Mostrando postagens com marcador Del Roio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Del Roio. Mostrar todas as postagens

sábado, 25 de abril de 2020

25 de abril- Por: José Luiz Del Roio



Viva o 25 de Abril!

Os números do calendário podem revelar agradáveis surpresas. A mesma data pode representar dois momentos grandiosos da história. Este é o caso de 25 de abril de 1945, que marca a insurreição armada da cidade de Milão contra o nazifascismo e o de 1974, que enterra o salazarismo em Portugal com a Revolução dos Cravos.
Abril é primavera na Europa. A Itália, território de duros combates está arrasada, os exércitos aliados avançam contra as tropas nazistas. Milão, poderosa cidade industrial é naquele momento um ponto de concentração dos fascistas. Ali está Mussolini e seus principais assessores, também para lá convergem as brigadas negras italianas (os Camisas Negras) e fascistas de outros pontos da Europa como as milícias francesas de Joseph Darnand.  Na cidade está a sede da Gestapo e das S.S. alemães. O fascismo pretende transformar Milão em uma fortaleza inexpugnável.
As forças anti-fascistas agrupadas no CNL – Comitê de Libertação Nacional, decide que Milão tem que libertar-se por si mesma sem esperar os exércitos aliados. Para o orgulho e resgate dos italianos, pela infâmia fascista, lançam um terrível ultimato “Render-se ou morrer” – “A piedade está morta!”  No dia 24 de abril chegam as ordens para a insurreição. A mesma ordem indica que as Brigadas Garibaldi, lideradas pelo comunista Comandante Cino Moscatelli, desçam das montanhas e entrem em Milão.
Já de madrugada, tem inicio a ocupação armada das fábricas, e os combatentes clandestinos da SAP – Esquadras Armadas Guerrilheiras – se mobilizam e conquistam as sedes dos jornais e das rádios. Horas depois, com a colaboração da população começa o cerco aos quartéis e sedes das forças militares fascistas. O combate toma conta da cidade. Mussolini e seus ministros fogem para os lagos mais ao norte. Seus cadáveres fuzilados voltarão para Milão três dias depois. As tropas nazistas iniciam sua retirada. Na manhã do dia seguinte – embora a luta permaneça – os jornais sobre a direção dos guerrilheiros anunciam: Milão está libertada.
Hoje minha amada Milão está esmagada pelo vírus, mas com orgulho de sempre recorda seu 25 de abril – Agora e sempre - RESISTÊNCIA.

Quase 30 anos depois...

Desejo homenagear a Revolução do Cravos com uma singela recordação pessoal.  O Partido Comunista Italiano havia organizado para o 25 de abril uma concentração de solidariedade aos países que sofriam debaixo de ditaduras fascistas naquele ano de 1974. Foi realizada na cidade de Terni, que possuía um forte componente de metalúrgicos. Foram convidados representantes da resistência em Portugal, Espanha, Grécia, Uruguai, Chile e Brasil.
Minha modesta figura representava os lutadores brasileiros. O companheiro português que neste momento não recordo seu nome era o vice-secretário do Partido Comunista Português. Já ancião, dirigente respeitado e que havia passado inúmeros sofrimentos nos anos em que esteve nas masmorras do fascismo português. Muito educado e muito formal. Na madrugada do dia 24 me encontrava num hotel, com insônia e ouvindo o rádio, quando o locutor deu uma estranha notícia - tropas militares moviam-se para Lisboa. Mais nada. Pensei se era o caso de acordar o companheiro português que dormia no mesmo hotel. Achei que sim e lá fui acordá-lo. Abriu a porta com seu pijama impecável. Pedi desculpas por incomodá-lo e informei-o do acontecido. Pensou alguns segundos e depois começou a pular, abraçou - me e disse: é o que esperávamos - o fascismo em Portugal caiu! E eu chorei.

José Luiz Del Roio - Instituto Astrojildo Pereira. 


terça-feira, 3 de julho de 2018

9 de julho, uma homenagem merecida a Del Roio

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e texto

No Dia da Luta Operária (9 de Julho), data da primeira greve geral do Brasil, o escritor José Luiz Del Roio será homenageado pela Câmara Municipal de São Paulo. Por iniciativa do vereador Antonio Donato ele irá receber a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo, por sua dedicação à luta da classe trabalhadora do Brasil.
A homenagem acontecerá no antigo Moinho Matarazzo, no Brás. Em frente a este local, no dia 9 de julho de 1917, homens da Força Pública atiraram contra um piquete de grevistas e balearam o sapateiro José Martinez. Sua morte, dias depois, gerou enorme comoção e impulsionou a paralisação.





CONHEÇA UM POUCO SOBRE A VIDA DE DEL ROIO
Nascido em São Paulo, José Luiz Del Roio começou a atuar desde jovem no Partido Comunista Brasileiro (PCB), ajudando a organizar entidades estudantis e sindicatos operários. Depois do golpe militar de 1964 resolve, juntamente com outros militantes (como Carlos Marighella) fundar a Ação Libertadora Nacional (ALN). Viveu em Cuba, Peru e Chile, até se fixar na Europa. Foi um dos responsáveis pela retirada do Brasil de importantes documentos e acervos do PCB, incluindo a biblioteca de Astrojildo Pereira, contendo jornais, livros, revistas das primeiras décadas do século XX do movimento operário brasileiro. O material foi recolhido em uma operação secreta, pois havia risco de ser apreendido e destruído pelo regime militar, e levado para Milão, na Itália. Após a redemocratização todo o acervo retornou ao Brasil. Del Roio também é cidadão italiano e em 2006 elegeu-se senador naquele país. Foi, ainda, membro do Conselho da Europa. Autor de vários livros, Del Roio escreveu “A Greve de 1917 – Os trabalhadores entram em cena”