aumento dos custos de fretes. 
10 Aumento nos custos de energia em torno de 58% real (a energia está cara porque?). 
11- Aumento nos custos de telefonia. 
12-nenhum investimento privado no setor energético. 
13- Grande áreas de terras, de pequenos produtores, penalizadas por centrais elétricas. 
14- 40% das ações da Petrobras vendidas nos EUA e o conseguente aumento real nos combustíveis, que antes não necessitavam de lucros, hoje precisam enriquecer investidores norte americanos (gasolina cara porque?) 
15- Produtos agrícolas muito mais caros, pois privatizam a parte de fertilizantes mais caros. 
16 -Aumento dos custos de telecomunicações, com a venda de 4 satélites brasileiros, já pagos, para grupos americanos. 
17 - Lucros da telefonia no Brasil transferidos para as matrizes europeias, com aumento no deficit da balança.  do
18- Criação de agencias reguladoras, que só beneficiam os senhores capital. 
19- Os serviços públicos, que sobraram, passaram a ter função de lucro, como na saúde e educação em vias de terceirização. 
20- 11 mil leitos públicos fechados em 98 para a criação de 8 mil leitos privados 
21- Abandono da reforma sanitária. Ai entra, entre outros males, a dengue. 
22- Colocação de ONGs dentro da saúde, programa neoliberal, onde organizações sociais recebem o dinheiro público. 
23- Educação entregue a institutos privados, o pensamento da educação nas mãos de Fundações como Roberto Marinho e Aírton Sena e outras. 
24- O que se ensina, o pensamento nacional,passou às mãos da iniciativa privada. 
25- Introdução do fortalecimento dos agronegócios em detrimento da produção de alimento para consumo interno. 
26- Aumento dos custos na habitação. 
27- Exclusão total dos pobres de dentro das cidades, que são tomadas de assalto pro obras privadas. 28- O direito a moradia deixa de ser absoluto. 
29- privatização dos trasportes públicos. Nem o Metro de Londres é privatizado. Ao se privatizar, no mesmo momento há um aumento em torno de 50% real, que é o lucro da nova empresa, antes social, não tinha necessidade de lucrar.
30- Promoção e exílio na periferia 
31-Destruição do meio ambiente. 
32- Apropriação pelo capital internacional dos bens da terra. Venda até de créditos de carbono nacionais. Perdemos a soberania sobre a biodiversidade. 
33- Ruptura cultural.

Se analisarmos, cada um dos 33 itens propostas aqui, a constatação chegar as raias do absurdo e do ódio. Entregaram o Brasil e ainda andam livremente pelas ruas. 


Mesmo a direita conservadora não acreditava nas boas intenções dos privatas.



A privataria vendeu o Brasil a preço de bananas, até hoje ninguém foi investigado




Bens construídos por toda sociedade brasileira foram doados aos amigos do poder sob a desculpa que o estado iria investir em educação,saúde, transportes, segurança e cultura. E o povo ficou sem nada, em um país mais pobre

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Governabilidade X Corrupção

Governabilidade X Corrupção

Muita gente questiona a tal da governabilidade e confunde com o ato de governar. Mas são diferentes. Do ato de governar, podemos entender a ação do executivo com relação a projetos, impostos, atos, muitos dos quais dependem da aprovação do legislativo, enquanto a governabilidade entra como uma palavra viciada, criada no governo FHC, inspirada na queda de Collor.
Collor, transformado pela Globo em fenômeno eleitoral, não conseguiu “convencer”  o congresso e acabou sendo cassado. FHC, que o sucedeu, graças ao sucesso do plano econômico de Rubens Ricupero, percebeu logo de cara, que sem “meios de convencimento”, não teria o congresso a seu favor.
Muito mais cuidadoso que Collor, e seu braço direito PC Farias, FHC tinha Sergio Mota, o competente caixeiro viajante, que arrecadava, guardava nas Ilhas Cayman e distribuía “os motivos” para a aprovação de ávidos congressistas.
Se voltarmos aos anos 60 veremos que Jânio Quadros mesmo sendo da direita, não soube convencer a direita, a apoiá-lo. Caiu, como cairia Collor 30 anos após.
A governabilidade não é a compra da direita pela esquerda, gerando votos favoráveis, nem vice-versa. A governabilidade é o convencimento da oposição formada por pequenos partidos, sem qualquer ideologia e com um único interesse. Ou o aliciamento de bancadas marcadas, sob condições de troca, para se alcançar um objetivo de governo.
Após FHC, iniciou-se a era Lula. Era que não duraria mais que a era Collor, se não fosse inaugurada uma “governabilidade” mais ampla, generosa e irrestrita. E ai, o PT começa a pagar pela inexperiência, ao administrar o mensalão nos moldes criados por FHC. Era um modelo tucano, administrado por um grupo petista.
Foi escalado para dar tratos a bola, o bem articulado, mas pouco experiente José Dirceu. Dirceu levantaria “sobras de campanha”, empréstimos, e parte da gordura de lucros gerados por empresas fornecedoras, para convencimento das bancadas podres.
O negócio cresceu rápido e com ele as “bancadas podres”. Novos partidos, novos credores de “favores” específicos e novos acordos, para a aprovação de novos projetos e um circulo vicioso cada vez maior.
Deu certo, a não ser pela inocência de Dirceu,  ele acreditou que bastava o que fora combinado e tudo estaria certo. Não para Roberto Jéferson, que queria mais do que o sistema poderia produzir.
Veio a reeleição de Lula, depois Dilma, outros novos partidos e sócios cada vez mais ávidos por participação no lucro Brasil.
O PT já não podia mais vir a público e denunciar que era refém de um esquema, onde só projetos “santificados” seriam aprovados.
Seria necessária uma reforma política, uma reforma partidária, clausulas de barreira, que impediriam novos partidos podres e novos sócios, mas a justiça decretou o fim das clausulas de barreiras.  O PT teve medo e não gritou. Vejam quem são as lideranças dos novos partidos criados nos últimos 10 anos. A grande maioria, de direita, ou religiosos, o que dá no mesmo, mas sempre aproveitadores,  gente que se fez à custa do erário público e nunca fez nada pelo povo.
Sem José Dirceu, o grande mentor intelectual do partido e ao mesmo tempo, o homem que tinha tudo nas mãos, o partido ficou sem “diretor de governabilidade”. A tarefa acabou sendo de vários, de acordo com as necessidades. Hora o líder Vaccarezza, hora outras lideranças, hora o próprio presidente, mas o negócio não poderia parar.
Aliado aos motivos e às consequências existiria o olho gordo dos pequenos companheiros, o inchaço do partido e sua consequente peemedibilização.  Qualquer ex-arena, já poderia ser um neo-petista.  O inchaço diminuía a qualidade e aumentava a necessidade da compra de espelhinhos, para os novos índios.
Depois disso temos o espetáculo do julgamento de José Dirceu, não do mensalão. O objetivo principal era tirar de cena José Dirceu. Sem Dirceu, acreditava-se não existiria que articulasse a compra de “bancadas podres” e o governo cairia por si só. Tanto que  os distintos julgadores jamais se preocuparam em levantar o nome dos comprados, baseando o  tiroteio apenas nos compradores. Mas outros ocuparam os espaços, as vezes nem tão cuidadosos, as vezes inconsequentes e as vezes até mesmo inocentes.
Cada vez mais o governo ficava refém dos mais experientes no “negócio político”, como Sarney, Renan, Collor, Maluf e todos os antigos inimigos, que agora queriam, não só um pedaço do bolo, como fazer parte da equipe que contratava a doceira, que vendia os ingredientes e que distribuía os melhores pedaços.
E de onde saia a “agua benta” para curar a “bancada podre”? É claro, de caixa dois, de contratos e compras.
Prejuízo aos cofres públicos? Não mais do que historicamente existia, porém muito mais arriscado, pois da maneira que estava sendo feita, tirava do poder, outros que queria concorrer.
O que ocorria, desde sempre é que os aliados, já era como Washington Luiz, recebiam as benesses, por produtos não comprados, estradas não feitas, usinas nucleares não concluídas, Transamazônicas inexistentes, planos econômicos furados e agora, era por usinas efetivamente compradas, projetos sociais, que efetivamente chegavam ao povo, estádios efetivamente concluídos, enfim, obras e projetos sociais existentes.
Só ai mora a diferença. Antes pagava-se mais pelo que nunca existiu, enquanto agora pagava-se mais pelo que está sendo, ou já foi concluído.
Para que tudo fosse feito, muitos caíram pelo caminho, Dirceu, Genuíno, hoje se falam outros nomes, como o de Candido Vaccarezza e até de Eduardo Campos. É claro que Eduardo Campos, que participou  do governo, deve realmente ter sido usado na compra de algumas bancadas podres. Ao sair do governo federal  foi governador de Pernambuco, onde, entre outras coisas, deu um salto na educação. Educação não dá lucro para bancada podre, que aprova investimento, logo esses investimentos em “água benta”, devem vir de algum lugar. E vem.
O mesmo ocorre com Vaccarezza, líder de dois governos (Lula e Dilma) e é claro, para a liderança sobram muitos ônus, e poucos bônus. Se todo os acordos passavam por ele as culpas lhe caiam de graça, mas os méritos iam para a Alvorada.
Pegam se mais quatro, ou cinco nomes, para serem os cristos da vez. Mas nada vai mudar. Nada, pelo menos até não termos uma reforma eleitoral, com clausula de barreira, com voto por legenda, com voto do líder, com fim das coligações. Uma reforma judiciária. Uma polícia federal de investigação política. Uma imprensa transparente. E um banho cultural, de 10 anos intensivos para a criação de uma primeira geração culturalmente privilegiada. Para um estado laico, independente e líder nas ações com a vizinhança.
Se é para mudar o Brasil, mudar os políticos, que comecemos pela estrutura e com cultura. Hoje a tal “governabilidade” significa aprovar projetos sem ir para a briga, conquistar “bancadas podres” sem contar com  apoio popular e o medo da derrota. Isso é caro. Para pagar surgem os abutres do erário,  grandes empresas e os intermediários do poder, deputados e dirigentes, que recebem e distribuem às bancadas poderes. Assim caminha o Brasil.
Mas em tudo isso, o eleitor ainda é responsável, é ele quem acredita na mídia vendida  e nas boas intenções de denunciantes da Veja, ou congressistas “arrependidos”, é o eleitor que vota em prefeitos corruptos, porque fizeram um bom programa de TV, em deputados safados, pois disseram que eram do bairro e em senadores  sujos. É o povo eleitor, quem não vê as entrelinhas das matérias, das ações dos verdadeiros canalhas e daqueles que apenas  foram usados, para o governo não cair.

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